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Samanta Luchini    |   11/12/2017   |   Desenvolvimento Humano   |  

A Tríplice Liderança

Para se exercer uma liderança de qualidade, num mundo cada vez mais complexo, é preciso desempenhar três papeis essenciais: o de gestor, o de educador e o de coach. Transitar adequadamente entre esses três papeis mediante as necessidades da equipe é um desafio para todos os líderes.


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Uma das lições mais exploradas no desenvolvimento da liderança é a famosa diferenciação do papel do líder, em relação ao papel do chefe, do gerente ou do gestor. Pode-se fazer isso pelo âmbito dos conceitos e teorias, cujo volume é maior a cada dia. Pode-se ilustrar a diferença pela esfera dos traços de personalidade, com o apoio de efetivas ferramentas da assessment (avaliação). Pode-se ainda, classificar esses papeis pela ótica dos comportamentos e atitudes, que com a ajuda de programas de treinamento, processos de coaching e bons planos de ação, podem vir a fazer parte do repertório diário e aprimorar o desempenho na função.

Esse tipo de abordagem parece configurar uma atuação que se exerce a partir de dois papéis. Um aplicado à realidade das “coisas”, que demandam ações e atitudes ligadas ao controle e ao gerenciamento, onde o verbo gerenciar fica em evidência. E outro destinado às “pessoas”, que demandam habilidades de relacionamento, inspiração, comunicação e empoderamento, onde o verbo liderar vem em primeiro lugar.

A imagem de um gestor qualificado e eficaz geralmente recai sobre aqueles que conseguem tomar consciência desta diferenciação e, consequentemente, atender a esses dois papeis de forma equilibrada. Não apenas gestor e nem apenas líder. O correto é usar o papel certo, na hora certa, pois ambos são necessários para o bom desempenho e para o desenvolvimento da equipe.

Apesar de toda relevância desses dois papeis, a realidade corporativa atual, e ainda mais no futuro próximo, afirma a necessidade de um papel adicional. Liderar num mundo em que a complexidade e a incerteza são maiores a cada dia, tem exigido novos conhecimentos, novas capacidades, novos modelos mentais e novos papeis.


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A ideia da tríplice liderança se traduz na combinação de três papeis essenciais, que se complementam e são exercidos mediante as diferentes situações do dia-a-dia e de uma realidade que vive em constante transformação: o papel de gestor, o papel de educador e o papel de coach.

No papel de gestor, além de cuidar das “coisas”, o líder deve concentrar seus esforços para esclarecer o quê deve ser feito. Dar a direção, definir metas e prioridades. Estabelecer procedimentos e planos de trabalho. Criar a melhor condição para que as pessoas executem seu trabalho da melhor forma, seja através do compartilhamento de informações, orientações e ferramentas. Facilitar as interfaces entre os diversos departamentos da empresa, para que o fluxo de informação seja contínuo e possibilite o bom desempenho das tarefas. Gerenciar processos e indicadores. Delegar as tarefas para a equipe, de forma estruturada e com métodos consistentes. Mensurar e acompanhar o desempenho da equipe de forma frequente e específica.

No papel de educador, o líder trabalha para esclarecer como deve ser feito. Para tanto, deve orientar, ensinar, capacitar e desenvolver a equipe. Transmitir e compartilhar seus conhecimentos. Fornecer os feedbacks positivos e corretivos, para reforçar e valorizar os comportamentos desejados e corrigir aqueles que ainda não estiverem de acordo com as expectativas. Trazer novas ideias, possibilidades e referências. Ajudar a equipe a ver o futuro de forma clara e realista, contribuindo para que ela esteja preparada quando este futuro chegar. Criar um ambiente que possibilite a aprendizagem constante e o aumento da maturidade da equipe. Fornecer os exemplos corretos. Assumir a responsabilidade pela formação de cada pessoa.

No papel de coach, o líder esclarece o porquê deve ser feito. Fazer as pessoas serem tudo o que elas são capazes de ser. Para tanto, precisa criar uma parceria de pensamento criativo e provocador, na qual as perguntas constituem a sua principal ferramenta. Oferecer desafios constantes, juntamente com o apoio necessário para que possam ser alcançados. Liberar o potencial das pessoas, ajudando-as a terem acesso ao seu melhor desempenho. Encorajar as pessoas na superação de seus próprios limites. Fortalecer a segurança e a confiança das pessoas, para que possam criar soluções por conta própria e tomar as decisões corretas. Fazer as pessoas a pensarem de forma diferente sobre si mesmas, sobre o trabalho, sobre a empresa e sobre o mundo. Mudar paradigmas obsoletos, substituindo-os por percepções mais acuradas da realidade. Desconstruir crenças limitantes e favorecer a configuração de crenças impulsionadoras. Tudo isso através de conversas francas, honestas e diretas.

O verdadeiro líder é aquele que consegue transitar entre esses três papéis, mediante a leitura diária que faz da sua equipe e da realidade na qual ela está inserida. Por isso é de fundamental importância estar próximo das pessoas e atento às suas necessidades. Praticar a observação e a escuta ativa pode ser um excelente caminho para atingir esse objetivo.

Dale Carnegie diz que “a melhor maneira de nos prepararmos para o futuro é concentrar toda a imaginação e entusiasmo na execução perfeita do trabalho de hoje.” Então, revise todos os conhecimentos e experiências acumulados na sua jornada como líder e faça o seu melhor.

Um grande abraço e até breve...

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Samanta Luchini

Mestre em Administração com Foco em Gestão e Inovação Organizacional, Especialista em Gestão de Pessoas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS e em Neurociência pela Unifesp.
Psicóloga pela Universidade Metodista de São Paulo.
Executive & Life Coach em nível Sênior, com formação internacional pelo ICI (Integrated Coaching Institute) em curso credenciado pela ICF (International Coach Federation).
Professora convidada dos programas de pós-graduação da FGV/Strong, Universidade Metodista e Senac, dos programas de MBA da Universidade São Marcos e Unimonte, e dos cursos FGV/Cademp, para a área de Gestão de Pessoas.
Professora conteudista do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos – UNIFEOB.
Formadora de consultores e treinadores comportamentais.
Atua há mais de 23 anos com Gestão de Pessoas em diversas empresas e segmentos, dentre elas Wickbold, Bridgestone, Bombril, Solar Coca-Cola, Porto Seguro, Grupo M. Dias Branco, Prensas Schuler, Arteb, Grupo Mardel, Tegma, Pertech, Sherwin-Williams, Grupo Sigla, Unilever, Engecorps, Nitro Química, Grupo Byogene, Netfarma, NTN do Brasil, TW Espumas, Ambev, Takeda, Pöyry Tecnologia,
Neogrid, Scania, Kemp, Ceva Saúde Animal, Embalagens Flexíveis Diadema, Sem Parar, CMOC, Camil e Toyota.
Em sua trajetória profissional e acadêmica, já desenvolveu mais de 27.000 pessoas, com uma média de avaliação superior a nota 9,0 em todos seus treinamentos.
Palestrante, consultora de empresas e autora de diversos artigos acadêmicos publicados em congressos e revistas.
Colunista da revista Manufatura em Foco – www.manufaturaemfoco.com.br


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