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Samanta Luchini    |   08/08/2018   |   Desenvolvimento Humano   |  

Você joga Ping-pong ou Frescobol?

O processo de comunicação pode ser comparado com um jogo, no qual a informação passa de uma pessoa para a outra, produzindo o diálogo e a troca de ideias entre os jogadores. Mas, dependendo do jogo que decidimos jogar e das regras que escolhemos seguir, o resultado da comunicação pode ficar comprometido.

O processo de comunicação é um velho conhecido de todos nós. E por mais que o mundo passe por inúmeras transformações, ele segue firme e forte, desafiando diariamente nossa habilidade transmitir nossas ideias de forma assertiva e atingir nossos objetivos.

O emissor, que é o principal responsável pela qualidade da comunicação, tem uma mensagem a ser transmitida ao receptor. Para tanto, precisa escolher a melhor forma de codificar a mensagem, a melhor linguagem e o melhor canal de comunicação, pois somente diante de escolhas acertadas nesses campos é que a mensagem seguirá com qualidade até o receptor.

O receptor, por sua vez, tem a incumbência de decodificar a mensagem para poder assimilar seu conteúdo e, logo na sequência, passar um feedback ao emissor, quanto ao seu entendimento.

Assim se estabelece um contínuo intercâmbio de informação entre o emissor e o receptor, que dá forma a comunicação. Um jogo integrado e sintonizado, no qual a informação passa de uma pessoa para a outra, produzindo o diálogo e a troca de ideias.

Na teoria, o processo é bonito, objetivo, inteligente e fluido. O jogo funciona. Mas nossas experiências diárias, seja no trabalho ou em qualquer outra área, nos mostram que na prática a teoria é bem diferente. Basta uma rápida investigação da quantidade de conflitos que precisamos administrar no dia-a-dia, por conta de falhas na comunicação.

Essas falhas, chamadas de ruídos, podem aparecer em qualquer etapa do processo, na emissão, na codificação, na recepção e também no feedback. Aí o jogo fica feio, truncado e todos perdem.

Já que estamos utilizando a metáfora do jogo para analisar o processo de comunicação, gostaria de fazer uma provocação: quando você se comunica, ocupando o papel de emissor, joga ping-pong ou frescobol?

Essa comparação pode parecer inusitada, mas pode despertar uma reflexão para algumas oportunidades de melhoria.


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No ping-pong, o jogador (emissor) inicia com um saque e a bolinha (mensagem) deve tocar o seu próprio lado da mesa, como também o lado do adversário (receptor). É possível marcar pontos quando o adversário erra o saque, quando toca na bola duas vezes seguidas, quando a bola toca no campo adversário duas vezes consecutivas, quando a bola toca o lado de madeira da raquete, da rede ou seu suporte.

O objetivo principal do ping-pong é marcar pontos a partir dos erros cometidos pelo adversário, evitando ao máximo que ele consiga rebater as jogadas. O resultado aparece quando a bolinha cai no chão ou fica parada no campo do adversário, interrompendo a jogada. Ou seja, você joga para o outro errar.

No cotidiano, não é muito difícil identificar esses jogadores, que se comunicam para gerar ruídos e conflitos. Não falam com clareza, repassam informações incompletas, insuficientes ou no tempo errado, não usam a empatia para adaptar a mensagem à realidade do receptor, não escolhem o canal correto para comunicar, não se atentam à forma da comunicação, não verificam o entendimento e, acima de tudo, não se preocupam em analisar os feedbacks que recebem.

No frescobol, muito embora vejamos dois jogadores (emissor e receptor) com suas raquetes e uma bolinha (mensagem), o jogo é totalmente diferente.

Um jogador joga a bolinha para o outro, fazendo o máximo esforço para colocá-la onde o outro consiga rebater. No frescobol um jogador não joga contra o outro, trata-se de um esporte cooperativo, onde não existem adversários e sim parceiros. Enquanto que na maioria dos esportes um atleta busca explorar os pontos fracos do outro, no frescobol o jogador explora justamente os pontos fortes do companheiro.

O objetivo é manter a bolinha no ar pelo maior tempo possível. Por isso uma boa partida é definida pelo o período de tempo e pela quantidade de bolas trocadas, atacadas ou defendidas pelos jogadores, enquanto a bola não cair no chão. O resultado aparece quando a bolinha fica em movimento, ampliando a jogada. Ou seja, você joga para o outro acertar.

Mesmo sendo em menor quantidade, felizmente podemos identificar esses jogadores, pessoas que se comunicam para gerar conexão, entendimento e bons relacionamentos.

Os comunicadores do frescobol entendem a importância da comunicação para a geração de resultados. Assumem sua verdadeira responsabilidade pelo processo e pela qualidade, no papel de emissores. Esforçam-se para conhecer de fato seus receptores e, assim, conseguir atender suas principais necessidades. Comunicam com transparência, respeito e honestidade, mesmo durante aquelas conversas difíceis que fazem parte do dia-a-dia. Utilizam canais diversificados, para garantir que a mensagem chegue na pessoa certa, da forma certa e no tempo certo. Escolhem as palavras mais oportunas para expressar seus pensamentos e sentimentos. Estão sempre dispostos a ouvir e fazem bom uso dos feedbacks que recebem.

Eles fazem tudo isso por uma única razão: eles colocam o receptor como prioridade.

Quando o emissor coloca o receptor como prioridade e faz de tudo para que ele receba a mensagem da melhor maneira possível, o processo de comunicação muda de patamar. A geração de confiança aumenta e a incidência de ruídos diminui.

Outro jogo se estabelece. Um jogo mais equilibrado, fluente, cooperativo e, sem dúvida nenhuma, mais bonito de se ver e mais prazeroso de se jogar.

E como nos ensinou a eterna Elis Regina “vivendo e aprendendo a jogar”. Que possamos aprender mais sobre o frescobol, quando estivermos analisando nossas habilidades de comunicação.

Um grande abraço e até breve...

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Samanta Luchini

Mestre em Administração com Foco em Gestão e Inovação Organizacional, Especialista em Gestão de Pessoas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS e em Neurociência pela Unifesp.
Psicóloga pela Universidade Metodista de São Paulo.
Executive & Life Coach em nível Sênior, com formação internacional pelo ICI (Integrated Coaching Institute) em curso credenciado pela ICF (International Coach Federation).
Professora convidada dos programas de pós-graduação da FGV/Strong, Universidade Metodista e Senac, dos programas de MBA da Universidade São Marcos e Unimonte, e dos cursos FGV/Cademp, para a área de Gestão de Pessoas.
Professora conteudista do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos – UNIFEOB.
Formadora de consultores e treinadores comportamentais.
Atua há mais de 23 anos com Gestão de Pessoas em diversas empresas e segmentos, dentre elas Wickbold, Bridgestone, Bombril, Solar Coca-Cola, Porto Seguro, Grupo M. Dias Branco, Prensas Schuler, Arteb, Grupo Mardel, Tegma, Pertech, Sherwin-Williams, Grupo Sigla, Unilever, Engecorps, Nitro Química, Grupo Byogene, Netfarma, NTN do Brasil, TW Espumas, Ambev, Takeda, Pöyry Tecnologia,
Neogrid, Scania, Kemp, Ceva Saúde Animal, Embalagens Flexíveis Diadema, Sem Parar, CMOC, Camil e Toyota.
Em sua trajetória profissional e acadêmica, já desenvolveu mais de 27.000 pessoas, com uma média de avaliação superior a nota 9,0 em todos seus treinamentos.
Palestrante, consultora de empresas e autora de diversos artigos acadêmicos publicados em congressos e revistas.
Colunista da revista Manufatura em Foco – www.manufaturaemfoco.com.br


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