Carro elétrico ainda está longe das ruas

Algumas montadoras consideram que o custo desse tipo de veículo ainda está distante da realidade brasileira

Como se tornou tradição nas grandes mostras de carros do mundo, os veículos elétricos ou híbridos - movidos tanto a energia elétrica como a combustível - são destaque na edição deste ano do Salão do Automóvel de São Paulo. No entanto, tirá-los dos estandes e levá-los para as ruas brasileiras é um caminho que, na falta de incentivos do governo, as montadoras acreditam ser inviável.

Ao contrário da Toyota, que vai trazer o Prius ao Brasil em janeiro, Volkswagen, Citroën, Peugeot e Renault preferem ficar de fora do segmento no país, ao menos por enquanto. Essas marcas consideram que os custos dos carros elétricos ainda estão distantes da realidade do mercado brasileiro.
 
Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil, afirmou em sessão fechada para jornalistas que mesmo os híbridos ainda não são viáveis para o país, tendo em vista que os custos de produção e desenvolvimento da tecnologia são altos, enquanto a escala de consumo é pequena. "Por enquanto, [os carros híbridos] são viáveis em mercados como o dos Estados Unidos e o da Europa. Para Brasil, Rússia, Índia e China acreditamos que ainda vai demorar um pouco", acrescentou.
 
As declarações vão ao encontro do que pensa Olivier Murguet, presidente da Renault no Brasil, para quem esses carros precisam de incentivos tributários - com cortes expressivos de IPI - e subsídios governamentais para "vingar" no Brasil. "Hoje, não tem viabilidade nenhuma", comentou o executivo.
 
Carlos Gomes, presidente da Peugeot Citroën (PSA), afirmou que os investimentos das marcas ainda não estão direcionados à venda de modelos elétricos e híbridos no Brasil neste momento. "Entendemos que o governo é claro em não incentivar [o desenvolvimento dos híbridos]. O Inovar-Auto (nome do regime automotivo) não traz orientações sobre carros elétricos," lembrou Gomes.
 
Murguet disse que o preço do Twizy, elétrico vendido na França por € 7 mil e exposto no Salão de São Paulo, seria superior R$ 100 mil no Brasil. Segundo ele, se houver algum incentivo, a montadora pode começar a comercializar híbridos e elétricos no Brasil "de um dia para outro, por já ter os modelos em mercados externos".
 
A Toyota anunciou que venderá seu modelo híbrido no Brasil a partir de janeiro de 2013. "Estamos produzindo o Prius para o consumidor ligado às questões ambientais", disse Luiz Carlos Andrade Junior, vice-presidente sênior da Toyota Mercosul.



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