Além do 3D na Engenharia

Ganhos que a informação 3D pode trazer no ciclo de desenvolvimento

Nos meados da década de 1980 iniciei meus estudos na Escola Técnica Federal de São Paulo no curso de Mecânica. Uma das aulas que eu mais gostava era a de desenho técnico, onde fazíamos vistas ortogonais, perspectivas, vistas projetadas em verdadeira grandeza, vistas de detalhes e outras. Tudo isso para representar em um plano os componentes mecânicos que deveriam ser fabricados.

Por que todo esse trabalho, normas de representação e rigor nos detalhes?

Bom, a resposta é porque não era possível se desenhar em 3D, não existiam ferramentas possíveis de se representar a realidade e dessa forma foram criadas normas para se representar objetos 3D em um plano 2D.

Com a evolução dos programas de CAD 3D e a grande capacidade computacional foi possível representar modelos tridimensionais virtuais com uma fidelidade absoluta, fazer e simular situações de carregamento e determinar tensões. Manufaturar esses modelos de forma precisa. Com isso, a indústria evoluiu muito, detectando problemas muito antes da fase de fabricação, corrigindo erros conceituais que só seria possível detectar na fase de protótipo.

Nos artigos que serão publicados nessa Coluna, quero passar a todos como o 3D pode trazer ganhos além da fase de desenvolvimento e fabricação, bem como de que maneira a indústria pode consumir informação em 3D por toda o ciclo de vida do produto, do conceito inicial até a servitização (Opa, esse é um assunto para mais tarde).

Boa parte das indústrias do mundo já adotaram ferramentas 3D para o desenvolvimento de produto, algumas já estão na fase de redução de papel no chão de fábrica. Essa metodologia está se tonando cada vez mais presente, mas ainda há muito o que fazer para se ter ganhos efetivos.

A grande maioria das indústrias, ao final do desenvolvimento, convertem modelos 3D em documentos 2D que são impressos ou transformados em PDF para serem enviados ao departamento de métodos e processos. Então, são implementados na fábrica e inseridos no ERP para se tornarem “os documentos oficiais do produto”. Enquanto o departamento de publicação técnica usa fotos ou imagens, que muitas vezes não representam o produto. Esses são apenas alguns exemplos de como a informação é consumida dentro das empresas de forma não tão eficiente.

Qualquer informação 2D desvinculada ao modelo 3D da engenharia se torna desatualizada no momento que é gerada, pois com a grande capacidade de atualização dos produtos, qualquer informação que não esteja vinculada aos modelos de engenharia e que não são “atualizáveis” se torna obsoleta e não confiável.

É lógico que a manufatura de modelos 3D já está bem avançada em máquinas CNC, mas a quantidade de documentos 2D gerada na indústria ainda é muito grande.

As perguntas que quero fazer são:

Por que não usar o modelo 3D para fazer a documentação de processos de fabricação?

Por que não usar o modelo 3D para fazer consultas e tirar dúvidas no chão de fábrica?

Por que não usar o 3D para se criar manuais de montagem, operação, reparo e instalação?

O modelo CAD 3D deve sair da engenharia e trazer ganhos para os departamentos que consomem as informações geradas pela engenharia.

Redução no custo de desenvolvimento, redução do ciclo de desenvolvimento, aumento de Market Share são metas que 100% das empresas buscam hoje e para alcançar tais metas os processos e as ferramentas devem ser aprimoradas.

Esse tipo de mudança não é novidade na indústria, passamos por esses eventos de mudanças várias vezes, implementação de CAD 2D, implementação de CAD 3D, implementação de ERPs, entre outras diversas quebras de paradigmas que já foram superadas.

Em tempos de crise nenhum empresário se levanta pela manhã e diz “hoje vou adquirir uma tecnologia nova para a minha empresa”, a pergunta que vem a mente é: como posso resolver esse problema ou como posso tornar meu produto mais lucrativo?

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
Mauro

Mauro Duarte G. Santos

Engenheiro Mecânico formado na UNESP em 1995, pós-graduação em administração industrial e gestão de projetos pela Fundação Vanzolini. Atua no mercado de CAD/CAE/CAM/PLM há 17 anos. Atualmente MSC Software e antes disso na PTC (16 anos), SDRC(2 anos)(Grupo Siemens) e como Eng Projetista (2 anos) com usuario de CAD e CAE


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