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  |   28/07/2020   |   Marketing e Comportamento   |  

Consumo: As lições da Covid-19

A Covid está causando uma revolução astronômica na vida de todo mundo, mas algumas lições estão sendo aprendidas.

A pandemia causada pela Covid está consumindo a energia, o astral e a segurança de todo mundo. Como é um evento de proporções astronômicas, as consequências  só serão medidas e avaliadas corretamente através da história. Estamos perdendo interações, vantagem competitiva, aprendizado, empregos, oportunidades, a vida está no modo  pause e estas perdas afetam a saúde emocional, física e financeira de todo mundo. Vamos pagar esta conta no futuro, a história dirá quanto e como. O #fiqueemcasa é uma medida de segurança, mas depois de tanto tempo, é um instrução difícil de cumprir com serenidade, é um fardo!

Por outro lado, justamente por ficarmos em casa, estamos criamos hábitos diferentes:  o comércio eletrônico explodiu; os serviços de delivery nunca trabalharam tanto;  aprendemos a comprar de outros fornecedores privilegiando o comércio do bairro, fizemos refeições mais saudáveis – leia-se cozinhamos mais; nos tornamos mais conscientes e conservadores com nossos gastos –  até flertamos com o minimalismo; reciclamos mais  e durante esta jornada de isolamento,  conhecemos melhor nossos vizinhos e vivenciamos 24 horas  a dinâmica familiar – com vantagens e desvantagens, como tudo nesta vida, de toda a forma, foram muitas lições aprendidas


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Neste contexto,  as mulheres desempenham um papel estratégico e exaustivo – gerenciam sua “home” como se fosse um “office” com toda a estrutura necessária, cuidando da agenda familiar, das crianças e seus deveres, do marido, da saúde e do bem-estar de todo mundo na casa. Pesquisa do IBGE em 2018 já constatava que as mulheres dedicam 73% a mais do seu tempo com os afazares domésticos do que os homens. Ser multitarefa às vezes é um carma.

As mulheres são responsáveis por mais de 80% das compras do lar, e esta proporção deve ter aumentado durante o pandemia, mas o que estamos consumindo e como isto vai repercutir após o final deste ciclo?

Alex Kirk, Diretora de Marketing B2B da Baazar Voice, consultoria americana que produz conteúdo e pesquisas sobre o comportamento do consumidor, afirma que pesquisa realizada entre 5.000 mulheres usuárias da plataforma Influenster, detectou os seguintes dados

  • Os impactos sociais da quarentena são mais estressantes do que o vírus em si;
  • Perguntadas sobre suas emoções neste momento, as palavras mais citadas em ordem de importância são: entediada, estressada, bem, assustada, preocupada, ok e triste, sendo que a palavra “estressada” aparece três vezes mais do que qualquer outra;
  • 79% afirmaram que  seus hábitos de compra mudaram em função da pandemia. Antes suas prioridades em relação a compra de um produto seguiam o padrão Qualidade, Preço,  Marca. Agora estas prioridades mudaram para Disponibilidade, Preço, Qualidade.
  • Quanto à compra de produtos com o selo “verde”,  mais naturais e preocupadas com o meio ambiente, 1/3 das pesquisadas  continuam comprando produtos nesta categoria,  43% priorizam compras desta categoria para alguns produtos e 26% mudaram suas prioridades em função da pandemia.

O que estamos aprendendo, na minha opinião

  1. A ser mais digitais para utilizar os benefícios do e-commerce, serviços online, delivery, transporte, conveniência;
  2. Trocar reuniões por ferramentas de comunicação online, em função da restrição de saídas;
  3. A ser mais conscientes com relação aos gastos, com uma maior preocupação com relação ao futuro, ser mais atentos ao orçamento doméstico, comprando mais itens essenciais, e mais preocupados com durabilidade ou data de vencimento do produto, no caso de alimentos;
  4. Auto-conhecimento. A pandemia tem mostrado que os mais introvertidos têm sofrido menos com o isolamento. Os mais extrovertidos têm sentido os efeitos de forma impactante;
  5. Otimizar o tempo nas saídas para que tudo possa ser feito de forma rápida e segura;
  6. Ser mais preocupados com o problema da contaminação. Os hábitos de higienização de roupas, sapatos e itens alimentícios deverão ser mantidos pós-pandemia. Máscaras e álcool gel farão parte do nossa lista de compras por algum tempo;
  7. Ser mais seletivos em relação a eventos que provoquem aglomerações. Após tanta informação sobre os perigos de encontros com muitas pessoas, espaços menores e que permitam um distanciamento maior entre os clientes terão prioridade sobre aqueles que voltarem a ser exatamente como eram;
  8. Manter um contato virtual com família e amigos é uma rotina que tem funcionado bem e que deve se manter com mais frequência, reduzindo encontros entre grandes grupos;
  9. Ter mais consultas de forma virtual, porque é prático para o paciente e para o profissional, não apresentando muitas perdas no conteúdo. Outros serviços com aulas, terapia, cursos também poderão ser feitos online, reduzindo a necessidade de sair e se expor ao vírus. Alguns hábitos vão perdurar, porque afinal de contas, a tecnologia tem se mostrado extremamente útil neste momento.
  10. Ser mais preocupados com o o outro. A pandemia nos fez ver que nossa saúde é importante, bem como o daqueles que circulam ao nosso redor. A  gestão da saúde na pandemia é um problema público, não individual.

Que possamos sair desta pandemia saudáveis, fortalecidos  e felizes, e que as lições aprendidas superem os impactos emocionais!

Abraços

Gladis

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Gladis

Gladis Costa é profissional da área de Comunicação e Marketing, com vivência em empresas globais de TI. É fundadora do maior grupo de Mulheres de Negócios do LinkedIn Brasil, que conta com mais de 6200 profissionais. Escreve regularmente sobre gestão, consumo, comportamento e marketing. É formada em Letras, e tem pós graduação em Jornalismo, Comunicação Social e MBA pela PUC São Paulo. É autora do livro "O Homem que Entendia as Mulheres", publicado pela All Print.


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