O sapo na panela

Wilson Sergio - instrutor técnico de usinagem.

Quem mexeu no meu torno? Baseada em Quem Mexeu no meu Queijo? De Spencer Johnson; fez uma referêcia ao seguinte procedimento experimental. Vamos ver o que significa?

Insumos: uma vasilha de metal (panela de alumínio), fósforos, bico de gás, uma cobaia (batráquio sapo), 3 a 4 litros de água, luvas.

1º Caso Procedimentos: Pegue o batráquio com luvas e coloque-o na panela, garanta que fique envolto no meio líquido despejando a água sobre o mesmo, e leve ao fogo brando. Observação e análise: A temperatura começa a subir lentamente, e 40, 50, 60 graus. O batráquio (sapo-cobaia) não reage. Parece estar bem. A temperatura continua a subir: 70, 80, 90 graus. A temperatura da água em ponto de ebulição e a cobaia continua inerte. Não se dá conta da ameaça. Até que alguns graus a mais... Fatalmente o sapo explode. Fim da experiência.

2º Caso Procedimentos: Coloque a água na panela e ferva a água até aproximadamente 100º C, pegue o batráquio com luvas e coloque-o na panela. Observação e análise: A temperatura começa estando a um ponto evidentemente mortal, provoca queimaduras na pele da cobaia provocando a dor, seu desespero o faz debater-se em busca da sua salvação. Até que num ímpeto repentino de salvar sua própria vida salta sem destino, mas pelo menos para fora da panela. Fim da experiência.

Conclusão: No 1º caso nota-se que a mudança gradativa da temperatura não ativa o mecanismo de sobrevivência do sapo, ao que parece que ele sente-se confortável com o ambiente em que está e não percebe o quão mortal torna-se a situação. No 2º caso nota-se que o choque témico é percebido devido à mudança brusca da temperatura ambiente, ativando os mecanismos de sobrevivêcia, provocando uma rápida reação. O sapo não possui mecanismos para detectar ameaças devido a mudanças graduais no ambiente, somente quando as mudanças são bruscas é que toma alguma iniciativa quanto à sobreviver. Ambas as situações consomem sua energia.

No primeiro caso o que ocorre é que o sapo não toma nenhuma medida para sair da água fervente porque o ambiente se altera e ele fica em posição confortável, e a água lhe consome as energias, e quando quer sair dali não possui forças para tanto. Mas se situação for inversa, se você colocar o sapo em uma panela com a água já fervente, ele fará o impossível para sair logo dali e livrar-se da morte eminente. Esta parábola pode ser analisada somente assim: Biologicamente.

Mas e no mundo dos negócios, do trabalho e da convivência social? É fácil ver amigos, colegas de trabalho, parentes e empresas, permanecerem imóveis quando a situação e cômoda, confortável ou estável. As pessoas só fazem as coisas por dois motivos: SENTIR PRAZER ou EVITAR A DOR.

Isso deve estar constantemente na mente das pessoas. A falta de iniciativa em aceitar o novo ou a falta de vontade em aceitar e promover mudanças ou dar continuidade a elas. O comodismo que algumas pessoas tem, principalmente quando elas não percebem a mudança do cenário à sua volta, e somente um choque térmico a fará acordar para a mudanca que se instalou, então desesperada ela parte a busca de soluções imediatas para os problemas que estão ocorrendo, e o resultado é sempre a tomada de decisões precipitadas, muitas vezes erradas e que aumentam significativamente os prejuízos.

Foi exatamente o que aconteceu com a indústria têxtil em 1990 na era Collor, o mercado nacional era protegido por suas políticas de importação. Com o advento da globalização e consequente abertura de mercado, os produtos estrangeiros vieram para ganhar a batalha e derrubar os acomodados de plantão. Sorte: preparação mais oportunidade. O mesmo ocorreu com o apagão em 2001. Sempre se soube que os recursos hídricos iriam escassear ou devido aos impactos ambientais da poluição e o efeito El Nino, a falta de chuvas provocaria a redução dos níveis dos rios que abastecem as hidrelétricas fazendo com que estratégias emergenciais, como os racionamentos de energia, fossem adotadas. Então foi aquela situação de apagar o incêndio que surge de repente, e muitas vezes não estamos preparados para enfrentarmos a situação sinistra. Resultado principal do comodismo e falta de prevenção e preparação para a mudança. 
 
Para o moral da história: O que influencia o surgimento, o desaparecimento e as mudanças das ocupações profissionais? As novas formas de organização e gestão do trabalho estão modificando estruturalmente o mundo do trabalho. Os impactos das novas tecnologias revelaram a exigência de profissionais polivalentes. Capazes de interagir em situações novas e em constante mutação. Ao saber fazer e à destreza manual, devem ser agregadas novas competências correlacionadas como a inovação, a criatividade, o trabalho em equipe e a autonomia na tomada de decisões, mediadas por novas tecnologias colocadas à disposição dos trabalhadores e das empresas. A estrutura rígida das ocupações altera-se profundamente.

Equipamentos e instalações complexas e as ferramentas atuais, requerem trabalhadores com níveis de educação e qualificação cada vez mais elevados. (ÁGUIAS DA PRODUTIVIDADE) “Os profissionais do futuro são formados com as ferramentas do futuro” (ISCAR) As mudanças aceleradas no sistema produtivo passam a exigir uma permanente atualização das qualificações e das habilitações profissionais existentes e a identificação de novos perfis profissionais e novos itinerários de profissionalização e especialização. Por isso é que o profissional de usinagem precisa constantemente passar por treinamentos que o capacitem a selecionar, aplicar e manusear corretamente as ferramentas de corte e máquinas-ferramenta.

 Pois o que se tem observado é que as ocupações profissionais surgem, transformam-se ou desaparecem. E exige-se somente uma produção horária ou a conclusão de uma peça. Não de um trabalho realmente baseado em competências. E profissionais, empresários e educadores que não estiverem atentos a essa realidade irão chorar como aquele grande especialista em telex que recebeu sua carta de demissão por fax Sem falar do e-mail... É o sapo na panela... ...Outra vez!

PS: ATÉ AS ÁGUIAS PRECISAM DE UM EMPURRÃO! 

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