Produtos Inteligentes Conectados “Smart Connected Products”

A geração de produtos conctados vai mudar a forma de produzir e consumir produto.

Você já parou para pensar que vivemos em um mundo conectado, mas quando digo isso não estou falando de smartphones ou de conexão wi-fi em nossas residências ou em lugares públicos.

Vamos pensar além, em coisas que não imaginamos que possam ser conectados, vamos imaginar que alguns produtos possam tomar decisões antes de nós e que possam trazer não só conforto, mas economia, segurança, saúde e ganhos financeiros para as corporações e para os usuários.

Existe uma avaliação feita no mercado que até o final da década teremos mais de 50 bilhões de produtos conectados através de sensores gerando informações para tomada de decisão mais rápida e eficiente, O que isso pode mudar na nossa vida?

Quando falamos de produtos conectados a primeira coisa que vem em nossas cabeças é um smartphone, ok,  esse é um produto conectado, vamos pensar em algo um pouco mais sofisticado como, por exemplo, uma máquina de ressonância magnética em um hospital publica no interior do Mato Grosso. Bom,  nesse caso qual a vantagem de termos uma máquina dessa conectada. Imagine que essa máquina possui sensores de temperatura, vibração, sensor de ruídos, um software que coletas dados e disponibiliza periodicamente essas informações para o hospital e para o fabricante da máquina que esta na Alemanha.

No momento que um desses sensores coletar uma informação que está fora do padrão um alerta é enviado para a manutenção do hospital com uma série de procedimentos para corrigir o defeito, caso o defeito persista um novo alerta e enviado para o suporte do fabricante que tem a localização da máquina, os dados dos sensores e a localização da assistência técnica mais próxima desse hospital, dessa forma a disponibilidade desse equipamento com certeza será muito maior, pois essa manutenção preventiva vai evitar que o equipamento fique parado. Isso significa ganhos para o fabricante, para o hospital e para o usuário.

Esse é apenas um exemplo, imaginem turbinas eólicas, grupos geradores, colheitadeiras. Entretanto, essa tecnologia modifica e muito a forma de como tratar o produto no mercado, pois agrega um valor que antes era difícil de mensurar, que é a capacidade de disponibilidade do produto no campo, ou seja, não se está mais comercializando o produto e sim o serviço que este produto vai oferecer.

Vamos usar outro exemplo. Imagine que um fazendeiro comprou duas colheitadeiras uma “smart” e a outra não. A primeira possui sensores que transmitem informações para a central técnica próxima ou fazendeiro, as informações transmitidas podem ser torque de motor, temperatura de óleo, inclinação do equipamento, horas de funcionamento, vibração. Quando um determinado parâmetro mostra irregularidade a central é avisada e uma análise é feita sem a necessidade de parada do equipamento ou de enviar um técnico para avaliar qual é o problema, tudo é feito de forma remota e até pode ser M2M (Machine to Machine) sem a intervenção de qualquer pessoa. Já a segunda colheitadeira vai trabalhar até que a manutenção seja necessária e, provavelmente, vai exigir a visita de um técnico para avaliação do problema, a espera para a compra e chegada da peça, outra visita para o reparo e, provavelmente, o custo será bem maior.

Veja bem, o objetivo dessa tecnologia não é desumanizar a sociedade conectando pessoas em seus mundinhos digitais e sim disponibilizar informação de forma estruturada para atender as pessoas.

Vamos extrapolar essa tecnologia para o dia a dia das pessoas com veículos que emitem alerta antes de falharem evitando a parada para manutenção longa, edifícios com acionadores que ao sinal de terremoto ativem esses acionadores de forma a evitar o colapso da estrutura.

Isso parece distante? Mas não está. A tecnologia de internet das coisas ou produtos conectados será cada vez mais presente mudando a forma que desenvolvemos e consumimos produtos.

Geladeiras, veículos, eletrodomésticos, roupas, brinquedos, todos esses produtos poderão ser conectados ou para uso do consumidor ou para associar um serviço de melhor qualidade prestado pelo fabricante.

Por mais avesso à tecnologia que as pessoas possam ser, essa onda será inevitável, assim como foi o uso do telegrafo, do telex, do radio, do telefone, da internet e outras tecnologias que usamos de forma massiva e nem nos damos conta disso.

Devemos nos preparar para essa nova onda mudando a forma de desenvolver, produzir e consumir produtos e as empresas devem começar a no mínimo olhar essa tecnologia com carinho para se preparar para um futuro bem próximo.

As informações e opiniões veiculadas nesse artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam a opinião do Grupo CIMM.
Mauro

Mauro Duarte G. Santos

Engenheiro Mecânico formado na UNESP em 1995, pós-graduação em administração industrial e gestão de projetos pela Fundação Vanzolini. Atua no mercado de CAD/CAE/CAM/PLM há 17 anos. Atualmente MSC Software e antes disso na PTC (16 anos), SDRC(2 anos)(Grupo Siemens) e como Eng Projetista (2 anos) com usuario de CAD e CAE


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