Produção desacelera, mas aposta no País segue alta, diz Anfavea

Ritmo das fábricas é afetado pela baixa das exportações e acompanha o crescimento do mercado interno

A queda nas exportações começa a afetar com mais força o ritmo da produção nas fábricas brasileiras de veículos. Em janeiro foram produzidas 196,8 mil unidades, volume 10,9% maior que o de dezembro, que teve menos dias trabalhados, mas ficou 10% abaixo do verificado no primeiro mês de 2018. 

A desaceleração, contudo, ainda não é preocupante nem representa risco imediato de retração de investimentos no País, conforme avalia Antonio Megale, presidente da Anfavea, a associação nacional dos fabricantes. O tema foi levantado em consequência das recentes notícias sobre a operação brasileira da GM, que há cerca de 15 dias negocia duros pacotes de cortes de custos com trabalhadores, fornecedores e concessionários, como condição para manter sua estrutura no Brasil e fazer novos investimentos 

“O que vejo é uma aposta no Brasil. Temos visto anúncios de investimentos futuros. Isso acontece porque poucos lugares do mundo têm crescimento de dois dígitos porcentuais como aqui. Antes da metade da próxima década devemos ter mercado de 4 milhões de unidades/ano, isso atrai a indústria”, afirma Antonio Megale.


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Exportação desacelera produção

O presidente da Anfavea confirma que a forte retração de embarques para a Argentina está puxando para baixo a produção das fábricas. Com isso, quase tudo que foi produzido em janeiro foi para o mercado doméstico. 

“A produção em janeiro ficou alinhada com o mercado interno (que cresceu 10,2% sobre o mesmo mês do ano anterior). O resultado teria sido melhor se as exportações não tivessem caído tanto”, avalia Antonio Megale.

Como resultado dessa equação, cresceram os estoques de veículos nos pátios das fábricas: 85,4 mil unidades em janeiro contra 63 mil em dezembro. Com isso, o tempo necessário para escoar todo o estoque da indústria subiu de nove dias em dezembro para 13 no mês passado. 

Com a produção em ritmo estável, também ficou parado o nível de emprego na indústria, que contabilizou 130,4 mil funcionários em janeiro, mesmo número de dezembro e apenas 1,2% maior dos que os 128,5 mil empregados contados um ano atrás. Segundo a Anfavea, atualmente 750 pessoas estão em regime de layoff, com contrato de trabalho temporariamente suspenso, número que permaneceu também está desde o fim do ano passado. 

A Anfavea projeta a produção de 3,14 milhões de veículos nos País de 2019, incluindo automóveis de passageiros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Contudo, o volume ainda pode ficar abaixo de 3 milhões de unidades se as exportações continuarem caindo em ritmo mais forte até o fim do ano.




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