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Catalisador desenvolvido pela Unicamp converte CO₂ em metanol com menor consumo de energia

Tecnologia baseada no mineral magadiita opera em temperaturas e pressões inferiores às dos processos convencionais e abre caminho para aplicações industriais na captura e valorização do dióxido de carbono

Pesquisadores do Grupo de Peneiras Moleculares, Micro e Mesoporosas do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma tecnologia que utiliza um catalisador à base do mineral magadiita para converter dióxido de carbono (CO₂) em metanol, metano e outros combustíveis sintéticos. A solução foi concebida para aumentar a eficiência da hidrogenação catalítica de CO₂, processo que combina dióxido de carbono e hidrogênio para produzir compostos de maior valor agregado.

A tecnologia foi desenvolvida no âmbito de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) financiado pela ExxonMobil e resultou em um pedido de patente em cotitularidade entre a empresa e a Unicamp. Segundo o Jornal Unicamp, o grupo de pesquisa foi o primeiro no Brasil a receber investimentos da petroleira por meio da Lei de Royalties.

O diferencial da solução está no suporte catalítico desenvolvido a partir da magadiita, um silicato de sódio encontrado na natureza. Após modificações químicas, o material passou a apresentar propriedades hidrofóbicas capazes de repelir a água gerada durante a reação química. Esse comportamento reduz a sinterização do cobre — fenômeno que compromete o desempenho dos catalisadores convencionais ao provocar a aglomeração das espécies ativas — e contribui para preservar sua eficiência ao longo da operação.

Além da maior estabilidade, o novo catalisador permitiu reduzir significativamente as condições operacionais do processo. Enquanto a produção industrial de metanol normalmente ocorre em torno de 270 °C e 50 bar de pressão, a tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores operou entre 180 °C e 200 °C, com pressões de 20 a 30 bar. Em testes contínuos de 50 horas, o desempenho permaneceu estável.


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Outro resultado observado foi a eliminação da necessidade da camada de alumina, tradicionalmente empregada como suporte em catalisadores desse tipo. De acordo com os pesquisadores, a melhor configuração obtida durante os experimentos dispensou completamente esse material.

Além de capturar o CO₂, a tecnologia transforma o gás em metanol, uma molécula considerada plataforma para a produção de diversos compostos químicos de maior valor agregado. Entre as aplicações apontadas pela equipe está a purificação do biogás, permitindo converter o dióxido de carbono presente na mistura em um insumo químico útil, em vez de simplesmente removê-lo.

Outra possibilidade mencionada pelos pesquisadores é o uso da tecnologia em instalações industriais que utilizam combustíveis fósseis. Nesse cenário, o sistema poderia ser acoplado às emissões para converter o CO₂ diretamente no local, contribuindo para processos industriais mais sustentáveis e para a valorização do carbono capturado.

A tecnologia ainda depende de licenciamento para chegar ao mercado. Segundo a Unicamp, o processo de transferência para empresas interessadas será conduzido pela Agência de Inovação Inova Unicamp, responsável por aproximar a pesquisa acadêmica do setor produtivo.

*Imagem de capa: Depositphotos.com