Expedição mede efeito estufa na Amazônia causado pela agricultura

A intenção é relacionar a expansão da agricultura na Amazônia com o aquecimento global

Fonte: Agência USP - 29/05/07

Foto: Divulgação

Um grupo de pesquisadores do Centro de Energia Nuclear da Agricultura (Cena) da USP de Piracicaba está percorrendo os estados de Rondônia e Mato Grosso numa expedição que irá avaliar o impacto ambiental gerado pelo aumento dos gases que provocam o efeito estufa. “O objetivo principal é quantificar a emissão de gases produzidos pelo aumento da expansão da agricultura na área sudoeste da Amazônia nos últimos 40 anos, relacioná-la com o aquecimento global e, conseqüentemente, com as mudanças climáticas neste período”, explica Carlos Cerri, pesquisador do Cena. A expedição partiu de Piracicaba no último dia 14 de maio.

Entre os gases que mais contribuem para o efeito estufa e que continuamente vem aumentando de concentração em todo planeta estão o carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). O CO2 é o que possui maior concentração no solo, numa quantidade superior ao encontrado no ar e na vegetação do planeta, juntos. Porém, não fosse o de desmatamento para práticas agricultáveis, o Brasil praticamente não colaboraria para o aquecimento global, pois nossa matriz energética pouco se utiliza da queima de combustível fóssil, o maior responsáveis pelos danos ambientais na atmosfera.

Mesmo sendo considerada a quarta maior nação poluidora, devido as ações predatórias empregadas pelo mau uso da terra na maior frente agrícola do mundo, que avança sobre a floresta amazônica, a região não possui um estudo quantificado sobre suas emissões. Os números apresentados são praticamente todos estimados e hipotéticos.

Desmatamento

No Brasil, a emissão de gases é inversa à situação global e apenas 25% provem da queima de combustíveis fosseis. “Cerca de 75% do CO2 que o País emite na atmosfera são derivados de práticas agrícolas. Se desconsiderarmos o desmatamento, o Brasil cai para a 17°. posição na classificação mundial dos países emissores de GEE”, esclarece Cerri.

Diferente de outros pontos do País, o norte começou a se desenvolver a partir dos anos 1970 e, atualmente, a região sudoeste da floresta amazônica abriga a maior fronteira agrícola do mundo e se estende em forma de arco por Rondônia, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Maranhão. “Devido a degradação do solo pelas práticas de cultivo da terra, é provável que esta área contribua de maneira significativa com as emissões. Vamos medir os dois estados onde se concentra 45% dessa expansão”.

Composta por duas equipes, a expedição passará por 22 municípios, devendo percorrer mais de 15 mil quilômetros em cerca de 45 dias, numa área de um milhão e 200 mil Km20. “Demarcamos pontos de coleta onde estaremos mapeando a vegetação nativa e medindo as quantidades de carbono e nitrogênio desprendidas pelas atividades humanas”, diz Cerri.

Após o levantamento inicial, as amostras de solos coletadas serão analisadas no laboratório de Biogeoquímica de Solos do Cena. “A metodologia da pesquisa é simples, vamos analisar áreas de cultivo e de florestas nativas remanescentes e fazer um comparativo da quantidade de carbono existente em cada porção. A diferença existente entre as duas amostras de solo, uma intacta e outra que já sofreu manejo, significa a quantidade de carbono emitida na atmosfera”, conclui.

Numa etapa seguinte, serão instaladas câmaras para o recolhimento gases. Ao término da pesquisa, que deve durar quatro anos, mas poderá apresentar resultados preliminares no final de 2008, a avaliação também deverá medir o estoque de carbono existente na vegetação e no solo da região sem a interferência humana.

Mais informações: (0XX19) 3429-4485/3429-4477 na Assessoria de Comunicação da Esalq, e-mail acom@esalq.usp.br  
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