Uma usina de biodiesel 100% nacional

Fonte: Energéticas (www.power.inf.br) - 08/03/07

Unidade inaugurada em SP tem tecnologia um terço mais barata que a estrangeira

Na esteira da visita do presidente dos Estados Unidos, George Bush, que veio conhecer a experiência do País em bionergia, empresários brasileiros lançaram a primeira usina de produção de biodiesel com tecnologia inteiramente nacional ontem, durante a Feira de Negócios de Bionergi (Feicana) em Araçatuba, interior de São Paulo. A usina é a única do país que possui um reator fabricado no Brasil com 100% de tecnologia nacional. O reator é o componente mais importante da usina, responsável pela fabricação do biodiesel. Em todas as outras usinas brasileiras, eles tiveram de ser importados, geralmente da Itália, Alemanha ou Canadá. A usina, que está instalada em Piracicaba, produz 2 mil litros/dia e pertence ao grupo Marchiori, autor da patente do reator.

Uma segunda usina deverá ser instalada pela Marchiori até o final deste mês na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), também em Piracicaba. A usina, que vai produzir 200 litros/dia, foi cedida para o Pólo Nacional de Bicombustível testar novas variedades de oleaginosas. Uma terceira usina, para a produção de 3 milhões de litros/ano de biodiesel a partir da soja e do sebo animal, será instalada e administrada pela Marchiori em Piracicaba.

A usina brasileira é mais barata, mais fácil de montar e elimina etapas no processo de produção em comparação com as estrangeiras. Ela custa cerca de um terço de uma usina importada. "Uma usina dessas para 25 mil litros/dia sai por R$ 15 milhões, enquanto uma estrangeira custaria em torno de R$ 50 milhões", explica Luiz Barbosa, diretor de Energia da Marchiori.

Segundo ele, a usina tem como matriz o etanol e o metanol e usa a soja ou o sebo animal como matéria-prima. "Ela é de fibra de vidro, montada em módulos, o que possibilita sua ampliação", diz. Segundo Barbosa, a usina brasileira tem a vantagem de livrar o proprietário das mãos de estrangeiros, que cobram royalties e pelo serviço de manutenção. "Um exemplo é que elas são de inox e aço de carbono e feitas para suportar temperaturas baixas, o que causa problemas com soldas, que se soltam com a alta temperatura no Brasil", diz. "O Brasil perde US$ 3,5 bilhões por ano com o pagamento de royalties", afirmou.

A Marchiori deverá construir outras 15 usinas até o final do ano com capacidade para produzir 40 milhões de litros/ano. O projeto vai movimentar R$ 200 milhões e beneficiar milhares de famílias pelo programa de agricultura familiar. Duas usinas serão montadas em assentamentos de reforma agrária, em Castilho e Pereira Barreto, interior de São Paulo. Os projetos para fornecimento de matéria-prima serão tocados por 450 famílias em Castilho e 350 em Pereira Barreto.

"Se há opção do presidente Bush pelo meio ambiente, a usina e biodiesel polui menos que o álcool e elimina a zero a emissão de enxofre", afirmou Barbosa. "É certo que o biodiesel acabará indo na esteira do álcool brasileiro", aposta.



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