Notícias
Um estudo inédito da Fiesp aponta que o setor industrial brasileiro tem viabilidade técnica para cumprir o orçamento de carbono proposto pelo governo federal até 2035. No entanto, o documento alerta que a exequibilidade das metas pós-2035 depende de planejamento estratégico robusto para o desenvolvimento e escalonamento de tecnologias que hoje ainda não estão disponíveis ou economicamente viáveis em larga escala.
O relatório Trajetória de Emissões de GEE da Indústria Brasileira detalha dois cenários prospectivos para os setores de siderurgia, cimento, química, papel e celulose, vidro e alumínio.
Embora a indústria consiga se manter dentro orçamento de carbono do Plano Clima na próxima década, a divergência acentua-se drasticamente a partir de 2040. Para 2050, enquanto o governo sinaliza um orçamento entre 159 e 171 MtCO2e, o cenário condicionado da indústria projeta 252 MtCO2e.
Essa lacuna de quase 100 MtCO2e evidencia a dependência de tecnologias disruptivas que hoje estão em estágio inicial de desenvolvimento ou que não são economicamente viáveis no contexto brasileiro. Soluções como o hidrogênio verde, a captura e o armazenamento de carbono (CCS) e a eletrificação de processos térmicos de alta temperatura são citadas como cruciais, mas ainda distantes da realidade da maior parte do parque industrial.
O estudo, coordenado pelo Departamento de Meio Ambiente da Fiesp e realizado em parceria com a CNI e seis associações da indústria de base, traz recortes específicos sobre os setores energointensivos (indústrias cuja conta de energia é relevante nas despesas operacionais).
Para assegurar a competitividade e o protagonismo do Brasil na economia verde global, a Fiesp defende que a agenda de descarbonização esteja integrada à produtividade e à modernização regulatória.
Continua depois da publicidade |
O estudo destaca a necessidade de uma estratégia industrial climática de longo prazo, com previsibilidade regulatória e instrumentos capazes de estimular investimentos em tecnologias de baixo carbono, de modo a não impactar a competitividade da indústria nacional.
Adicionalmente, o estudo reforça que o cumprimento dos compromissos climáticos de longo prazo deve aproveitar as vantagens competitivas do Brasil. Diante de nossa biodiversidade e clima favoráveis, o potencial de remoções biogênicas via Soluções baseadas na Natureza (SbN) surge como um vetor estratégico para o abatimento de emissões industriais residuais, complementando a modernização tecnológica do setor.
"O Brasil tem uma oportunidade com sua matriz elétrica renovável, sua biodiversidade e seu potencial agrícola, mas a transição precisa ser coordenada com políticas industriais que garantam a soberania tecnológica e a segurança econômica do país", defende Fábio Brasiliano, diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp.
“Com planejamento e articulação institucional, a indústria brasileira pode converter os desafios climáticos em alavancas de crescimento, demonstrando que é possível promover a reindustrialização e o desenvolvimento sustentável de forma simultânea”, conclui o industrial.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
Gostou? Então compartilhe:
Faça seu login
Ainda não é cadastrado?
Cadastre-se como Pessoa física ou Empresa
