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  |   05/07/2016   |   Gestão de custos industriais   |  

Os grandes vilões dos custos: o setup de máquinas

Na primeira coluna da série sobre os grandes vilões que aumentam os Custos das Empresas, iremos abordar os tempos de Setup de Máquinas

Dentre os diferentes feedbacks que recebemos a respeito das colunas sobre engenharia de custos em empresas, grande parte das questões dizem respeito à algumas situações que são recorrentes em diversos tipos de empresas. Por conta disto, resolvemos criar uma série que irá abordar estes que chamamos de os grandes vilões dos custos nas pequenas e médias empresas.

Para iniciar esta série escolhemos analisar o tempo de setup de máquinas. Conforme identificamos anteriormente, a espera é uma das sete diferentes formas de desperdício em um processo produtivo. A espera é representada pela ociosidade de pessoas e máquinas, e é um tipo de desperdício pouco medido, sendo muitas vezes ignorado. O nosso grande vilão, o tempo de setup de máquinas, muitas vezes nem é visto como desperdício e é um tempo considerado intrínseco à produção de determinado produto.

Ao contrário de grandes empresas, que, devido ao seu ritmo de produção, podem dispor de máquinas dedicadas à produção de um único produto ou peça, em pequenas e médias empresas, devido ao porte do negócio, os investimentos em máquinas requerem equipamentos capazes de produzir diferentes produtos do portfólio da empresa. Sendo assim, o tempo necessário para realizar o setup das máquinas, ou seja, ajustar o equipamento para que possa produzir um produto diferente, deve ser considerado como um tempo ocioso da máquina, e, portanto, um desperdício.

Tempos de setup não podem ser considerados tempos produtivos, e incluídos no custo do produto. Entendendo este tempo de setup como um desperdício, que reduz a produtividade da empresa e por consequência diminui o lucro recebido pelos sócios, o primeiro passo é quantificar este desperdício, através da medição dos tempos utilizados no setup dos diferentes produtos fabricados pela empresa.

A partir desta medição, algumas opções surgem para o gestor do negócio:

  • Melhorar o planejamento e controle da produção: a solução mais acessível dentre as possíveis, pois, uma vez conhecendo-se o tamanho do desperdício, é possível, através de um adequado planejamento de produção, sequenciar os lotes de produtos de modo à minimizar a necessidade de paradas para trocas. Diminuindo-se a necessidade de trocas, diminui-se os desperdícios. Esta solução, por sua simples aplicação é a primeira opção que deve ser considerada.
  • Aplicar técnicas de redução de tempos de setup: A partir do momento que se identifica que as trocas de setup são inevitáveis é hora de se buscar identificar formas de reduzir o tempo destinado à esta atividade. Na literatura técnica existem diversas técnicas de redução de tempos de setup, sendo que a mais conhecida entre elas é a técnica do SMED, desenvolvida por Shigeo Shingo, que consiste em identificar as atividades que podem ser executadas antes da parada da máquina e aquelas que só podem ser feitas com o equipamento parado. Otimizando-se estas duas etapas, obtém-se um setup de máquina ótimo. Apesar de apresentar ótimos resultados após sua aplicação, esta metodologia precisa ser aplicada para cada tipo de setup, e para cada diferente máquina.
  • Investir em equipamentos exclusivos para certos produtos: Conhecendo-se a demanda e a capacidade produtiva dos equipamentos, é possível, como última opção, analisar a viabilidade de se investir em equipamentos específicos para determinados produtos, que eliminem as paradas para setup.

Tendo em vista as opções apresentadas, conclui-se que, para otimizar-se os processos de setup é preciso que a tomada de decisão seja baseada em informações.

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Caio Uribbe Castro

Engenheiro Mecânico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atuou com Gestão de Processos no setor aeronáutico e, atualmente, trabalha focado em Processos de Melhoria de Gestão na empresa Valor & Foco.


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