Indústria nacional deve ter um ano melhor que o esperado

CNI tem esperanças no BNDES, industriais tem reservas

As perspectivas de crescimento da indústria, em 2012, estão mais cautelosas do que o mercado esperava. De acordo com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, o incremento deve ser menor que o projetado para o Produto Interno Bruto (PIB), não ultrapassando os 2,5%. Porém, um alívio poderá vir do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o presidente da entidade, Luciano Coutinho, os investimentos em inovação dos processos produtivos devem aumentar em torno de 40% neste ano em relação a 2011.

"Os desembolsos para inovação devem ficar na casa dos R$ 5 bilhões em 2012", afirmou Coutinho na última sexta-feira, durante encontro na CNI com empresários para discutir o tema. Ele destacou que, apesar da turbulência internacional, o País poderá retomar e até acelerar a sua economia ainda neste ano. "Temos todas as opções nas mãos para ter um crescimento sustentável em 2012", disse Coutinho.
 
O cenário para a indústria, porém, continua contido, na opinião do presidente da CNI. "Tudo indica que a segunda metade do ano será um pouco melhor do que a primeira. Até porque o primeiro semestre foi muito ruim", disse Andrade.
 
O presidente da Braskem, Carlos Fadigas, afirmou durante o encontro que a empresa ainda "não sentiu os efeitos da crise europeia". Destacou, porém, que o ritmo dos negócios "não tem acelerado nem retrocedido".
 
Para o presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, o momento ainda é de expectativa. Segundo o executivo, a montadora não fechou as projeções de crescimento para 2012. Ele afirma que a Fiat deve compilar os dados junto à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) no meio do ano. "Só teremos as perspectivas quando tivermos uma visão mais clara do mercado em função de todas essas medidas que foram divulgadas pelo governo federal", afirmou Belini.
 
O executivo da Fiat adianta, no entanto, que o pacote para o setor automotivo deve contribuir para desencalhar os automóveis que estão acumulados na indústria. "Sem dúvida nenhuma, a tendência é que os estoques sejam reduzidos, o que deve gerar um bom crescimento do mercado interno", acredita Belini. Sobre as vendas no Brasil, o presidente da Fiat é categórico. "Nossos objetivos são os resultados que, entre outros fatores, também envolvem a liderança de mercado", diz.
 
De acordo com o presidente da Bosch América Latina, Besaliel Botelho, a indústria de autopeças passa por um momento crítico. Porém, o quadro deve melhorar. "Estamos confiantes que, no segundo semestre, teremos uma reação do setor em relação ao começo do ano", afirmou Botelho.
 
A previsão de crescimento da Bosch para 2012, no Brasil, era de 5% no início do ano, o que Botelho considera como bom. Porém, ele explica que os últimos quatro meses foram difíceis, com queda forte dos volumes de vendas. Ainda assim, o executivo acredita que a meta será cumprida. "Estamos apostando em uma reação nos próximos meses", disse Botelho.



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