Como fazer energia limpa sem energia suja?

O mundo espera uma revolução verde, e o abandono de nosso modo de vida, alimentado por emissões de gases estufa, poluição do ar e consumo de combustíveis fósseis. Mas ele pode ter de esperar um longo tempo, se transições passadas de energia forem um indicativo, de acordo com o cientista ambiental Vaclav Smil, da Universidade de Manitoba, no Canadá, especialmente pelo fato de a energia fóssil ser tão barata. "É barata demais. O petróleo é o mineral mais barato que se pode comprar. O percentual de renda disponível devotado à energia é de cerca de 10%", diz ele. 

Smil falava no recente Equinox Summit, em Ontário, especialmente dedicado a desenhar um novo cenário para a energia em 2030, no qual ao mesmo tempo as emissões de gases estufa seriam cortadas e a energia moderna seria levada aos bilhões de pessoas que não a têm hoje. O encontro falou de diversas opcões, de usinas de energia a partir de rochas quentes a baterias solares para eletrificação rural.

O único problema: todos estes recursos precisam de combustíveis fósseis para serem fabricados, diz a Scientific American. Aço e cimento, a esfraestrutura essencial de equipamentos de energia e de cidades, requerem carvão para sua produção. Células voltaicas baratas feitas de plástico precisam de polímeros produzidos pelo petróleo. O fertilizante que alimenta uma população global de sete bilhões requer a conversão de gás natural para mais de 140 milhões de toneladas de amônia por ano. Mesmo reatores nucleares avançados precisarão de grandes máquinas queimando carbono para a mineração do combustível, urânio ou tório.

Smil acredita que somos "fundamentalmente uma civilização de combustível fóssil", e que temos de agradecer a isto. E nem o mundo corre o risco de ficar sem ele em qualquer futuro próximo: "Em vez de acabar gás, achamos gás de xisto. Não há nada acabando em uma escala humana". Ele também não acredita na opção dos biocombusíveis: "Isto é insano. Estão tirando comida de boca de bebês. É um projeto apenas para agricultores". Além disso, afirma ele, foram necessárias três décadas e bilhões de dólares de subsídios para que o etanol de milho fornecesse apenas 10% do combustível de automóveis nos EUA. "Devemos concentrar nossos recursos e nossa atenção em algo que tenha melhor chance de dar certo. Não é biocombustível, nem vento. São os módulos fotovoltaicos que convertem energia da luz em eletricidade", ele acredita.

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