Dependência do setor automobilístico é um desafio para fundição

Especialistas defendem que o setor de fundição não deve se acomodar com os incentivos do governo federal.

O setor de fundição cresceu 7,7% no primeiro semestre de 2012, ante o mesmo período do ano passado. Com 1670 mil toneladas produzidas, deve chegar a 3550 mil toneladas em 2012. Especialistas acreditam que o setor deve se desenvolver ainda mais nos próximos anos, devido, principalmente, aos pacotes de incentivos do governo federal. Porém, segundo eles, apenas esses estímulos nâo resolvem os problemas da indústria brasileira.  

Para o pós-doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), André Felipe Simões, o momento do setor de fundição é, ou pelo menos deveria ser, de mudanças. Segundo Simões, um dos equívocos da fundição é focar apenas na indústria automobilística. "As expectativas do setor é que serão mais de 6,3 milhões de automóveis licenciados em 2020. Mas eles devem ampliar o foco, até porque cada vez mais as pessoas buscam outros estilos de vida e novas formas e meio de transporte. O setor de fundição está alicercado em um modelo de vida que daqui a alguns anos estará em declínio", argumenta.
 
Ele afirma que a indústria de fundição deve ultrapassar diversas barreiras tecnológicas, culturais, econômicas e institucionais para alcançar uma revolução energética. "Vivemos atualmente o início do declínio da era do petróleo, então uma revolução energética já é possível e desejável, mas não daqui a 30 anos, deve acontecer agora", defende. Simões acrescenta que a redução das tarifas de energia elétrica ajuda a indústria, porém deixa o setor acomodado. "Usando um exexmplo cotidiano, por que um aluno que precisa tirar nota 5 irá estudar se ele já tem um 5 garantido? É isso que pode acontecer com a indústria, apenas esperar pelos estímulos e não fazer nada para alcançar uma redução energética efetiva e constante", diz. 
 
O engenheiro eletricista da Weg, Rodrigo Augusto Neves, acrescenta que a indústria deve cuidar para que essa redução não seja mais uma desculpa para não atacar o problema de frente e alcançar a eficiência energética e enfrentar as barrerias da desindustrialização. "Mesmo com a redução temos uma das tarifas mais caras do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o valor pago pela energia equivale a um quinto do que pagamos aqui. Mas 68% do consumo de energia vem da força motriz, ou seja, não basta reduzir a tarifa, os empresários precisam investir em equipamentos mais eficientes e que consomem menos", argumenta. 
 
Momento favorável
Para o presidente da Associaçao Brasileira de Fundição (Abifa), Devanir Brichesi, a indústria de fundição é a indústria-mãe, pois atende a todas as cadeias produtivas. Ele cita que o Brasil está na sétima colocação mundial da indústria de fundição. "Atualmente, o setor emprega 70 mil trabalhadores e, em 2011, o faturamento foi de US$ 11 bilhões", diz. Segundo o presidente da Abifa, com o pacote de investimento do governo federal em infraestrurura, a tendência é que o setor da fundição seja alavancado. "Nos próximos anos, a expectativa é de acréscimo de investimentos no setor em torno de US$ 1,6 bilhões e um aumento de produção de um milhão de tonelada", afirma Brichesi. 
 
Uma das indústrias que já vivem um momento positivo é a Tupy. De acordo com o presidente da empresa, Luiz Tarquínio Sardinha Ferro, apesar do ambiente de dificuldade da indústria, a Tupy passa por um bom ano. "Demos um passo largo no desenvolvimento da empresa, além de avançarmos na internacionalização da Tupy, com a compra de duas fundioções no México", defende. Ele afirma que Santa Catarina é um dos principais polos metalúrgicos do País e que as demais empresas deveriam "ter a coragem da Tupy, pois só assim teremos uma indústria mais competitiva". 
 



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