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Samanta Luchini    |   06/04/2021   |   Desenvolvimento Humano   |  

E o VUCA virou BANI...

O mundo que vivemos hoje não é mais VUCA. Agora ele é definido pelo acrônimo BANI, que em português significa frágil, ansioso, não linear e incompreensível.

Quando a gente pensa que uma sigla (e seu respectivo significado) se acomodou no vocabulário e no cotidiano das pessoas, logo aparece outra em sua substituição, trazendo-nos a necessidade de novas aprendizagens e ressignificações.

Refiro-me aqui à configuração de mundo VUCA, que agora deu lugar ao mundo BANI.

O acrônimo VUCA (em inglês) foi usado pela primeira vez no contexto militar americano nos anos 1990, para descrever o contexto de mundo - volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity) - fortemente impulsionado pelos avanços tecnológicos.

Não demorou muito tempo para que esse acrônimo fosse incorporado também ao mundo dos negócios, pela força da globalização e da tecnologia da informação, uma vez que traduz precisamente as condições nas quais as pessoas precisam planejar, atuar e obter resultados positivos.

E através dessa configuração, estamos experimentando o mundo há quase 30 anos.

Ocorre que as transformações seguem seu fluxo com grande aceleração e assim, algumas referências e convicções vão se distanciando da realidade e tornando-se obsoletas antes mesmo que sejamos capazes de processar com clareza e discernimento.

A ampla digitalização que se inseriu em nossas vidas nos últimos anos e, especialmente, a profunda revolução causada pela pandemia do coronavírus, desatualizou a visão de mundo pela ótica VUCA.

O mundo agora é BANI (Brittle, Anxious, Nonlinear, Incomprehensible) que em português significa frágil, ansioso, não linear e incompreensível.

A volatilidade do mundo VUCA atingiu um grau tão extremo que praticamente tudo se tornou frágil e sem solidez. A impermanência é a certeza que temos nesse momento, tudo pode se desfazer de uma hora para a outra.


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A qualquer momento podemos perder o emprego, um cliente importante ou um projeto no qual tenhamos investido uma grande quantidade de tempo e energia. Toda hora estamos sendo desafiados a criar novas rotinas e hábitos para trabalhar, estudar e organizar a vida. Fazer planos de médio e longo prazo é algo que mais parece ficção nesse momento.

As incertezas do mundo VUCA aumentaram tanto de intensidade, que acabaram por produzir um cenário de medo, insegurança e impotência diante de tantas mudanças e situações que escapam completamente do nosso controle.

Desta forma, a ansiedade diante do que pode acontecer se tornou um estado emocional predominante para a maioria das pessoas, fazendo com que muitas se sintam constantemente perdidas, com dificuldade para manter o foco e tomar decisões, bloqueadas em sua criatividade, iniciativas e soluções, afetadas física e psicologicamente.

A complexidade do mundo VUCA se converteu em não linearidade, caracterizada especialmente pela falta de conexão entre causa e efeito.

Hoje existe um novo sistema de causa e efeito, nos mostrando que pequenas decisões podem trazer grandes resultados, enquanto que um grande esforço empregado numa variável importante pode não gerar nenhuma resposta. Ou seja, uma decisão tomada hoje pode ter resultados desproporcionais e imprevisíveis diante da aceleração dos acontecimentos.

A ambiguidade do mundo VUCA deu lugar a um cenário de profunda incompreensão, que se estabelece principalmente pelo excesso de informações. As informações circulam com tanta frequência e rapidez, que muitas vezes ficamos paralisados, sem saber como agir.

Nossa capacidade de filtrar essas informações, analisar os fatos e compreender o que faz sentido ou não, parece estar comprometida neste momento. Não é raro estarmos sem resposta para diversos eventos do dia-a-dia, mesmo aqueles que eram considerados simples até um ano atrás.

Se o mundo VUCA já nos demandava em termos de adaptação, preparo e expansão, no mundo BANI essas necessidades se tornaram ainda mais urgentes.

Competências como inteligência emocional, resiliência, empatia, atenção plena, flexibilidade e gestão do tempo são fundamentais para viver com saúde e equilíbrio, assim como para obter bons resultados daqui pra frente.

Um grande abraço e até breve...

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Samanta Luchini

Mestre em Administração com Foco em Gestão e Inovação Organizacional, Especialista em Gestão de Pessoas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS e em Neurociência pela Unifesp.
Psicóloga pela Universidade Metodista de São Paulo.
Executive & Life Coach em nível Sênior, com formação internacional pelo ICI (Integrated Coaching Institute) em curso credenciado pela ICF (International Coach Federation).
Professora convidada dos programas de pós-graduação da FGV/Strong, Universidade Metodista e Senac, dos programas de MBA da Universidade São Marcos e Unimonte, e dos cursos FGV/Cademp, para a área de Gestão de Pessoas.
Professora conteudista do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos – UNIFEOB.
Formadora de consultores e treinadores comportamentais.
Atua há mais de 23 anos com Gestão de Pessoas em diversas empresas e segmentos, dentre elas Wickbold, Bridgestone, Bombril, Solar Coca-Cola, Porto Seguro, Grupo M. Dias Branco, Prensas Schuler, Arteb, Grupo Mardel, Tegma, Pertech, Sherwin-Williams, Grupo Sigla, Unilever, Engecorps, Nitro Química, Grupo Byogene, Netfarma, NTN do Brasil, TW Espumas, Ambev, Takeda, Pöyry Tecnologia,
Neogrid, Scania, Kemp, Ceva Saúde Animal, Embalagens Flexíveis Diadema, Sem Parar, CMOC, Camil e Toyota.
Em sua trajetória profissional e acadêmica, já desenvolveu mais de 27.000 pessoas, com uma média de avaliação superior a nota 9,0 em todos seus treinamentos.
Palestrante, consultora de empresas e autora de diversos artigos acadêmicos publicados em congressos e revistas.
Colunista da revista Manufatura em Foco – www.manufaturaemfoco.com.br


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