Embraco terá compressores autolubrificantes

Componentes inteligentes foram desenvolvidos durante cinco anos

Materiais inteligentes e autolubrificantes produzidos a partir da metalurgia do pó e desenvolvidos em parceria entre duas empresas e um laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina renderam duas patentes e podem contribuir para diminuir o consumo de energia dos compressores hermérticos para refrigeração. O projeto foi desenvolvido durante cinco anos entre o Laboratório de Materiais (LabMat), Embraco e Lupatech e está em fase de testes pelas indústrias. Os novos produtos tem previsão para serem comercializados em 2013.

"Queríamos unir a empresa consumidora do novo material, a Embraco, com outra capaz de produzir e fornecer o produto desenvolvido no laboratório", explica o coordenador do laboratório Aloisio Klein. Dessa forma, a Lupatech fica responsável pela produção dos novos materiais para a Embraco e, no caso de venda para outros clientes, a fabricante de compressores recebe uma porcentagem dos royalties.

O desenvolvimento do produto veio a partir de uma necessidade da Embraco, considerada um modelo de inovação do país e com quem o laboratório possui parceria há 25 anos. Recentemente a empresa ouviu 180 especialistas de vários países para discutir o planejamento para inovação até 2020. "Ninguém está pensando em uma solução pontual para um problema da fábrica e sim em projetos futuros. Assim é que se desenvolve inovação, não em projetos de alguns meses. Esse modelo é coisa do passado", enfatiza o professor.

Klein trabalha com metalurgia do pó desde 1984 e os estudos do laboratório na área já resultaram em sete patentes aprovadas e mais seis já foram requeridas. Em uma das patentes produzidas o lubrificante sólido é gerado “in situ” durante a sinterização pela dissociação de carbeto de silício (SiC). Com a adição do carbeto de silício, a grafita que se formaria logo no início do processo, passa a se formar apenas quando submetida a elevadas temperaturas. Essa característica permite a formação de uma camada protetora uniforme em toda a peça. O silício enriquece a matriz ferrosa e estabiliza a fase a, na qual a solubilidade de carbono é muito baixa (menor que 0,02%); em decorrência, o carbono é retido no local de origem da partícula de carboneto dissociado formando partículas nano estruturadas reduzindo o coeficiente de atrito e desgaste do material.

A outra patente procura, através da mistura, em proporções variáveis de dois tipos de partículas lubrificantes sólidos, produzir um material com características de auto adaptação em ambientes com diferentes graus de umidade e gases refrigerantes. A liga apresenta baixo coeficiente de atrito, ora devido à grafita ora devido ao nitreto de boro hexagonal, ambos lubrificantes sólidos.
 


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