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Samanta Luchini    |   13/02/2019   |   Desenvolvimento Humano   |  

O Seu Mindset é Fixo ou de Crescimento?

Nosso modelo de pensamento pode nos conduzir a acontecimentos favoráveis ou não. A opinião que adotamos de nós mesmos afeta profundamente a forma pela qual levamos nossa vida e atingimos nossos resultados. Substituir o mindset fixo pelo mindset de crescimento é uma excelente estratégia para lidar melhor com os desafios da vida cotidiana e atingir nossos objetivos.


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Não é raro nos depararmos com a crença limitadora de que ter sucesso na vida é um resultado que chega para as pessoas que são muito inteligentes e talentosas, com um alto nível de criatividade ou habilidades específicas que as colocam acima da média de todas as demais.

Você deve estar pensando que a palavra limitadora, que eu acrescentei como adjetivo à crença, não combina com tudo o mais que é dito nesta frase: resultado, sucesso, inteligência, talento, criatividade e habilidade. Mas é isso mesmo. Estamos diante de uma crença limitadora que pode impedir que as pessoas se desenvolvam e conquistem uma melhor versão de si mesmas.

A psicóloga e pesquisadora da Universidade de Stanford, Carol Dweck, que estuda motivação e perseverança há mais de 40 anos, traz uma visão extremamente relevante em seu livro Mindset (cujo leitura eu recomendo muito), que esclarece o aspecto limitante presente nesta maneira de pensar.

Ela afirma e comprova, através de diversos estudos científicos, que quando se enfatiza apenas a inteligência e o talento, as pessoas podem ficar desmotivadas frente ao processo de aprendizagem, que é vital para enfrentarmos os desafios do mundo dinâmico e mutante em que vivemos. Ao passo que ressaltar o esforço, os avanços e a persistência pode produzir melhores resultados e fazer as pessoas a terem acesso a uma fatia mais significativa de seu potencial.

A palavra mindset significa mentalidade, modelo mental, a nossa forma de pensar, que determina como vamos perceber a nós mesmos, o mundo e as pessoas em nossa volta. Em sua tradução literal é a configuração da mente (mind = mente, set = configuração).

Isso significa que nosso modelo de pensamento pode nos conduzir a acontecimentos favoráveis ou não. A opinião que adotamos de nós mesmos afeta profundamente a forma pela qual levamos nossa vida e atingimos nossos resultados.

De acordo com Carol Dweck, existem 2 tipos de minsdet: o fixo e o de crescimento. Eles constituem uma parte importante da nossa personalidade, mas isso não significa que não seja possível muda-los e ajustá-los de acordo com os nossos objetivos.


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No mindset fixo a inteligência é vista como algo estático, pronto e definido.

Nessa mentalidade reside a crença de que nossas qualidades são imutáveis. Acredita-se fortemente no poder do talento e da inteligência; o esforço é visto como algo infrutífero, exclusivo das pessoas que apresentam algum tipo de dificuldade.

As pessoas que possuem o mindset fixo em geral querem ser perfeitas imediatamente e costumam conviver com a expectativa irreal de que todas as coisas acontecerão conforme o planejado, sem erros e adversidades, naquelas famosas condições normais de temperatura e pressão. Desta forma, elas evitam desafios que possam colocar em cheque todo seu brilhantismo, desistem mais facilmente das tarefas mais complexas e blindam-se contra qualquer tipo de feedback construtivo.

Elas enfrentam os problemas e desafios com tensão, pois temem perder a validação de suas capacidades.

Como resultado, tendem a se acomodar mais cedo e alcançam menos do que são realmente capazes de alcançar.

Já no mindset de crescimento a inteligência é vista como algo que pode ser desenvolvido.

Nessa mentalidade reside a crença de que somos capazes de cultivar nossas qualidades básicas por meio de nossos próprios esforços. Ela favorece o gosto pelos desafios e pelo aprendizado.

As pessoas que possuem mindset de crescimento convivem bem com a ideia de que é preciso se dedicar àquilo que não se faz bem e que o sucesso dos outros pode servir de modelo e inspiração. Percebem e reconhecem seus erros e sabem que é possível aprender com as críticas.

Elas enfrentam os problemas com entusiasmo, pois sabem que com perseverança poderão aprimorar suas capacidades.

Desta forma, o esforço e a dedicação são mais valorizados do que a inteligência e o talento. Como resultado, as pessoas com essa mentalidade atingem níveis mais elevados de sucesso e experimentam um senso maior de liberdade, já que não precisam se reafirmar o tempo todo em suas habilidades.

A essa altura você já concluiu que o mindset de crescimento parece muito mais produtivo, pois aquelas famosas condições normais de temperatura e pressão tem sido cada vez escassas no nosso cotidiano, seja qual for a área da vida que você queira usar como pano de fundo.

A boa notícia é que os mindsets de crescimento podem ser desenvolvidos, especialmente quando estamos desempenhando o papel de mãe/pai, professor, técnico ou líder. Ainda mais se estivermos diante de crianças.

A principal estratégia para isso é rever e ajustar a maneira com a qual fazemos nossos elogios, diante dos resultados positivos que nossos filhos, alunos e liderados apresentam. Por mais que eles sejam pessoas inteligentes e capazes, pautar o os elogios com menções de “Puxa, você deve ser mesmo muito inteligente para ter conseguido resolver esse problema e ter tirado essa nota excelente” pode comprometer o valor que é atribuído ao processo de aprendizagem e desenvolvimento. E isso certamente é um sinal de obstáculos no futuro.

Prefira os elogios que coloquem o foco na persistência, na disciplina, na dedicação, na perseverança e no esforço: “Puxa, você deve ter estudado e se esforçado bastante para conseguir resolver esse problema e tirar essa nota excelente.” Essas são as capacidades que, independente de talento e inteligência, qualificarão a pessoa diante dos inúmeros desafios da vida, seja no trabalho, na vida acadêmica, nos esportes ou nos relacionamentos.

Afinal, vir a ser pode ser uma conquista mais gratificante do que simplesmente ser.

Um grande abraço e até breve...

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Samanta Luchini

Mestre em Administração com Foco em Gestão e Inovação Organizacional, Especialista em Gestão de Pessoas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS e em Neurociência pela Unifesp.
Psicóloga pela Universidade Metodista de São Paulo.
Executive & Life Coach em nível Sênior, com formação internacional pelo ICI (Integrated Coaching Institute) em curso credenciado pela ICF (International Coach Federation).
Professora convidada dos programas de pós-graduação da FGV/Strong, Universidade Metodista e Senac, dos programas de MBA da Universidade São Marcos e Unimonte, e dos cursos FGV/Cademp, para a área de Gestão de Pessoas.
Professora conteudista do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos – UNIFEOB.
Formadora de consultores e treinadores comportamentais.
Atua há mais de 23 anos com Gestão de Pessoas em diversas empresas e segmentos, dentre elas Wickbold, Bridgestone, Bombril, Solar Coca-Cola, Porto Seguro, Grupo M. Dias Branco, Prensas Schuler, Arteb, Grupo Mardel, Tegma, Pertech, Sherwin-Williams, Grupo Sigla, Unilever, Engecorps, Nitro Química, Grupo Byogene, Netfarma, NTN do Brasil, TW Espumas, Ambev, Takeda, Pöyry Tecnologia,
Neogrid, Scania, Kemp, Ceva Saúde Animal, Embalagens Flexíveis Diadema, Sem Parar, CMOC, Camil e Toyota.
Em sua trajetória profissional e acadêmica, já desenvolveu mais de 27.000 pessoas, com uma média de avaliação superior a nota 9,0 em todos seus treinamentos.
Palestrante, consultora de empresas e autora de diversos artigos acadêmicos publicados em congressos e revistas.
Colunista da revista Manufatura em Foco – www.manufaturaemfoco.com.br


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