PSA investe em prototipagem digital

As principais vantagens são redução de custos e de tempo, além de manter o sigilo do projeto.

A PSA Peugeot Citroën América Latina começou a utilizar os softwares Showcase e 3DS Max da Autodesk há três anos. Com os programas, são realizados protótipos digitais e, posteriormente, as imagens são utilizadas em publicidade e animações. Segundo o gerente de design da montadora, Frederico Laguna, as principais vantagens são redução de custos e de tempo, além de manter o sigilo do projeto. 

A crise econômica entre 2008 e 2009 reduziu significativamente a produção das montadoras de veículos em todo o mundo. Algumas aproveitaram o tempo ocioso para repensar seu processo produtivo e melhorar o potencial de criação. A PSA América Latina focou na prototipagem digital com a utilização dos softwares Showcase e 3DS Max. "O protótipo é projetado com o Autodesk Showcase e depois de pronto pode ser passado para o software 3DS Max. Então, o setor de marketing utiliza as imagens criadas tanto para publicidade em revistas e televisão, como animações", explica Laguna.
 
O engenheiro mecânico afirma que antes animações de alguns segundos que levavam quase um dia para serem produzidas, agora demandam de três a quatro horas de trabalho. "O nosso maior ganho é que hoje, devido à concorrência, o tempo de desenvolvimento de um novo produto é muito pequeno. Assim ganhamos em velocidade, flexibilidade e portabilidade", avalia.
 
A equipe de designers pode testar cores, tecidos e novos modelos. A imagem criada também é utilizada no manual de proprietário. "Na França, eles estão tentando implantar este método, porque lá ainda utilizam o modelo antigo de desenho a mão no manual", diz. 
 
Para Laguna, outra grande vantagem é a redução de custo. Com um investimento, considerado pequeno pelo engenheiro, em softwares, há uma redução de gastos muito grande. Ele cita que um protótipo físico de todos os componentes de um novo modelo custa em torno de US$ 600 mil. No caso da prototipagem digital, esse número baixa para US$ 20 mil. 
 
"Temos uma redução de preço monstruosa, já que não precisamos, por exemplo, levar o veículo até o local para tirar fotos, contar com uma equipe toda de produção. Podemos inserir o carro no ambiente desejado, sem haver deslocamentos e gasto", defende.
 
De acordo com o gerente de design da PSA América Latina, antes para conseguir um bom ângulo em uma foto do espaço interno do veículo, eles tinham que cortar o carro ao meio e depois jogar o produto fora. Agora isso não é mais necessário. Além disso, para Laguna, fica mais fácil manter o sigilo dos projetos. "Como não precisamos deslocar o novo modelo para fazer as fotos, garantimos a confidencialidade", comenta o engenheiro.  
 
Impressão 3D
Mas será o fim da prototipagem rápida? Ainda que a utilização dos protótipos digitais seja cada vez mais representativa na PSA, Laguna afirma que eles ainda precisam utilizar os protótipos físicos em algumas etapas de desenvolvimento dos produtos. 
 
A country manager da Objet Brasil, especializada em impressão 3D para prototipagem rápida, Renata Sollero, não acredita que a prototipagem digital seja uma ameaça para os outros protótipos. "As tecnologias vão se encontrando e construindo uma forma mais inteligente e mais produtiva da indústria trabalhar, principalmente a automotiva, que é o setor no Brasil que mais dita tendências e utiliza a tecnologia 3D", argumenta Sollero. 
 
Ela cita que assim que começou a utilização de protótipos digitais pela indústria automtiva, algo que não é tão recente, muitos diziam que iria acabar o clay. Porém, atualmente ainda se utiliza o clay em muitas etapas de desenvolvimento dos produtos. "Por exemplo, os testes de ergonomia dentro de um computador são perfeitos matematicamente. Mas na hora que o cliente senta no banco real do automóvel, podemos descobrir um novo aspecto a ser trabalhado no projeto", comenta.  
      
 
 

 




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