Cenário de pessimismo para Usiminas e CSN

Os papéis da Usiminas acumulam queda 17% só neste ano. No caso da CSN, o recuo em janeiro é de quase 5%

 

 Enquanto os analistas preveem recuperação para a maior parte dos setores na bolsa, as siderúrgicas continuam cercadas por pessimismo. Nas últimas semanas, diversas casas de análise divulgaram relatórios com previsões pouco animadoras para as fabricantes de aços planos, o que derrubou as ações de Usiminas e CSN. Os papéis da Usiminas acumulam queda 17% só neste ano. No caso da CSN, o recuo em janeiro é de quase 5%.
 
O banco HSBC estima um prejuízo de R$ 125 milhões para a Usiminas no quarto trimestre. Para o ano, a expectativa é que a companhia fique no vermelho em R$ 458 milhões.
 
Em 2013, especialistas esperam a continuidade de demanda fraca e de custos ainda pressionados. O aumento de imposto de importação, de 12% para 25%, que começou a valer em outubro, deve ter algum efeito positivo sobre a receita, mas não é solução para os problemas das siderúrgicas, afirma Karina Freitas, analista-chefe da Concórdia Corretora. "Os custos ainda estão elevados e as empresas devem ter dificuldade para aumentar preços", afirma.
 
Felipe Rocha, da corretora Omar Camargo, pondera que, se houve algum ponto positivo no segmento em 2012, foi por conta de incentivos do governo cortando impostos - o que não deve se repetir neste ano. "A redução de Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) na linha branca e em automóveis, que são grandes consumidores de aços planos, não vai acontecer em 2013."
 
Para o banco HSBC, uma rodada de aumentos de preços deve enfrentar resistência tanto da indústria quanto do governo brasileiro. "Quando o governo aumentou as tarifas de importação, declaramos que essa atitude poderia dificultar uma elevação dos preços do aço, pois o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo olharia de perto tais níveis", disseram os analistas Jonathan Brandt e Miguel Falcão em relatório.
 
Segundo eles, o consumo aparente de aço no Brasil deve avançar cerca de 5% neste ano, mas com viés favorável mais uma vez ao segmento de aços longos, voltados para construção civil, e no qual a Gerdau é líder, por conta da demanda de empreendimentos da Copa e da Olimpíada.
 
No segmento de aços planos, negócio da Usiminas e da CSN, o ano tende a ser um pouco melhor graças a alguma recuperação de mercado em cima dos importados. Mas, nesse sentido, é importante que as empresas fiquem atentas à política de preços para não voltar a perder espaço, alertam.
 
A recomendação do HSBC para as ações da CSN e da Usiminas é de "underweight" - exposição abaixo da média de mercado -, equivalente à venda. Recentemente, o banco BTG Pactual mudou sua recomendação para Usiminas, de "neutro" para "venda".
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