Governo do RJ determina auditoria na CSN

Foto: Divulgação

Novo vazamento de óleo foi registrado na tarde de quinta (6), segundo Inea

Depois de inspeção, na manhã esta sexta-feira (7), em vários setores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, incluindo a unidade de Carboquímicos, a secretária do Ambiente, Marilene Ramos, determinou que a empresa contrate imediatamente uma auditoria ambiental independente para as investigações sobre o vazamento que atingiu o rio Paraíba do Sul.

Segundo a assessoria do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a empresa será multada pelo primeiro vazamento, e pode ser condenada a pagar uma multa diária referente ao segundo acidente. O valor será estipulado pela Secretaria na próxima segunda-feira (10).

A secretária estava acompanhada do presidente do Inea, Luiz Firmino Martins Pereira. Eles disseram ter constatado falhas, sobretudo na malha hídrica e de drenagem da CSN, além de problemas nas barreiras de contenção. Na avaliação dos dois, a siderúrgica precisa rever os sistemas de controle.

“Essa inspeção reforça nossa tese de que a empresa ainda não tem controle sobre a situação”, criticou a secretária.

 

Parecer técnico
De acordo com parecer técnico, o material oleoso vazado da Usina Presidente Vargas da CSN apresenta características semelhantes às do primeiro vazamento, iniciado no domingo (03) e controlado na madrugada da última terça-feira (4). Ainda não foi avaliada a quantidade de produto derramado no rio.
Até o momento, como não há sinais de contaminação de mais gravidade, como mortandade de peixes, a captação de água do rio para fins de abastecimento não foi interrompida.

Marilene e Firmino foram recebidos também pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense. Eles solicitaram à diretoria e ao presidente da entidade, Renato Soares, ajuda na fiscalização da CSN.

Equipes do Inea permanecem de plantão dentro da empresa, acompanhando o trabalho de identificação das possíveis fontes.

 

CSN divulga nota oficial
Em nota oficial, a CSN informou que está elaborando um plano de interdição gradual. Segundo o documento, a companhia vai montar uma estratégia coordenada para viabilizar a interdição da Área de Carboquímico, conforme determinação dos órgãos ambientais do Estado do Rio de Janeiro. A produção na Usina Presidente Vargas (UPV) em Volta Redonda continua normal, pois a interdição de forma instantânea é inviável.

A nota afirma ainda que, em reunião com representantes da Secretaria Estadual do Ambiente e do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea), a CSN informou sobre a impossibilidade técnica de paralisação imediata da Área de Carboquímico e se comprometeu a apresentar um plano de ação que viabilize a redução das atividades de forma gradual.

De acordo com o documento, a empresa “reforça as suas ações para solucionar as causas do vazamento que atingiu o Rio Paraíba do Sul. A CSN já identificou a origem do vazamento e adotou as medidas necessárias para estancá-lo”.

A empresa ressalta que os resultados das primeiras análises feitas pelo Laboratório Analytical Solutions, no Rio de Janeiro, da qualidade da água do Rio Paraíba do Sul em pontos antes e depois da Usina Presidente Vargas mostram que não há alteração da qualidade da água e nenhuma concentração significativa de compostos orgânicos voláteis (VOC), compostos orgânicos semivoláteis (SVOC) e hidrocarboneto de petróleo total (TPH).

 

Novo vazamento
Após registrar um novo vazamento de óleo no Rio Paraíba do Sul, em Volta Redonda, na Região Sul Fluminense, a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, interditou, na noite desta quinta-feira (6), a Unidade Caborquímica da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O primeiro acidente aconteceu no domingo (3).

A CSN informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a nova mancha de óleo registrada nesta quinta-feira veio das barreiras de contenção, e não de um outro vazamento. Segundo a companhia, um novo cordão de isolamento foi instalado para evitar a propagação da substância.

 

Identificação
Na quarta-feira (5), uma equipe do Inea identificou a substância que vazou de uma tubulação da CSN no Rio Paraíba do Sul, durante o primeiro acidente. Segundo o Inea, técnicos detectaram a presença de benzo (a) pireno e benzo antraceno nas amostras de água.

Os testes foram realizados em vários pontos do Rio Paraíba do Sul. O material é proveniente da área de destilação do alcatrão, segundo o Inea. O setor pertence à Unidade Carboquímica da CSN.

Segundo os técnicos, somente na altura do emissário principal da usina, onde foram instaladas as barreiras de contenção, foram encontrados níveis de concentração desses produtos acima dos padrões exigidos.

Além do Rio Paraíba do Sul, técnicos também colheram amostras de água nos municípios vizinhos a Volta Redonda e no Rio Guandu.

Atitude 'lamentável', diz secretária
Na terça-feira (4), a secretária de estado do Ambiente, Marilene Ramos, disse que considerou “lamentável” o vazamento registrado em Volta Redonda.

A secretária disse que a empresa subestimou o acidente – o segundo registrado em 40 dias. De acordo com ela, a CSN só se pronunciou quase 48h após o vazamento ser registrado.

Marilene informou que foi a Volta Redonda participar da coleta de amostras. Ela ressaltou que a CSN será multada. O valor pode chegar a R$ 50 milhões.

A CSN informou, por meio de sua assessoria, que não vai se pronunciar sobre as declarações da secretária.


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