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Manufatura global encerra 2025 com crescimento moderado e perda de fôlego nos pedidos

Índice global segue acima da linha de neutralidade, mas desaceleração dos pedidos e do comércio exterior indica cautela na virada do ano

O setor manufatureiro global fechou 2025 em um ritmo de crescimento moderado, marcado pela desaceleração da produção e pela estagnação na entrada de novos pedidos e no nível de emprego. É o que aponta o J.P. Morgan Global Manufacturing PMI, divulgado em janeiro, com dados referentes a dezembro de 2025.

O índice recuou levemente para 50,4 pontos, frente a 50,5 em novembro, permanecendo acima da linha de neutralidade de 50 pelo quinto mês consecutivo. O resultado indica expansão marginal da atividade industrial global, ainda que com sinais de perda de impulso no encerramento do ano.

Segundo o levantamento, apenas dois dos cinco componentes do PMI — produção e prazos de entrega dos fornecedores — apresentaram níveis compatíveis com expansão. Novos pedidos e emprego ficaram estáveis, enquanto os estoques de compras recuaram, refletindo cautela por parte das empresas.

Desempenho desigual entre países e setores

Dos 29 países analisados, 18 registraram expansão da atividade industrial em dezembro. Índia, Vietnã e Grécia lideraram o ranking, enquanto Estados Unidos, China continental e Reino Unido também permaneceram em território de crescimento. Por outro lado, Japão e Alemanha figuraram entre as grandes economias industriais com leituras indicativas de contração.

A produção global avançou pelo quinto mês consecutivo, com crescimento simultâneo nos segmentos de bens de consumo, bens intermediários e bens de investimento. Apesar disso, o ritmo de expansão foi considerado leve, com desaceleração nos dois primeiros setores e retomada moderada no segmento de bens de investimento.


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A entrada de novos pedidos globais ficou estável em dezembro, interrompendo uma sequência de quatro meses de crescimento moderado. A queda concentrou-se no setor de bens intermediários, enquanto bens de consumo e bens de investimento ainda apresentaram expansão. Entre as principais economias, houve crescimento dos pedidos na China, Índia e Reino Unido, contrastando com retrações nos Estados Unidos, Japão e na zona do euro.

Comércio exterior segue pressionando a indústria

O levantamento aponta que parte da estagnação dos pedidos está associada à continuidade da retração do comércio internacional. Os novos pedidos de exportação recuaram pelo nono mês consecutivo, em ritmo ligeiramente mais intenso do que em novembro, afetando todos os segmentos industriais analisados.

Apesar desse cenário, as expectativas para a produção futura permaneceram moderadamente positivas. O nível de otimismo empresarial manteve-se no patamar mais elevado dos últimos cinco meses, ainda que abaixo da média histórica da pesquisa pelo vigésimo primeiro mês seguido.

Emprego estável e pressão de custos em alta

Os níveis de emprego na manufatura global permaneceram estáveis em dezembro, com criação de vagas em países como Estados Unidos, Japão e Índia compensando reduções observadas na China, zona do euro e Reino Unido. Houve ainda indícios de melhor alinhamento entre capacidade produtiva e demanda, com desaceleração na queda dos pedidos em carteira.

No campo dos custos, o relatório indica aceleração da inflação de insumos e dos preços de venda no último mês de 2025. Ainda assim, ambas permaneceram abaixo das médias históricas de longo prazo, sinalizando pressão moderada sobre as margens industriais.

Metodologia

O J.P. Morgan Global Manufacturing PMI é elaborado pela S&P Global, em parceria com o ISM e a IFPSM, a partir de pesquisas mensais com gestores de compras em mais de 40 regiões, envolvendo cerca de 13.500 empresas, que representam aproximadamente 98% do valor agregado da manufatura global.

As respostas indicam a variação da atividade em relação ao mês anterior e são convertidas em índices de difusão, que variam de 0 a 100. Leituras acima de 50 indicam expansão e abaixo de 50, contração. O PMI é composto por uma média ponderada de novos pedidos, produção, emprego, prazos de entrega dos fornecedores e estoques de compras.

*Imagem de capa: Depositphotos.com