Minas reforça sua posição de grande centro produtor

Dos US$ 68,5 bilhões previstos para serem aplicados pela indústria de mineração no país até 2015, o setor de minério deverá responder por cerca de dois terços, com US$ 44,9 bilhões. Também despontam o segmento de níquel, que atrairá US$ 6,5 bilhões em investimentos, e a cadeia de alumínio, que receberá US$ 5,2 bilhões. "Os dados reforçam que o Brasil é o país do minério", afirma Paulo Camilo Vargas Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Com reservas de alta qualidade e a demanda forte, impulsionada pela urbanização das economias emergentes, o minério de ferro tem sido o destaque do país.

Com os investimentos, a produção de minério de ferro mais do que dobrará, pulando de 372 milhões de toneladas hoje para 771 milhões de toneladas em 2015, alta de 110%. Já a produção de níquel passará de 74 mil de toneladas para 192 mil de toneladas, com alta de 160%. A produção de alumina deve passar de 8,9 milhões de toneladas para 18,9 milhões de toneladas, enquanto a de bauxita deve ter alta de 40%, para 44,7 milhões de toneladas em 2015.

Do total de investimentos previstos até 2015, 36,6%, ou US$ 25 bilhões, são recursos voltados a projetos a serem desenvolvidos no Estado de Minas Gerais, que reforçará assim sua posição de grande polo mineral do país. "O destaque é para Minas, principalmente na cadeia produtiva do ferro, com a ampliação e entrada em operação de minas, além de novos investimentos em plantas de beneficiamento, minerodutos e usinas de pelotização", diz Sérgio Augusto Dâmaso de Sousa, diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Já, nos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, que, juntos, receberão US$ 6,4 bilhões, destacam-se projetos de logística e ferro.

Para José Frederico Álvares, diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI-MG), o cenário da indústria de mineração no Estado é muito positivo. Segundo levantamento do INDI, a indústria extrativa mineral atraiu R$ 47,18 bilhões em novos investimentos e em expansão de minas, em 2005-2010. "Esse processo de alta dos investimentos continua em 2011. Até agora, o governo de Minas Gerais já firmou protocolos de intenções que somam R$ 10 bilhões a esse montante", afirma Álvares.

A produção estadual de minério de ferro em Minas Gerais em 2010 é projetada em 247,9 milhões de toneladas, cerca de 65% do total brasileiro, estimado em 372 milhões de toneladas. Para 2015, a produção deverá alcançar 450 milhões de toneladas, um incremento de mais de 80%. "Além da abertura de novas frentes exploratórias no tradicional Quadrilátero Ferrífero, Minas conta com uma nova província mineral voltada para a produção de minério de ferro, a região Norte, que, no momento, vem sendo objeto de estudos por parte de grandes companhias nacionais e internacionais", afirma Álvares.

Minas Gerais também dispõe de um subsolo rico e que desperta a atenção de investidores para a prospecção e exploração de minerais voltados à produção de fertilizantes e de materiais de construção (minerais não-metálicos), terras raras, lítio, ouro, gás natural.

Com cerca de 35% dos investimentos, ou US$ 24 bilhões, o Pará está em segundo lugar entre os Estados que mais receberão investimentos. O Estado deverá assistir a um grande projeto: a ampliação da produção da mina de Carajás. A Vale trabalha com a meta de aumentar sua capacidade de produção de cerca de 300 milhões de toneladas métricas anuais de minério de ferro para cerca de 500 milhões de toneladas métricas em 2015. Boa parte desse acréscimo virá de jazidas em Carajás, uma das províncias minerais mais ricas do mundo, com 7,2 bilhões de toneladas métricas de reservas provadas e prováveis, além de volume substancial de recursos minerais com alto teor de ferro e reduzido grau de impurezas. Estima-se que, nos próximos cinco anos, a capacidade em Carajás aumente em 130 milhões de toneladas anuais. Para acompanhar essa expansão, a logística de escoamento da produção será ampliada.

Outra região que começa a atrair mais investidores é o Nordeste. "Há ampliações de minas e novos projetos de ferro, níquel, cromita, ouro e vanádio, principalmente na Bahia. Projetos para cobre em Alagoas e de fosfato e urânio no Ceará também são significativos. No Maranhão importantes investimentos em ouro e logística encontram-se em andamento", afirma Dâmaso de Sousa. Segundo o Ibram, a Bahia deve receber US$ 4,3 bilhões em investimentos.


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