Estudante cria filtro para escapamentos de veículos


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Pouco contente com a quantidade de fumaça e poluição emitidas pelos ônibus de Brasília, sua cidade natal, Ricardo Aquino, 19 anos, desenvolveu um filtro automotivo que diminui a emissão de gases poluentes de veículos que usam óleo diesel. A invenção foi vencedora do Prêmio Jovem Cientista 2010, que laureou iniciativas que dessem soluções energéticas e ambientais sustentáveis para o futuro do país.

Tanto a ideia quanto o desenvolvimento ocorreram enquanto o jovem cursava o ensino médio em um colégio público de Brasília que, segundo o próprio Aquino, mal incentivava sua curiosidade natural por ciência. "A verdade é que não me deram muito apoio, apesar de eu sempre ter ido muito bem nas feiras de ciências", diz Aquino, por telefone.

Aquino já negociou 3.800 para as frotas de empresas de transporte público coletivo de Brasília. Como a história chegou até esse ponto? Aquino explica: "Os filtros usados atualmente custam R$ 800, o meu está saindo por R$ 120. Além disso, os dispositivos convencionais filtram metade da fumaça emitida pelo ônibus, o meu, depois de algumas adaptações após vencer o prêmio, filtra quase 90%, e a fuligem retida no filtro pode ser reaproveitada para fazer pneus". Portanto, nada mais natural – e econômico – do que negociar com o rapaz de 19 anos, que abriu há pouco uma empresa para cuidar do novo negócio. "É tudo muito estranho, difícil; eu não tenho muito dom para negociar, a família tem ajudado", conta Aquino, aos risos.

Ele faz também uma análise um tanto irônica sobre os motivos que fizeram o seu filtro ter vingado: "É até triste constatar isso, mas se houvesse a mínima preocupação das empresas brasileiras em filtrar o diesel e melhorar um pouco mais a sua qualidade, a minha invenção não teria o menor uso". Diante da sua óbvia verve para a ciência – ratificada pelo prêmio –, Aquino, recém-ingresso no curso de relações internacionais da Universidade de Brasília, viu-se 'obrigado' a mudar de área. Agora está no primeiro período de engenharia química, na mesma universidade.

Apesar de a invenção já ter saído do papel e estar sendo produzida em grande escala, o rapaz ainda colhe os frutos do prêmio do ano passado. Em setembro, ele embarca para a Universidade de Massachusetts (Estados Unidos) para realizar um estágio em sustentabilidade. Por ora, ele poderá ser visto na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que acontece esta semana em Goiânia (GO). Aquino estará com outros vencedores do Prêmio Jovem Cientista na quarta-feira (13/07) em conversa aberta ao público.
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