O que fazer quando trocam seu chefe?

Imagem: Portal Universia

Enfrentar uma transição de metodologia no trabalho já é algo que pode não ser tão fácil. Se a mudança de rotina vier agregada à troca de chefe, a dificuldade pode ser ainda maior.

A mudança de um chefe traz insegurança aos funcionários. É preciso que o empregado desenvolva uma boa relação com seu líder desde o primeiro momento. Para isso, é necessário usar o bom senso e lembrar de algumas atitudes a serem evitadas, como por exemplo, comparar as ações do novo supervisor com a do antigo. Quem afirma isso é a professora da área de psicologia da PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), Ana Elisa Pontes Villas, especializada em psicologia organizacional e do trabalho. Para ela, é válido que o funcionário pergunte ao novo chefe como será sua rotina de trabalho.

"Além disso, é preciso demonstrar pró-atividade, requisito exigido na maioria das empresas. Essa atitude ajudará o novo supervisor entender as demandas da organização. Não é aconselhável que o empregado espere", diz ela. Para que o desempenho do profissional não seja prejudicado na transição entre chefes, o empregado deve ter claro suas responsabilidades e os resultados que a empresa espera dele, erro cometido, por exemplo, por Vivian e seus colegas, que acabaram apegados às premiações criadas pela gestora. Premiações que foram extintas tão logo houve a substituição de chefes. "Dessa maneira ele terá realizado um bom trabalho e mostrará não depender do supervisor para desenvolver suas tarefas de maneira satisfatória", explica Ana Elisa.

Mas só isso não basta. É preciso também contornar a insegurança, sentimento comum durante as mais variadas mudanças ocorridas no meio organizacional. "Para driblar o medo do novo, não há fórmulas mágicas. É preciso que o funcionário esteja seguro de si e de que desenvolva um bom trabalho. Também é aconselhável que ele aprenda a lidar com as dificuldades, mas isso varia de acordo com as características de cada um", aconselha Ana Elisa.

A psicóloga Janice Janissek de Souza, que leciona no departamento de Administração da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) vai mais longe. Ela diz que é preciso saber lidar com a insegurança, pois o sentimento pode atrapalhar o desempenho do funcionário. "As pessoas precisam aprender a lidar com a situação e a resolvê-la. A atitude ainda pode ajudar na adaptação do novo supervisor. Toda mudança implica em perdas, mas é preciso lembrar que existem ganhos também", ressalta.

Atenção com os diferentes perfis de chefes

Como no caso de Vivian, novos chefes podem ter metodologias de trabalho diferente dos antigos. Por isso, a análise do perfil é importante. "Há chefes que são mais abertos. Nesse caso, é permitido que o funcionário tenha mais liberdade e o procure para questionar sobre a rotina da equipe e as decisões de mudança", garante a psicóloga Janice. No entanto, ela desaconselha o empregado a questionar o líder com perfil mais reservado. "Se o chefe é mais fechado, a melhor atitude é aguardar que ele convoque uma reunião para falar sobre como a equipe desempenhará seu papel. Profissionais com esse perfil não gostam de ser questionados. Eles preferem ter o controle da situação", declara ela.

A professora alerta ainda para que se deixem de lado as comparações. Janice lembra que de forma alguma é permitido que o funcionário comente sobre como o antigo chefe coordenava a equipe. Isso só vai estremecer as novas relações. "Mesmo que o supervisor fosse muito bem visto por seus subordinados, não há necessidade de mencionar as diferenças entre os líderes. Nessas situações, a adaptação do novo chefe é mais difícil porque ele encontra resistência na equipe, que terá expectativas por um profissional tão bom quanto o anterior", diz Janice.

Quando um chefe sai e há chances de seu cargo ser ocupado por um de seus antigos subordinados, o sentimento de injustiça dos empregados que não foram escolhidos pode atrapalhar o desenvolvimento da equipe. "Para que isso não ocorra, a empresa deve deixar claro antes mesmo de escolher o sucessor quais serão os critérios analisados para a seleção do novo chefe", defende Janice.

A professora de psicologia da PUC Minas, Ana Elisa, partilha da mesma opinião de Janice. "A competição é desagradável e por isso as organizações devem adotar uma comunicação transparente. Em muitas empresas, os superiores já treinam alguém para ocupar seu lugar para que não haja concorrência. Se isso não acontece, no entanto, o funcionário que não foi promovido precisa aprender a lidar com o novo chefe".

Na opinião de Ana Elisa, não é necessário que a amizade de antigos colegas de trabalho que estavam no mesmo patamar hierárquico seja extinta, mas é preciso entender que a relação de trabalho será modificada. "Quando vários profissionais se candidatam à vaga do supervisor, é preciso que a empresa prepare o escolhido para não deixar que a amizade interfira na relação entre chefe e subordinado. O funcionário que não foi escolhido deve aprender a respeitar o novo supervisor e não pode desconsiderar sua autoridade por ser um amigo", explica Ana Elisa.
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