Queda nas vendas de caminhões assusta autopeças

Encomendas em junho serão 20% inferiores

Os fornecedores de componentes para caminhões mergulharam em astral bastante negativo este mês. As estimativas mais recentes indicam que as encomendas de autopeças e sistemas para veículos pesados (como eixos e motores) em junho já estão 20% abaixo das contabilizadas em maio, que já não foi um mês bom. Ou seja, o mercado não se recupera e a produção entra em declínio cada vez maior. 

Não que alguém esperasse uma retomada vibrante da produção, depois de um quadrimestre pífio, sustentado quase que exclusivamente por vendas de veículos em estoque, fabricados até o fim de dezembro com tecnologia Euro 3, que representaram 90% do total dos emplacamentos de 42.902 unidades no período. Mas havia esperança de reverter o pessimismo após o buraco inicial do ano, aberto pela entrada em vigor da nova legislação de emissões Proconve P7, com modelos Euro 5 de 8% a 15% mais caros.
 
Os sinais da cadeia de suprimentos são críticos. Já ocorrem demissões de trabalhadores e há novas paradas de produção programadas. Na Volvo a linha para de 24 de maio a 11 de junho e na MAN, de 4 a 18 de junho. A Ford terá mais um período com a produção suspensa e provavelmente o mesmo ocorrerá na Iveco. A Mercedes-Benz tem tido paradas esporádicas e repetirá a dose dia 21 de maio em São Bernardo do Campo (SP). 
 
Projeções de bastidores
As projeções, obtidas nos bastidores de alguns fornecedores, apontam este ano para uma produção de 155 mil caminhões e 35 mil ônibus. O mercado doméstico de veículos comerciais pesados não deve passar de 180 mil unidades, já levando em conta um estoque em torno de 45 mil modelos Euro 3 fabricados até o fim de 2011 e vendidos neste ano. O estoque de Euro 3 nas concessionárias só se esgotará no fim de maio, quando as últimas 2 mil unidades devem ter sido comercializadas. 
 
Os fabricantes de veículos comerciais fecharam 2011 com a produção de 216.270 caminhões e venda de 172.902. Eles admitiam, em dezembro, que as vendas em 2012 recuariam cerca de 15%, para o patamar das 147 mil unidades. Como já havia 45 mil em estoque (Euro 3), bastaria montar 102 mil para atender ao mercado interno este ano. 
 
Vale lembrar que desde 1º de janeiro só podem ser produzidos no País veículos Euro 5 (P7). Todos os veículos Euro 3 (P5) fabricados até dezembro e disponíveis nas fábricas, destinados ao mercado interno, tinham de ser faturados às concessionárias até 31 de março. 
 
De janeiro a abril foram produzidos 42.902 caminhões com PBT acima de 3,5 toneladas. As vendas internas somaram 47.605 unidades, estimando-se que 90% corresponderam a veículos Euro 3 (42.844). Estão parados à espera de compradores nos pátios de fábricas e concessionárias algo como 45 mil veículos Euro 5. 
 
Os soluços da economia e as dúvidas sobre a evolução da safra agrícola deixam aflitos os fabricantes de veículos comerciais, que pretendem apressar a concessão de crédito do BNDES/Finame para entrega de caminhões. As taxas ficaram melhores (7,7% ao ano), mas foram modificadas só em abril e adiaram as compras de quem já esperava por novas condições mais favoráveis. Outra preocupação dos fabricantes de veículos diz respeito à distribuição de diesel S50, fundamental para o bom funcionamento dos motores Euro 5: a rarefação de postos com o produto estaria afastando os candidato às compras dos novos caminhões.
 
Por Paulo Ricardo Braga / Automotive Business



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