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  |   15/11/2015   |   Gestão de custos industriais   |  

Identificando os desperdícios

Quais são os principais desperdícios dentro das empresas? A importância de se identificá-los e mensurá-los.

Na última coluna vimos que a empresa moderna, para se manter competitiva em um mercado acirrado, precisa olhar para si mesma e modernizar seus processos de gestão. É preciso trabalhar com foco em reduzir as atividades que não agregam valor, o trabalho improdutivo, e as perdas decorrentes do processo produtivo, de forma sistemática e contínua.

O primeiro passo para isso é identificar e eliminar os desperdícios. Mas quais são esses desperdícios?

Uma forma de definir o desperdício é tudo aquilo que não agrega valor ao que será fornecido ao cliente.

Ou seja: o ponto de vista relevante aqui é o do consumidor. E é, portanto, sob esta ótica que deve ser feita a análise das atividades da empresa. É preciso concentrar-se em fazer o produto (ou serviço) valer mais do que ele valia antes, para quem irá comprá-lo. Assim sendo, todas as atividades e processos que não tem este objetivo devem ser eliminados.

A literatura classifica os desperdícios de um sistema produtivo em sete tipos principais:

Defeitos: O desperdício mais fácil de ser identificado consiste na produção de itens fora das especificações. É um desperdício que pode gerar descontentamento dos clientes e danos à imagem da empresa. Suas principais causas são: falta de controle dos processos e mão de obra não qualificada.

Superprodução: Um desperdício considerado extremamente importante. Produzir além da demanda é grave. As consequências podem gerar muito estoque até eventual descarte de produtos. Suas principais causas são: desequilíbrio na linha de produção e planejamento de produção deficiente.

Estoque: Tanto pode ser de matérias primas e insumos, quanto de itens acabados ou semi acabados, fato é que: quanto maiores os estoques, maior o desperdício de dinheiro, de espaço, de pessoal. Para a empresa moderna é primordial a busca contínua da minimização de seus estoques. As principais causas deste desperdício são: desequilíbrio na linha de produção e falta de um planejamento de compras.

Espera: A ociosidade da mão de obra e dos equipamentos é outra grande fonte de desperdícios nas empresas. Sejam os 5 minutos em que as pessoas ficam esperando alguém atrasado para uma reunião, ou os 15 minutinhos que alguém leva para “setar” uma máquina, fato é que estão se consumindo recursos da empresa que deveriam estar produzindo. Este desperdício ocorre principalmente por falta de planejamento e balanceamento na produção.

Transporte: Quanto mais um produto ou material “passeia” pelas diversas áreas da empresa, maior o desperdício. Para o cliente isto não agrega nenhum valor. A principal causa deste desperdício é um layout produtivo ruim e desorganizado.

Movimento: Assim como os materiais e produtos, quanto mais os colaboradores se movimentam para achar uma ferramenta, levantar uma peça ou buscar alguma coisa no estoque, maior é o desperdício. Da mesma forma, a principal causa deste desperdício é um layout ruim e ambiente de trabalho desorganizado.

Processamento: Quem precisa de um carro com dois estepes, se existem borracharias em todos os cantos? Tudo aquilo que se faz a mais em um produto ou serviço que não apresenta valor para o cliente, é desperdício. As principais causas do processamento excessivo dizem respeito a uma análise inadequada do valor do produto e a um projeto com refinamento excessivo.

Agora que sabemos quais são os desperdícios e suas principais causas, é preciso identificá-los dentro de nossa empresa. Uma vez que não se pode eliminar o que não se vê torna-se imprescindível para uma empresa moderna ter ciência dos seus desperdícios e identificar as responsabilidades. É também essencial que os desperdícios sejam medidos e quantificados, para que nunca sejam considerados pequenos demais.

Finalmente, é preciso conscientizar todos sobre a necessidade de combatê-los de forma sistemática visando a eliminação do desperdício tanto nos processos produtivos quanto administrativos.

Através da sistematização do combate ao desperdício será possível para a empresa obter um aumento constante de sua eficiência. É um dos primeiros passos na busca pela excelência de gestão, o que irá lhe permitir tornar-se mais competitiva e crescer no mercado.

Os próximos passos desta busca? Bom, isto é assunto para as próximas colunas!

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Caio Uribbe Castro

Engenheiro Mecânico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atuou com Gestão de Processos no setor aeronáutico e, atualmente, trabalha focado em Processos de Melhoria de Gestão na empresa Valor & Foco.


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