Logogrupocimm-fundoescuro
Medium_claudio-grossi-selo
Cláudio Grossi    |   04/02/2026   |   Porque cada movimento importa   |  

Tríplice barreira amplia a confiabilidade dos rolamentos utilizados nos tambores de correias transportadoras

Exclusiva

Submetidos a cargas elevadas, ambiente abrasivo, lama e lavagens de alta pressão, eles operam em um dos ambientes mais hostis da indústria pesada

Em setores como mineração, cimento e agregados, a disponibilidade das correiras transportadoras é um dos principais indicadores de eficiência operacional. Submetidos a cargas elevadas, ambiente abrasivo, lama e lavagens de alta pressão, os tambores das correias transportadoras operam em um dos ambientes mais hostis da indústria pesada. Não por acaso, levantamentos de campo indicam que, em oito de cada dez plantas de mineração, a disponibilidade das esteiras permanece abaixo de 87%, em grande parte devido a falhas prematuras nos rolamentos.

Para enfrentar essas condições severas, soluções baseadas no conceito de tríplice barreira vêm ganhando espaço. A proposta técnica é simples na concepção, mas sofisticada na execução: criar três níveis independentes e complementares de proteção para impedir a entrada de contaminantes e a perda de lubrificante — duas das principais causas de falha prematura em rolamentos aplicados em tambores das correias transportadoras.

Os resultados operacionais são expressivos. Em comparação com rolamentos abertos convencionais, sistemas com tríplice barreira apresentam vida útil média até três vezes maior. Na prática, isso se traduz em menos quebras, maior previsibilidade de manutenção e disponibilidade das correias transportadoras que pode chegar a 92%, permitindo que a substituição de componentes seja incorporada a paradas planejadas, e não mais tratada como evento emergencial.

Do ponto de vista técnico, a solução se apoia em três elementos-chave. A primeira barreira é uma caixa de mancal projetada especificamente para ambientes severos, equipada com vedações de contato robustas, capazes de resistir à abrasão e à ação direta de água sob pressão. A segunda barreira é a graxa aplicada na cavidade do mancal, que atua como uma barreira adicional contra contaminantes e contribui para a eficiência da lubrificação, inclusive com opções de formulações biodegradáveis. A terceira barreira é o rolamento autocompensador de rolos vedado, projetado para suportar desalinhamentos, cargas elevadas e contaminação sem comprometer o desempenho.


Continua depois da publicidade


Avanços recentes em materiais e processos metalúrgicos também desempenham papel central. A combinação de aços de alta qualidade com tratamentos térmicos aprimorados proporciona um equilíbrio superior entre dureza e resistência mecânica, permitindo, em muitos casos, dobrar a vida útil do rolamento em comparação com projetos anteriores.

Outro benefício relevante está na redução das rotinas de lubrificação. Enquanto sistemas tradicionais exigem intervenções semanais, a solução de tríplice barreira permite espaçar a lubrificação para intervalos bem maiores, calculados para cada aplicação. Isso representa uma economia de até 90% em tempo e custos associados ao uso de graxa — podendo chegar a reduções ainda mais significativas — além de diminuir substancialmente a exposição dos trabalhadores a atividades de manutenção em áreas críticas.

Ao integrar engenharia de vedação, lubrificação e rolamentos de alto desempenho, a solução de tríplice barreira deixa de ser apenas uma melhoria incremental e passa a atuar como um vetor estratégico de confiabilidade. Em operações onde cada parada impacta diretamente o resultado, investir em sistemas que elevam a previsibilidade, reduzem falhas e aumentam a segurança torna-se um diferencial competitivo cada vez mais claro e necessário para os negócios.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.
Claudio-grossi-selo

Cláudio Grossi

Engenheiro Mecânico e Master Business Administration em Gestão de Negócios | Atua há 29 anos no segmento de rolamentos em clientes industriais e automotivos | Atualmente Coordenador de Engenharia de Aplicação na SKF do Brasil