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Kaja Flottorp | 14/09/2026
Notícias
Embora muitos detalhes sobre como o DPP funcionará na prática ainda sejam desconhecidos, seu potencial vai muito além de uma iniciativa voltada para a sustentabilidade
Lançado sob o Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR), espera-se que o DPP assuma a forma de um registro digital estruturado que forneça dados do ciclo de vida de cada produto em um formato padronizado. Os pontos de dados propostos incluem composição do material, pegada de carbono, reparabilidade e instruções sobre o fim da vida útil. No entanto, o escopo exato, o formato e os requisitos de implementação ainda estão em evolução.
Algumas organizações têm usado sua própria forma de DPP há algum tempo. Um exemplo pode ser encontrado no próprio Grupo Sandvik. O desenvolvimento do passaporte de bateria da Sandvik começou em 2023 na sua área comercial de mineração, onde foi criado um produto inicial viável e mínimo. Desde então, a iniciativa evoluiu em etapas, desde a definição da arquitetura básica do sistema até o desenvolvimento de uma solução expansível destinada a atender todas as divisões da Sandvik.
Além das baterias, esse desenvolvimento também está lançando as bases para uma implantação mais ampla do DPP em toda a empresa. Ao permitir a rastreabilidade de materiais de ponta a ponta, a solução apoia a obtenção responsável de matérias-primas críticas e melhora a precisão dos relatórios de pegada de carbono. Além disso, amplia as oportunidades de reutilização em outras aplicações e de reciclagem, tornando informações importantes, como o estado da bateria, sua composição e os requisitos de manuseio, mais acessíveis ao longo de todo o ciclo de vida útil do produto. Para a Sandvik, a iniciativa não é apenas uma medida de conformidade, mas também um impulsionador de maior transparência e modelos de negócios mais circulares.
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Em uma perspectiva mais ampla, espera-se que os DPPs reformulem a forma como os produtos são disponibilizados, vendidos e comercializados no mercado da UE. Embora muitos aspectos dessa estrutura ainda estejam sendo definidos, o caminho a ser seguido está cada vez mais claro. Enquanto a UE continua a refinar os detalhes regulatórios, as empresas já podem começar a se preparar investindo em rastreabilidade, infraestrutura de dados e transparência do ciclo de vida.
Embora já tenham começado a surgir cronogramas preliminares, ainda não há um calendário completo, confirmado e definitivo para a implementação dos requisitos do DPP. De acordo com o Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis da UE, o ferro e o aço como produtos intermediários foram identificados como categorias prioritárias, o que significa que provavelmente estarão entre os primeiros a ver regras mais detalhadas serem elaboradas.
As orientações atuais indicam que os atos delegados para ferro e aço poderão ser introduzidos a partir de 2026, com a exigência de conformidade possivelmente entrando em vigor a partir de 2027. Na documentação da proposta, a UE indicou que as possíveis categorias de dados para o aço poderão incluir identificação do produto e do fabricante, composição dos materiais e dados técnicos, dados ambientais e de circularidade, bem como informações sobre qualquer substância que possam representar riscos à saúde ou ao meio ambiente. No entanto, grande parte da direção atual ainda se baseia em estudos preparatórios e propostas preliminares que ainda estão sujeitas a refinamentos adicionais.
O que está ficando claro, no entanto, é o rumo geral desse processo. O ferro e o aço estão sendo priorizados devido ao seu efeito sobre o meio ambiente e ao papel central que desempenham nas cadeias de suprimentos da indústria, e espera-se que os primeiros requisitos se concentrem na eficiência energética e na transparência sobre os materiais usados. Diante desse cenário em constante evolução, neste momento, os fabricantes devem evitar basear seus planos em datas fixas. Em vez disso, eles devem identificar quais dados já estão disponíveis, como podem ser estruturados e quais informações ainda estão faltando.
No essencial, o DPP se apresenta como uma iniciativa de sustentabilidade. Embora seja verdade que o DPP contribuirá para tornar a remanufatura mais eficiente, facilitará a reutilização dos produtos em novas aplicações e melhorará os resultados da reciclagem, ele não deve ser visto como uma responsabilidade apenas dos gestores de sustentabilidade. Na prática, ele estará no ponto de encontro entre diversas áreas da empresa.
As equipes de compliance precisarão entender os tipos de dados necessários e perguntas sobre o que pode e deve ser compartilhado publicamente surgem. As equipes de TI precisarão avaliar como os sistemas existentes podem apoiar a estruturação, o armazenamento e a troca de dados. Além disso, as equipes de operações e de produtos terão um papel fundamental para garantir que dados precisos e consistentes sejam coletados na origem, enquanto as áreas de logística talvez precisem trabalhar mais de perto com os fornecedores para aumentar a transparência nas etapas anteriores da cadeia de suprimentos.
Em conjunto, o DPP é menos uma iniciativa única e mais uma mudança na forma como os dados de produtos são gerenciados, regulamentados e usados em toda a organização. Embora os requisitos exatos ainda estejam sendo definidos, as empresas que começarem a integrar essas áreas desde já mais bem preparadas para responder à medida que as regras se tornarem mais claras.
Para ajudar os fabricantes a se prepararem para os requisitos do DPP, a Sandvik Coromant está participando da colaboração Digital Metal Value Chain, coordenada pelo instituto de pesquisa industrial Swerim. Junto com parceiros em toda a cadeia de valor do aço, a iniciativa explora como dados de produtos, como composição do material, desempenho ambiental e cadeia de custódia, podem ser estruturados, compartilhados e aplicados na prática.
Como uma das empresas pioneiras nessa área, o foco não está em esperar pela regulamentação definitiva, mas em testar aplicações em situações reais, identificar quais dados ainda estão faltando e transformar os dados de produtos já disponíveis em valor para o negócio por meio de projetos-piloto práticos.
A iniciativa do DPP da UE tem um alcance abrangente que remodelará a forma como os fabricantes desenham, documentam e entregam produtos. Enquanto a indústria aguarda os detalhes mais específicos, é sensato começar a entender o que a rastreabilidade aprimorada significa para as cadeias de suprimento e como ela pode ser integrada às operações diárias. Ao estabelecer as bases agora, os fabricantes podem passar de uma conformidade reativa para a criação proativa de valor.
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Kaja Flottorp
Especialista em sustentabilidade na fornecedora de soluções de usinagem e manufatura Sandvik Coromant
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