Demanda fraca faz Scania, Ford e MAN frearem produção

Queda nas vendas somou 8,1%, entre janeiro e abril

O mau desempenho no setor de caminhões segue em carreata. Nem mesmo as recentes medidas anunciadas pelo Governo federal para aquecer o consumo foram suficientes para dar ânimo ao setor. Preocupadas com a queda nas vendas – que somou 8,1%, entre janeiro e abril – as montadoras de veículos pesados estão lançando mão de artifícios para readequar à produção a nova realidade. Na lista estão ferramentas como paradas da linha de montagem, férias coletivas, licença remunerada e até mesmo as demissões.

Na última semana, o Brasil Econômico obteve com exclusividade um documento interno veiculado na Mercedes-Benz e assinado pelo presidente da companhia, Jürgen Ziegler, que falava de um excedente de 1,5 mil funcionários. A exemplo da montadora alemã, a concorrência também sofre com mão-de-obra ociosa.
 
Segundo Daniel Calazans, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Scania fala em excedente de 600 funcionários no primeiro trimestre. Para tentar contorna a situação, a empresa negociou um Programa de Demissão Voluntária (PDV) entre março e abril. No total 87 funcionários aderiram ao programa e deixaram a empresa. “Mas mesmo assim, a Scania demitiu 20 funcionários”, disse o sindicalista.
 
Depois das demissões houve uma ameaça de greve na fábrica e seis trabalhadores foram recontratados. “Conseguimos fechar uma garantia do nível emprego até dezembro”, comemora o sindicalista. Entretanto, 350 funcionários temporários da Scania têm futuro incerto. A montadora informou que vai analisar mês a mês a condição do mercado para decidir sobre a renovação dos contratos que vencem nos próximos meses.
 
A Scania afirmou ainda que a fábrica de São Bernardo não vai produzir no dia 1º de junho e que negociou 20 dias de parada por ano com o sindicato, podendo antecipar dez dias de 2013.
 
Além disso, os cerca de 3,4 mil trabalhadores da empresa terão de se contentar com uma Participação nos Lucros e Resultados (PRL) até 40% menor do que a recebida no ano passado.
 
Além da economia desaquecida, a nova tecnologia ambiental, chamada de Euro V, arrefeceu as vendas. Os caminhões ficaram cerca de 15% mais caros desde janeiro e a Ford caminhões acompanha os maus resultados do setor. A empresa garantiu que “utiliza a flexibilização do banco de horas para adequar o volume de produção ao nível da demanda atual de mercado”, mas garantiu que não planeja demissões.
 
Na MAN Latin America a decisão foi dar férias coletivas para os cerca de 4 mil funcionários no complexo fabril de Resende (RJ). Segundo o diretor do sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda e Região, Bartolomeu Citeli, a parada de produção vai ocorrer entre 4 e 21 de junho. “Em janeiro a empresa concedeu férias coletivas de 20 dias. Além disso, já reduziu em 30% a produção diária”, disse Citeli. Atualmente a MAN monta 240 caminhões/dia. Em 2011, no ápice da demanda, a empresa chegou a fabricar 340.
 
Citeli informou também que a empresa e o sindicato fecharam o pagamento PLR e o aumento de salário. Ficou acertado um benefício de R$ 5,1 mil, mais abono salarial de R$ 2 mil. “Esse valo poderá ser revisto caso a produção alcance 60 mil unidades este ano”, explicou Citeli. No ano passado, a MAN produziu 83 mil unidades.
 
Já o reajuste salarial foi de 4,88% referente ao INPC do período, mais 2% de aumento real. Procurada, a MAN não se manifestou até o fechamento de edição.  
 
Por Ana Paula Machado e Michele L./Brasil Econômico
 
 
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