Protec lança contador virtual do déficit tecnológico

Um setor produtivo industrial em processo de esvaziamento tecnológico das cadeias produtivas provocado pela perda de competitividade não consegue inovar.  A afirmação foi feita pelo diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), Roberto Nicolsky, em São Paulo (SP), na abertura da 10ª edição do Encontro Nacional de Inovação Tecnológica (Enitec), nesta quarta-feira (25), data em que também se comemora o Dia da Indústria.

A análise justificou a escolha do tema do evento para este ano - Déficit Tecnológico e Risco de Desindustrialização, promovido pela Protec. Para Nicolsky, falar de inovação, tema recorrente e em alta, é incoerente neste momento uma vez que a produção nacional não consegue competir com o mercado internacional e, cada vez mais, importa componentes. "A tecnologia é um processo de aprendizagem e acumulação. Não existe passe de mágica nesta área. É preciso fazer, aprender e acumular conhecimento. Quando se deixa de fabricar algo, mesmo que seja um componente, perde-se toda a acumulação existente na época. Para retornar o processo, volta-se a estaca zero. E a indústria deixa de produzir para tornar-se mera montadora".
 
Para dar mais visibilidade à questão, a Protec lançou durante o evento o deficitômetro tecnológico, contador virtual disponível no site
www.deficitometrotecnologico.org.br. O indicador, criado pela instituição a partir do cálculo do saldo comercial dos grupos de produtos e de serviços de maior intensidade tecnológica do País, mostra segundo a segundo o saldo negativo do Brasil nas áreas de alta e média-alta intensidade tecnológica e nos serviços tecnológicos.
 
De 1996 a 2006, o saldo negativo do Brasil em tecnologia foi de US$ 20 bilhões a cada ano. Em 2008, US$ 40 bilhões, enquanto que em 2010, o déficit tecnológico foi de US$ 85 bilhões. Atualmente, ele cresce R$ 4,9 mil por segundo. "Em 2011, o Brasil terá um déficit tecnológico de US$ 100 bilhões. Um dos principais fatores é a importação crescente de produtos acabados e semi-industrializados", informou o presidente da Protec, João Carlos Basílio. Para o diretor de Tecnologia da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Alfredo Delgado, o Brasil encontra-se em um ambiente árduo para inovar. No setor, o custo tributário é de 44%.
 
Uma solução esperada pela indústria é o lançamento pelo governo federal da Política de Desenvolvimento e Competitividade, que será a segunda fase da Política de Desenvolvimento Produtivo. Em junho, segundo o diretor da Secretaria de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Vinícius de Souza, serão apresentadas as diretrizes do plano, com foco no comércio exterior, inovação, comércio e serviços.




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