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  |   02/03/2020   |   Projeto Descomplicado   |  

Desativar também faz parte do projeto

Se tem uma coisa que tanto o PLM quanto o framework de systems engineering têm em comum é a forma de planejar a desativação de um produto.
O Systems engineering planeja as seguintes etapas de desenvolvimento de produto:

  • Pré-aquisição;
  • Aquisição;
  • Uso;
  • Desativação.

Com a metodologia aplicada da maneira correta, o produto nasce já com o planejamento de como ele será desativado.

Logística Reversa

Hoje escutamos muito falar da logística, mas a logística reversa está, também, se tornando uma pauta comum. Esta é definida como o processo de recolhimento do produto quando este sai do uso de circulação e tem que voltar para o fabricante. Pensar na logística reversa é uma das etapas do desenvolvimento de um produto e não deve ser negligenciada. 

Este vídeo explica de forma detalhada o conceito de logística reversa, entenda: 

Alguns dos setores que já aplicam essa prática, hoje, são os:

  • Fabricantes de lâmpadas;
  • Indústria farmacêutica;
  • Fabricantes de bebidas e reaproveitamento do casco para envase;
  • Alguns fabricantes de componentes eletrônicos.

Produto com múltiplas funções

A logística reversa pode, e deve, ser pensada para todos os setores. Além do recolhimento pela fábrica, esta prática pode ser pensada a partir do desenvolvimento de um produto que possa ser reutilizado de forma diferente da sua atividade fim após o uso principal. Dessa forma, o consumidor consegue dar um novo destino a mercadoria, evitando os custos de reenviá-la ao fabricante.

Um exercício proposto quando fiz o curso de systems engineering na universidade de Camberra, envolvia pensar na construção de uma casa e em como nos livrarmos dela após o seu uso. Para tal precisamos imaginar dois cenários em que, obviamente, o consumidor pudesse reaproveitar o produto de uma nova forma - e não devolver para o fabricante:

  • Tornar a casa atrativa a outro proprietário;
  • Limpar o terreno para outra aplicação.

Se for escolhida a segunda alternativa, alguns outros pontos devem ser levados em consideração, como:

  • Acesso a máquinas de limpeza;
  • Materiais facilmente descartáveis.

Outro exercício consistia em pensar em como transformar um telhado coberto para carro em uma garagem com cozinha para churrascos. Tudo envolvia planejar o pátio com esperas de elétrica e hidráulica para uma mudança que poderia ocorrer na casa anos depois da construção original.

Cases de sucesso

Voltando ao Brasil e a aplicação que já existe hoje da logística reversa pensando na reutilização como estratégia principal, um exemplo de produto simples, que apresenta múltiplas aplicações da sua embalagem e  de logística reversa,  é a carteira da Dobra.

Veja exemplos de como sua embalagem pode ser reutilizada, pensando para além da sua função fim. 

A logística reversa, nesse caso, é executada por meio da reciclagem, tanto da embalagem quanto dos produtos da marca em si. Dessa forma, após o seu uso principal, a mercadoria pode ganhar um novo fim, sem necessariamente, interferência da empresa. 

Veja como é executada essa estratégia:

O produto é pequeno e com poucos tipos de material, mas o processo de desativação e retirada dele do mercado se torna totalmente aplicado.

PLM suportando o processo

Ao passo que a systems engineering pensa no descontinuamento de um produto a partir, principalmente, da logística reversa,  um PLM deve suportar o processo de descomissionamento da seguinte forma:

  • Gerindo materiais;
  • Controlando números de série.

Neste caso, algumas plataformas podem ajudar no processo. Abaixo um vídeo onde o processo de aplicação de controle de materiais é feito com a Plataforma 3DEXPERIENCE

O importante, para um PLM, é analisar a aplicação do processo de gestão de produto além dos dados de desenvolvimento de engenharia. Com isso, muitas ferramentas de apoio ao projeto podem cobrir todo o planejamento do produto, inclusive, quando este é descontinuado ou quando seu uso chega ao fim.

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Guilherme Alfredo Kastner

Técnico de aplicações da SKA Automação de Engenharias desde setembro de 2004. Trabalhou com diversas Soluções Autodesk, SolidWorks. Nos últimos anos o trabalho tem sido focado na melhoria da comunicação das engenharias com os seus clientes dentro das corporações como a fábrica, administrativo e outros setores.


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