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Ásia entra em nova fase de transformação industrial com foco em escala

Competitividade passa a depender da integração entre tecnologia, financiamento, demanda e políticas públicas

A indústria da Ásia-Pacífico está entrando em uma nova etapa de transformação, na qual o principal desafio deixa de ser desenvolver tecnologias e passa a ser colocá-las em escala. A avaliação do Fórum Econômico Mundial aponta que soluções para reduzir emissões em setores industriais de difícil descarbonização já estão disponíveis, mas sua adoção depende da articulação entre demanda, financiamento, infraestrutura, padrões regulatórios e políticas públicas.

A mudança é especialmente relevante para a região, que responde por mais da metade do valor agregado da manufatura mundial e por mais da metade das emissões globais de gases de efeito estufa. A Ásia-Pacífico também reúne grande parte da capacidade industrial do planeta, além de demanda crescente, recursos renováveis e capacidades tecnológicas em expansão.

Seis principais movimentos

O novo cenário é marcado por seis movimentos principais. O primeiro é a aproximação entre competitividade industrial e descarbonização. A redução de emissões deixa de ser vista apenas como uma obrigação ambiental e passa a integrar decisões de investimentos, compras e comércio internacional. Nesse contexto, empresas e governos começam a associar tecnologias de baixo carbono à competitividade das exportações e à resiliência das cadeias produtivas.

Outro movimento é o fortalecimento de ecossistemas industriais regionais. Cadeias de setores como aço, minerais críticos, produtos químicos e combustíveis de baixo carbono atravessam diferentes países, aumentando a necessidade de coordenação entre produtores, fabricantes, empresas de logística, instituições financeiras e compradores.


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A criação de demanda também se tornou um dos principais desafios. Em setores de difícil descarbonização, empresas hesitam em investir sem compradores garantidos, enquanto compradores aguardam uma oferta confiável. Compras públicas, contratos de longo prazo e compromissos antecipados de mercado podem ajudar a reduzir essa incerteza e viabilizar investimentos.

A economia circular, por sua vez, começa a ser incorporada à própria estratégia industrial. O reaproveitamento de materiais passa a ser considerado uma ferramenta para reduzir riscos nas cadeias de suprimentos, enfrentar a volatilidade dos preços das matérias-primas e aumentar a competitividade.

Na Coreia do Sul, essa tendência ganhou força com o anúncio, em junho de 2026, de um programa voltado a empresas e áreas industriais de liderança em economia circular. Entre as 16 empresas participantes estão LG Electronics, POSCO e Hyundai Steel.

O quinto movimento envolve o financiamento da transformação industrial. Depois de uma década de recursos direcionados principalmente ao desenvolvimento e à demonstração de tecnologias de baixo carbono, o desafio agora é financiar os sistemas industriais que permitirão sua implantação em larga escala. Para isso, será necessária maior integração entre fundos públicos, bancos, instituições de desenvolvimento e investidores privados.

Por fim, a transformação dependerá de uma cooperação mais estreita entre governos e empresas. Enquanto governos precisam oferecer segurança regulatória e sinais claros de mercado, empresas devem ampliar a produção e a demanda, e instituições financeiras precisam mobilizar capital para os novos projetos.

Da tecnologia à escala

A avaliação é que a próxima geração de competitividade industrial será determinada menos pela capacidade de desenvolver tecnologias isoladas e mais pela capacidade de criar sistemas capazes de aplicá-las em escala.

Para a Ásia-Pacífico, isso significa integrar tecnologia, demanda, infraestrutura, financiamento, padrões e políticas públicas. As economias que conseguirem avançar nessa coordenação poderão fortalecer a segurança de recursos, aumentar a resiliência das cadeias produtivas e conquistar espaço nas futuras cadeias globais de valor.

*Imagem de capa: Depositphotos.com