Setor automotivo é o que mais investe em prototipagem rápida

Grande quantidade de lançamentos no mercado faz com que montadoras invistam em processos virtuais, muito mais rápidos que os artesanais.

Atualmente, digitalizadores ópticos e impressoras 3D coloridas são usadas para produzir uma infinidade de protótipos – reproduzem desde objetos até órgãos do corpo humano. Mas é o setor automotivo que mais tem investido em prototipagem rápida e em digitalização óptica, segundo Luiz Fernando Dompieri, diretor geral da Robtec, a maior empresa instalada no País a vender equipamentos, matérias-primas, protótipos e serviços de manutenção de prototipagem. “A nossa instalação no Brasil, em 1994, aconteceu em decorrência da crescente demanda das montadoras locais, que até então tinham que importar protótipos”, conta. 

Vicente Massaroti, gerente de engenharia da Robtec, diz que a grande quantidade de subsistemas em um veículo e de lançamentos no mercado nacional fazem com que as montadoras de automóveis e comerciais leves recorram aos processos virtuais, muito mais rápidos do que os protótipos artesanais. Ele lembra ainda que vários departamentos – engenharias, design, qualidade, entre outros – trabalham com protótipos.
 
De acordo com Claudio Damaso, supervisor de protótipos do grupo Daimler Mercedes-Benz, uma peça artesanal leva de 90 a 120 dias para ficar pronta. No processo de prototipagem rápida, o prazo cai para 20 dias. O grupo alemão é parceiro da Robtec desde 1996, tem três impressoras 3D em sua fábrica de São Bernardo do Campo (SP) e terá mais uma até fim do ano. Na Alemanha, a empresa conta com 16 impressoras. Nos Estados Unidos, com 31. “O face-lift da linha Actron, feito aqui com os nossos equipamentos, durou um ano. Foi um projeto em tempo recorde”, conta Damaso. 
 
“Dá para fazer peças com detalhes precisos, coloridas (há impressoras que imprimem mais de 390 mil cores) e grandes. Temos tecnologia para produzir qualquer parte de um veículo”, garante Dompieri. De seu portfólio, o diretor destaca uma impressora capaz de fazer 96 bolas de beisebol de uma só vez e o escaneador óptico portátil que capta até 5 milhões de pontos sem precisar tocar o componente, como é feito nos tradicionais equipamentos de metrologia. Outra novidade é a prototipagem de metais, que imprime peças em aço, alumínio, titânio e outras ligas.
 
Os preços das impressoras, calcula o diretor, variam de US$ 10 mil a US$ 800 mil. Já os das digitalizadoras vão de US$ 60 mil a US$ 400 mil. “Algumas montadoras preferem comprar os protótipos prontos, feitos em nosso maquinário, por causa do alto custo”, revela. 
 
Fiat, GM, Ford, Volkswagen, Honda, Toyota e PSA Peugeot Citroën estão entre os atuais clientes da Robtec. Daniel Nozaki, gerente de design da PSA, lembra que essas tecnologias começaram a chegar ao Brasil ao passo que os departamentos de design locais ganharam autonomia para desenvolver projetos, inclusive globais. “Nunca se viu tantos estúdios de design automotivo no Brasil. Muitos países de primeiro mundo não têm esse número de estúdios.” Ele diz que no Brasil já existem 12 e mais um será montado com a chegada da JAC Motors. 
 
Nozaki enumera os benefícios da prototipagem rápida para o design: “Temos rapidez, qualidade e fidelidade ao produto proposto, além de antecipação de problemas, evitando que as peças sejam produzidas em escala.” 
 
A Robtec investiu R$ 2 milhões em 2012 para trazer novos equipamentos e inaugurar linha com cinco injetoras de plásticos que suportam de 90 a 600 toneladas. A empresa conta com três linhas de montagem em Diadema (SP), em uma área de 6 mil metros quadrados.
 
Por camila Franco/ Automotive Business



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