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  |   03/12/2019   |   Desenvolvimento Humano   |  

Para-brisa e Retrovisor: Uma reflexão sobre feedback e feedfoward

Olhar para o passado nos traz o aprendizado e a consciência necessária para o processo de mudança. Olhar para o futuro, nos traz a motivação e o engajamento na escolha das ações mais assertivas. Por isso, é imprescindível trabalhar com feedback e com feedfoward.

Quem acompanha meu trabalho já pôde identificar a bandeira que carrego em defesa da prática assertiva e frequente de feedback. Tanto no âmbito das empresas, quanto no campo geral dos nossos relacionamentos.

Essa á uma das principais demandas que tenho recebido nos últimos anos, o que pode ser entendido como um indicador de que ainda há muito a avançar, seja na prática diária do feedback ou na combinação desta ferramenta com outros recursos, no intuito de se melhorar a performance e o nível de motivação das pessoas.

Como é o caso do feedfoward, uma ferramenta superimportante que também já está se fazendo presente no dia-a-dia das empresas. Você já ouvir falar?  

Este termo foi trazido da cibernética para o universo da gestão por Marshall Goldsmith, um dos 50 líderes mais influentes do mundo. Numa tradução livre, pode significar “avançar” ou “olhar para frente”.

No contexto do comportamento humano, feedfoward consiste em abordar os “deslizes” cometidos pelas pessoas com foco nas suas ações futuras, naquilo que ainda está por vir. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento que utiliza a visão de um objetivo a ser alcançado, para mobilizar a pessoa na correção e na melhoria contínua de seu comportamento. A premissa é ajudar as pessoas a passarem por situações futuras com mais preparo e assertividade do que passaram pelas situações anteriores.

Esta visão de futuro traz em si um estímulo à abertura e à criatividade, elementos fundamentais no processo de desenvolvimento, pois a pessoa pode imaginar o cenário desejado e assim, encontrar mais facilmente novas possibilidades de ação e interação.

Isso significa que o feedback se baseia em situações passadas, trazendo referências importantes e gerando a consciência necessária para o processo de mudança. Já o feedfoward se desloca para o futuro, concentrando-se naquilo que pode ser alterado e gerando novas possibilidades de ação, baseadas na escolha de comportamentos adequados no presente.

Aprender com o passado sempre será válido. Mas é preciso considerar que o cenário muda o tempo todo e, aquilo que se mostra como medida corretiva para nossos “deslizes” do passado, pode não surtir o efeito mais adequado no momento presente e, menos ainda no futuro. O que nos trouxe até aqui não garante que possamos nos manter nesta posição ou que consigamos dar um único passo adiante.

Neste aspecto que as duas ferramentas se complementam de forma muito harmoniosa. Associar a consciência do passado (feedback) às possibilidades de ação futura (feedfoward) pode trazer ótimos resultados.

Vale ressaltar que o feedfoward não substitui o feedback. Eles devem ser usados de forma conjunta, durante o processo de aprendizagem e desenvolvimento.

Pense por um minuto na tarefa de dirigir um automóvel. Para que você percorra o trajeto em segurança e chegue no seu destino, você passa a maior parte do tempo olhando para frente, através do para-brisas do carro. Mas é fato que precisa olhar algumas vezes através do espelho retrovisor. Certo?

No meu ponto de vista, essa é uma boa metáfora para entendermos a complementaridade destas duas ferramentas.

O fornecimento de um feedfoward na prática, se fundamenta no questionamento. Eu costumo sugerir uma mescla de abordagem socrática com perguntas poderosas, que são muito utilizadas nos processos de coaching, por exemplo.

Sendo assim, logo depois de fornecer o feedback (passado – espelho retrovisor), você pode mudar o tom da conversa, e concentrar seu foco no futuro (para-brisa), através de questões como:

  • O que você ganhou e o que você perdeu com este comportamento?
  • Se você continuar agindo dessa forma, o que pode acontecer?
  • Como você pode resolver esse problema?
  • O que você pode fazer para evitar a reincidência desse problema?
  • O que você pode fazer a partir de agora, para mudar seu comportamento?
  • Como você pode iniciar esse processo de mudança?
  • Como será o futuro se essa mudança começar agora?
  • O que você vai ganhar com essa mudança?

E se, por acaso, o feedfoward ainda não vem junto com os feedbacks que você recebe no dia-a-dia, a boa notícia é que você mesmo pode construí-lo. Para tanto, basta passar as questões acima para a primeira pessoa e aproveitar a reflexão.

Um grande abraço e até breve.

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Samanta Luchini

Mestre em Administração com Foco em Gestão e Inovação Organizacional e Especialista em Gestão de Pessoas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul - USCS. Psicóloga pela Universidade Metodista de São Paulo. Executive & Life Coach em nível Sênior, com formação internacional pelo ICI (Integrated Coaching Institute) em curso credenciado pela ICF (International Coach Federation). Professora convidada dos programas de pós-graduação da FGV/Strong, Universidade Metodista e Senac, dos programas de MBA da Universidade São Marcos e Unimonte, e dos cursos FGV/Cademp, para a área de Gestão de Pessoas. Professora conteudista do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos – UNIFEOB. Atua há mais de 19 anos com Gestão de Pessoas em diversas empresas e segmentos, dentre elas Wickbold, Bridgestone, Bombril, Solar Coca-Cola, Porto Seguro, Grupo M. Dias Branco, Prensas Schuler, Arteb, Grupo Mardel, Tegma, Pertech, Sherwin-Williams, Grupo Contax, Grupo Libra, Grupo Sigla, Unilever, Engecorps, Nitro Química, Grupo Byogene, Netfarma, NTN do Brasil e Toyota. Em sua trajetória profissional e acadêmica, já desenvolveu mais de 17.500 pessoas, com uma média de avaliação superior a nota 9,0 em todos seus treinamentos. Palestrante, consultora de empresas e autora de diversos artigos acadêmicos publicados em congressos e revistas. Colunista da revista Manufatura em Foco – www.manufaturaemfoco.com.br


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