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  |   05/08/2015   |   Qualidade e produtividade   |  

Importância dos gráficos no Controle de Qualidade - Messi x Cristiano Ronaldo

Analisar a qualidade da produção com gráficos é mais eficaz. Veja um exemplo no mundo do futebol do que isso representa.

No meu último artigo, provoquei a todos sobre sempre oferecer uma carta de controle, além dos índices de capacidade para uma análise correta da qualidade no processo produtivo.

A provocação funcionou e recebi pedidos para detalhar a questão das cartas de controle e utilização de gráficos para controlar a qualidade. Por isso, vou discutir abaixo a razão da importância de se analisar dados de controle de qualidade, (também de CEP) utilizando os gráficos ao invés de utilizar dados de maneira tabular (vamos chamar isto de “dados crus”). 

Para isso vou adotar uma abordagem bem prática em um assunto que os brasileiros dominam, o FUTEBOL.

Então a pergunta é bem simples, qual atacante é mais EFETIVO Messi ou Cristiano Ronaldo?

Abaixo os “dados crus” (ou tabulares para vocês decidirem e responderem nos comentários)

Messi x CR7 - Tabela 1

Repararam que fica difícil dizer muita coisa com precisão? Principalmente porque os 2 jogadores tem retrospecto muito parecido de gols. Ou seja, para uma análise mais precisa sobre a EFETIVIDADE, somente se manipularmos pelo menos um pouco estas informações para se concluir algo com precisão utilizando os dados tabulares.

Você concorda comigo que uma vez que é necessário manipular dados, já não se pode dizer que a análise é feita em cima dos “dados crus”, correto? Se você não concordou comigo até agora, por favor, deixe nos comentários a razão disso para debatermos o assunto, ok?

Mas se você concorda comigo, já foi provado a desvantagem de fazer análise sobre "dados crus", agora é questão de verificarmos quanto vantajoso é utilizar gráficos. É exatamente neste ponto que gostaria de chegar. O Dr. Walter Shewhart (google neste nome!), escreveu a seguinte regra para apresentação dos dados para análise:

Os dados devem ser sempre apresentados de maneira a preservar a evidência neles em relação a todas as previsões e análises que possam ser feitas a partir dos mesmos.

Em poucas palavras, nenhum dado tem sentido fora de seu contexto.

Por isso que, para responder a pergunta sobre o atacante mais EFETIVO, vamos fazer uma pequena manipulação nos dados para ver se isso ajuda você a se decidir qual atacante foi mais efetivo até agora.

E agora? Analisando os dados de forma tabular, os fatos mais imediatos e claros que se podem concluir são:

  • Cristiano Ronaldo tem mais gols que o Messi
  • Messi tem uma melhor média de gols por jogo que o Cristiano Ronaldo
  • Messi tem uma melhor média de gols por temporada que o Cristiano Ronaldo
  • Messi tem uma temporada a menos que o Cristiano Ronaldo como profissional e mesmo assim tem uma média de Gols/Jogo melhor que o CR7

Agora se pergunte, será que já é possível decidir qual dos dois foi mais EFETIVO até agora?

Creio que boa parte das pessoas responderiam que sim e cravariam que o Messi foi mais efetivo. Alguns até cravariam que Messi é de longe o mais efetivo. Mas se a sua afirmação foi essa, eu tenho que discordar um pouco dela, não porque ela esteja errada, mas porque ela é muito superficial, falta precisão na justificativa (não basta decidir, tem que provar!).

Mas qual a razão dela ser superficial, você está se perguntando?

A resposta é simples: É bem improvável que os dados em tabelas, mesmo depois da pequena manipulação feita, NÃO tragam consigo o contexto. E o contexto é um dos itens mais importantes para fazer uma análise consistente. Geralmente, os gráficos conseguem contextualizar dados de maneira rápida e efetiva, daí a importância de fazer uma análise utilizando gráficos ao invés de “dados crus” ou dados tabulares.

Por isso, por exemplo, que no livro do Mr. Wheeler (inspiração deste POST) ele faz as seguintes afirmações sobre a utilização de dados crus ou tabulares para análises:

  • Nenhuma comparação entre 2 valores pode ser global
  • Os relatórios gerenciais estão cheios de comparações limitadas ou superficiais
  • Os gráficos tornam os dados mais acessíveis para a mente humana do que as tabelas
  • As sínteses numéricas podem suplementar os gráficos, porém nunca substituí-los
  • Nenhum dado tem significado fora de seu contexto

Agora vamos analisar os mesmos dados dos jogadores, porém, de forma gráfica utilizando para isso um Box-Plot (excelente ferramenta de comparação de processos), dois gráficos de controle (sequenciais) e dois gráficos de barras (sequenciais).

 

Box Plot - Messi x CR7 - Comparação de Processos

 

Grafico em Barras - Gols por Jogo em cada Temporada
Gráfico de Barras - Gols por Jogo em Cada Temporada

 

Gráfico em Barras - Gols Absolutos por Temporada
Gráfico de Barras - Gols Absoluto por Temporada

 

Carta de Controle - Messi
Carta de Controle - Messi - IX-MR

 

Carta de Controle - CR7
Carta de Controle - CR7 - IX-MR

 

Vejam que os gráficos sustentam as afirmações de que o Messi é um atacante mais efetivo que o Cristiano Ronaldo, porém, notem também, que podemos observar muito mais do que isso. Conseguimos ver todo o contexto desta comparação e entender que:

  • A média de gols por jogo de Messi é um pouco maior do que a do Cristiano Ronaldo
  • A média de gols por temporada de Messi é ligeiramente maior que a do Cristiano Ronaldo
  • Que apesar do Messi ser mais efetivo, nas duas últimas temporadas o Cristiano Ronaldo o superou e está em uma curva ascendente, enquanto que o Messi está no sentido oposto
  • Que o Messi apresentou uma efetividade ascendente até a temporada 2012-2013 e depois disso a efetividade em gols caiu ligeiramente a ponto de ser superado pelo Cristiano Ronaldo
  • Que na temporada 2009 o Cristiano Ronaldo apresentou uma queda não usual em seu ritmo ascendente (provavelmente a troca de equipe afetou a efetividade dele)
  • Que em termos de gols absolutos por temporada o placar é 8 x 4 para o Cristiano Ronaldo
  • Que em termos de gols/jogos o placar é 7 x 5 para o Messi
  • Que tanto o Messi quanto o Cristiano Ronaldo “estouraram” os limites de controle superior duas vezes cada um, o que indica que em pelo menos duas temporadas eles superaram as expectativas sobre si mesmos

Em resumo, a resposta correta para o desafio proposto neste POST seria: No fundo, os dois jogadores têm números muito próximos, ou seja, os dois são bem efetivos sendo o Messi historicamente ligeiramente mais efetivo do que o Cristiano Ronaldo, porém com tendência de isso mudar ao longo das próximas temporadas.

Viu como a análise gráfica é muito mais rica que uma análise tabular? Quanta informação mais se pode extrair quando temos a informação apresentada de maneira visual.

O mesmo acontece no seu controle de qualidade, mais especificamente no CEP. Imaginando (grosseiramente) que o Messi e o Cristiano Ronaldo são 2 processos (ou máquinas) que fazem o mesmo produto (gols), qual processo é mais efetivo? Qual tem que ser ajustado por que já foi melhor? Qual teve comportamento excepcional ao longo do tempo?

Creio que basta olhar os gráficos aqui apresentados para saber a resposta para controlar estes 2 processos. Em todos os casos, neste exemplo bobinho, o melhor é torcer para os processos estourarem os limites de controle!! :)

PS1: Os dados (gols e jogos de cada atacante) deste POST foram extraídos do site Wikipédia no verbete de cada Jogador em janeiro de 2015.

PS2: Para quem tem dúvidas sobre quem é melhor, assista ao vídeo para ajudar a confundir :)

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
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Tulio Duarte

O autor é formado em Ciências da Computação pela UFSC onde também cursou mestrado. Trabalha desde 2002 na HarboR Informática Industrial, empresa que desenvolve soluções para controle de produção e controle de qualidade. Neste período atuou em mais de 100 projetos de controle de produção e controle de qualidade para indústrias de todos os portes do Brasil e de outros países como Canadá, Estados Unidos, México, Colômbia, Chile, Uruguai, França, Itália, Eslováquia e China. É também co-fundador e atual presidente do grupo Vertical Manufatura da Acate, um grupo que aproxima empresas de tecnologia e indústria de manufatura para discutir e desenvolver soluções que visam a diminuição de custos, aumento de qualidade e produtividade, assim como o cumprimento de normas legais e diminuição de recalls.


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