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  |   01/10/2015   |   Gestão de custos industriais   |  

Com café ou sem café?

A importância de fazer a gestão de custos de forma inteligente.

Quando fui convidado a escrever esta coluna sobre Gestão de Custos soube que deveria começar com a história do cafezinho. Trata-se de uma anedota clássica entre as pessoas que estudam e trabalham com melhorias na gestão de empresas: uma empresa que, na necessidade de enxugar os seus custos, começa cortando o clássico cafezinho dos seus funcionários. Sempre considerei esta história uma lenda urbana, pois não conhecia ninguém que havia vivenciado tal experiência. Até que aconteceu comigo, em uma empresa na qual nossa equipe estava iniciando um trabalho de Gestão de Custos.

Seguindo o provérbio, "conto o milagre, mas não revelo o nome do santo", porém é importante entender a conjuntura: empresa grande, comparada com suas concorrentes na região; situação econômica desfavorável; momento de baixa nas vendas. Seguindo a decisão da diretoria, iniciou-se um processo de corte de despesas. Um dos gestores da empresa, ao se deparar com uma fatura da prestadora de serviços de refeições e café, achou que havia ali uma oportunidade de redução de custos e cancelou o serviço de cafezinho dos funcionários (além de negociar uma redução do padrão das refeições).

Tal posicionamento dos gestores caiu como uma bomba junto aos colaboradores. Mas infelizmente, a baixa na moral dos colaboradores não foi a única consequência desta decisão.

No setor administrativo, a equipe se organizou: providenciaram uma máquina de café antiga encostada na casa de um, criaram um revezamento para a compra do pó de café, açúcar e adoçante, e continuaram tomando seu cafezinho diário. Certa manhã, acabou o café e um jovem colaborador foi incumbido de ir às compras na hora do almoço. Ele era jovem, porém muito experiente, visto que havia começado no chão de fábrica e vinha trilhando uma carreira promissora dentro da empresa. Na mercearia, acabou encontrando com o dono de uma empresa concorrente, e como todos naquele setor se conheciam, começaram a conversar. Conversa vai, conversa vem, acabou recebendo (e aceitando!) uma proposta de emprego com um salário mais atrativo e com café garantido. E lá se foi uma verdadeira prata da casa.

Na produção o corte do cafezinho também trouxe consequências. O pessoal do chão de fábrica, apesar de muito unido, não conseguiu se organizar para manter o cafezinho na copa. Porém, naquele ano, o futebol da cidade estava fazendo uma ótima campanha no Campeonato Brasileiro e na Libertadores. Todo domingo e quarta o churrasco que organizavam era garantido, regados a futebol, samba e aquela cervejinha gelada. E, consequentemente, as segundas e quintas, sem aquela xícara de cafezinho salvadora pós-festa, os problemas de qualidade na linha de produção começaram a aparecer. A equipe de Gestão de Custos analisou os dados e demonstrou que o aumento de gastos com perdas e retrabalho na produção apenas nestes dias superavam (e muito) o valor economizado com a redução do custo do café.

Quando conto esta história muitos acham que a mesma parece fantasiosa. Não é! Aconteceu mesmo. Confesso que adoto certa licença poética na narrativa para torná-la mais interessante para o interlocutor, pois considero este um ótimo exemplo para mostrar a importância de como uma empresa deve sempre ter indicadores claros para, em um momento de baixa demanda, poder rever sua política de preços de modo a atrair mais clientes e identificar aonde e como os custos podem ser reduzidos sem gerar impactos negativos.

Mas você deve estar se perguntando: como fazer isso?

Bom, isto é assunto para as próximas colunas!

Até lá, aceita um cafezinho?

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Caio Uribbe Castro

Engenheiro Mecânico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atuou com Gestão de Processos no setor aeronáutico e, atualmente, trabalha focado em Processos de Melhoria de Gestão na empresa Valor & Foco.


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