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  |   16/06/2019   |   Desenvolvimento Humano   |  

Qual é o seu tipo de foco?

Todos nós temos dois tipos de foco. O foco proativo, que faz com que concentremos nosso tempo e energia nas situações que podemos alterar ou influenciar de alguma forma. E o foco reativo, que coloca nosso tempo e energia em favor das situações que não podemos controlar, gerando apenas preocupação. O tipo de foco é o que diferencia as pessoas proativas e empoderadas das pessoas reativas e reclamonas.

A palavra foco nunca esteve tão presente nos diálogos da vida cotidiana como agora. Vivemos num mundo tão assoberbado de estímulos, informações, tarefas e compromissos que a capacidade de manter o foco tem sido avaliada a peso de ouro.

E não se trata apenas do contexto do trabalho, onde ele aprece como requisito fundamental em praticamente todas as funções. A capacidade manter o foco é também solicitada nos ambientes escolares, nas atividades físicas, nas dietas, no planejamento financeiro e em toda a gama de papéis socias que nós desempenhamos.

Sempre quando falo de foco, nos treinamentos, nas aulas e até mesmo nas conversas de coaching, utilizo a metáfora de uma luneta.

Quando você olha para o céu, numa noite estrelada, você vê uma imagem linda, ampla e cheia de possibilidades. Pode até se sentir desorientado na escolha de qual direção olhar, ou não saber para qual constelação olhar primeiro.

Agora, quando olha para o céu usando uma luneta, você reduz o campo de visão e já não pode mais enxergar a miríade de estrelas e constelações. Contudo, você ganha em clareza, nitidez e riqueza de detalhes acerca do “pedaço” que escolheu observar, pois a função da luneta é produzir um aumento de visão. A luneta canaliza seu tempo e energia para aquilo que você escolheu.

Isso é foco. A capacidade de atingir um objetivo, manter uma prioridade em fazer algo, sem se distrair ou se desvirtuar do caminho. Manter a nitidez da visão daquilo que se deseja, ao ponto de conseguir gerenciar as distrações, sejam elas externas (ambiente, fluxo e quantidade informações, barulho, poluição, ergonomia, compromissos) ou internas (pensamentos repetitivos, sintomas físicos, emoções perturbadoras ou intensas).

Mas o que quero discutir nesse artigo está num passo anterior, no tipo do seu foco, ou seja, em que direção você normalmente coloca sua luneta.

Todos nós possuímos basicamente dois tipos de foco, que nos permitem perceber onde de fato estamos colocando nosso tempo e nossa energia. O foco proativo, que privilegia aquelas situações e atividades nas quais podemos exercer algum tipo de influência, e o foco reativo, que se concentra nas situações onde não podemos exercer nenhum nível de controle ou interferência, que só nos trazem preocupações.

Esses dois focos não tem o mesmo tamanho e nem a mesma vigência, não poderiam ser quantificados em 50% cada um, pois estão diretamente relacionados às nossas escolhas. E o mais intrigante aqui é que as escolhas que fazemos todos os dias, aumentam a intensidade de um dos focos e o fazem prevalecer sobre o outro. Isto é, algumas pessoas levam a vida com a luneta direcionada para o lado da influência e da proatividade e outras, para o lado da preocupação e da reatividade.

As pessoas de foco proativo concentram seu tempo e energia naquilo que podem alterar, modificar, aumentando assim o seu círculo de influência. Em geral elas mantem um modelo mental do tipo “eu posso fazer algo a respeito disso”. Mesmo que seja uma ação simples e discreta diante do todo, elas sempre agem, sempre enxergam uma alternativa.

Já as pessoas de foco reativo, concentram seu tempo e energia naquilo que não podem alterar, aumentando assim o seu círculo de preocupação e diminuindo seu poder de ação. O modelo mental predominante aqui é “não posso fazer nada a respeito disso” e como consequência, passam a reclamar de tudo ou assumir papel de vítima.

Vamos analisar esses dois tipos de pessoa, diante de um mesmo evento. Imagine que o dia hoje amanheceu chuvoso, contrariando a previsão tempo e colocando em risco o planejamento traçado para o dia.

As pessoas de foco reativo predominante, provavelmente iriam se indispor e começar a proferir uma lista de reclamações sobre a mudança do clima, sobre o trânsito que fica lento nos dias de chuva, sobre os semáforos que param de funcionar, sobre os pontos de alagamento que surgem na cidade, sobre a atitude negligente dos governantes, sobre a demora do transporte público ou valor mais alto cobrado pelos aplicativos de transporte quando está chovendo, etc.

Nesta situação as pessoas de foco proativo, teriam uma atitude diferente. Elas provavelmente iriam pensar em todas as alternativas que pudessem ajuda-las a manter os planos do dia, mesmo com chuva. Por exemplo, sair de casa um pouco mais cedo do que o planejado, para driblar o obstáculo do trânsito, que realmente fica mais difícil em dias de chuva. Trocar o figurino escolhido para o dia, pois para caminhar na chuva alguns calçados e roupas são mais oportunos do que outros. Certificar-se de que o guarda-chuva e a capa estão na mochila e em bom estado de uso. Enviar uma mensagem para aquele amigo que mora no bairro vizinho, verificando a possibilidade de uma carona, para não ficar refém da lentidão do transporte público. Tentar reagendar o primeiro compromisso do dia, para ter mais chance de cumprir o horário.

Percebeu a diferença?

E você, diria que seu foco é predominante proativo ou reativo? Já parou para se observar?

Coloquei aqui algumas situações do dia-a-dia que podem ajudar nesta reflexão, aumentar seu nível de autoconhecimento e, possivelmente, ampliar suas chances de usar o foco proativo.

A ideia deste exercício é pensar sobre cada um dos eventos que seguem, tendo em mente a questão: eu posso fazer algo a respeito e influenciar de alguma forma essa situação? É interessante registrar suas respostas e, ao final da lista, fazer uma análise de quantas vezes o seu foco proativo realmente se manifestou. E lembre-se de um detalhe muito importante: seja sincero e honesto consigo mesmo.

  • Cortes no orçamento do departamento
  • Os erros que cometi no passado
  • Minha estabilidade no trabalho
  • Voo que atrasou
  • Bagagem que extraviou
  • Fila no banco (ou qualquer outro tipo de estabelecimento similar)
  • Atitudes das outras pessoas
  • Opinião do meu chefe ao meu respeito
  • Meu tempo de deslocamento até o trabalho
  • Como as outras pessoas me tratam
  • Atividades que surgem de última hora
  • Novas legislações do meu setor
  • Fofocas na empresa
  • Falta de energia elétrica

Espero que essa reflexão tenha trazido os insights necessários para que você direcione sua luneta para o lado da proatividade e da influência. Desta forma, poderá experimentar uma energia mais positiva e engrandecedora.

Um grande abraço e até breve...

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Samanta Luchini

Mestre em Administração com Foco em Gestão e Inovação Organizacional e Especialista em Gestão de Pessoas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul - USCS. Psicóloga pela Universidade Metodista de São Paulo. Executive & Life Coach em nível Sênior, com formação internacional pelo ICI (Integrated Coaching Institute) em curso credenciado pela ICF (International Coach Federation). Professora convidada dos programas de pós-graduação da FGV/Strong, Universidade Metodista e Senac, dos programas de MBA da Universidade São Marcos e Unimonte, e dos cursos FGV/Cademp, para a área de Gestão de Pessoas. Professora conteudista do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos – UNIFEOB. Atua há mais de 19 anos com Gestão de Pessoas em diversas empresas e segmentos, dentre elas Wickbold, Bridgestone, Bombril, Solar Coca-Cola, Porto Seguro, Grupo M. Dias Branco, Prensas Schuler, Arteb, Grupo Mardel, Tegma, Pertech, Sherwin-Williams, Grupo Contax, Grupo Libra, Grupo Sigla, Unilever, Engecorps, Nitro Química, Grupo Byogene, Netfarma, NTN do Brasil e Toyota. Em sua trajetória profissional e acadêmica, já desenvolveu mais de 17.500 pessoas, com uma média de avaliação superior a nota 9,0 em todos seus treinamentos. Palestrante, consultora de empresas e autora de diversos artigos acadêmicos publicados em congressos e revistas. Colunista da revista Manufatura em Foco – www.manufaturaemfoco.com.br


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