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Cadeias produtivas devem passar por reconfiguração nos próximos anos

Pesquisa indica aumento nos investimentos em nearshoring até 2030

A pesquisa “Insight 2030: Oportunidades e Desafios para a Cadeia de Suprimentos do Futuro”, encomendada pela DHL Supply Chain, indica que líderes de cadeias de suprimentos estão se adaptando ou planejando adaptar suas estratégias à realidade atual do mercado global. A maioria (62%) espera que as tensões internacionais impactem sua cadeia de suprimentos nos próximos cinco anos, enquanto 65% preveem um aumento nos investimentos em nearshoring da cadeia de suprimentos. 

Essa estratégia prevê a transferência da produção ou de serviços para países próximos ao mercado consumidor final com o objetivo de aumentar a resiliência, reduzir custos logísticos, prazos de entrega e riscos geopolíticos.

O nearshoring é uma das principais tendências identificadas na pesquisa, que apresenta um panorama atual da cadeia de suprimentos no mundo, as mudanças mais significativas esperadas, e oferece insights sobre obstáculos enfrentados por lideranças para garantir que supply chain continue apoiando os objetivos de negócio.

Para a professora Regina Meyer Branski, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), “sanções, conflitos e barreiras comerciais impõem a necessidade de redesenhar rotas e diversificar a base de fornecedores para garantir a continuidade das operações. Esses fenômenos elevam os custos logísticos e comprometem a previsibilidade das cadeias”. 

Ela acrescenta: “atualmente, as empresas preferem absorver o custo mais elevado de componentes locais do que se sujeitar a regiões em conflito ou políticas tarifárias instáveis que possam causar rupturas severas no abastecimento”.


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Bia Rodrigues Carvalho, especialista em Logística, Tecnologia e Inovação que atua com supply chain no Brasil há 25 anos, avalia que “o modelo de cadeias muito longas, que são concentradas e dependentes de poucos fornecedores, já se mostrou no limite”. Ela explica que “durante muito tempo o foco foi eficiência máxima e custo mínimo, só que isso funcionava num mundo previsível, que não existe mais”. 

Pandemia, tensões políticas e regionalização

A imprevisibilidade da política-econômica mundial está entre as principais preocupações dos líderes do setor: 62% temem tensões internacionais. A crise climática também afeta a cadeia: 63% dos entrevistados temem desastres naturais. 

Por isso, a reconfiguração das cadeias de suprimentos é fundamental. “O que resta é regionalizar e diversificar. Se você não fizer isso, não consegue se adaptar, principalmente no Brasil”, defende Bia. 

Para ela, com essas estratégias “você reduz a dependência excessiva, cria alternativas e possibilidades de responder melhor às crises". "Eficiência sem resiliência virou um risco muito grande”, completa.

Especialista em logística, a professora Regina Meyer Branski acrescenta que “a partir da pandemia, a busca das empresas por regionalização e diversificação ficou mais evidente”. 

Ela explica: “A regionalização da produção visa estabelecer maior proximidade com os centros consumidores para reduzir o lead-time e os riscos de transporte. Já a diversificação tem como objetivo estabelecer vários fornecedores capazes de operar a qualquer momento. Assim, vejo que regionalização e diversificação são respostas diretas aos riscos políticos e climáticos mencionados anteriormente e os dois fenômenos levam as empresas para a mesma direção: a busca por cadeias mais resilientes, mesmo que a um maior custo”.

Aumento nos investimentos

Conforme a pesquisa, os líderes da cadeia de suprimentos, em sua maioria, esperam um período de crescimento e investimentos nos próximos cinco anos, à medida que se adaptam a mercados em transformação, às mudanças nas demandas dos consumidores e à integração de novas tecnologias.

A maioria prevê o aumento dos investimentos em infraestrutura da cadeia de suprimentos, a necessidade de maior capacidade de armazenagem e um crescimento no número de armazéns necessários para atender os clientes. Ao mesmo tempo, a maior parte dos líderes projeta que tanto os custos de transporte quanto as exigências de mão de obra aumentarão, intensificando a tensão entre níveis de serviço e gestão de custos. Uma maioria significativa espera que sua capacidade de prever a demanda, preparar-se para fusões e aquisições e gerenciar devoluções melhore nos próximos anos.

Do total de entrevistados, 73% projetam aumento nos investimentos na cadeia de suprimentos até 2030; 61% do espaço de armazenagem necessário; 59% preveem crescimento nos custos de transporte; e 57% no número de armazéns.

Apesar disso, 41% dos líderes citam orçamentos restritos como um obstáculo para realizar as mudanças necessárias. 

Leia mais: Adaptação tecnológica: o grande desafio do supply chain até 2030

Sobre a pesquisa

A DHL contratou a W5, empresa independente, para conduzir a pesquisa quantitativa on-line com 350 executivos de cadeia de suprimentos e líderes empresariais da América do Norte em 2025. 

A pesquisa “Insight 2030” teve como foco líderes de empresas de grande porte, com faturamento anual superior a US$ 1 bilhão, mas também esteve aberta a executivos C-level de grandes empresas com receita anual entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão. 

*Imagem de capa: Depositphotos.com