EUA combatem medidas contra mudança climática

Washington quer eliminar referências sobre o Protocolo de Kyoto e o IPCC da ONU

Fonte: O Estado de S. Paulo

Os Estados Unidos pretendem debilitar as ações conjuntas internacionais contra a mudança climática e se opõem à citação das alarmantes previsões científicas na minuta do comunicado da próxima cúpula do G8, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia.

Segundo o jornal Financial Times, Washington quer eliminar do documento qualquer referência aos prognósticos dos cientistas. A minuta original ressalta que "acima de um aumento de temperatura de 2 graus, os perigos da mudança climática serão em boa medida ingovernáveis".

A União Européia quer utilizar esse limite de segurança como base para calcular o volume tolerável de emissões de gás do efeito estufa e impor restrições aos países mais poluentes.

Philip Clapp, presidente do National Environmental Trust dos EUA, se queixou da "nova tática obstrucionista" do Governo americano. Ele espera que outros líderes do G8, como a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, se mantenham firmes.

Os EUA exigem eliminar também, segundo o FT, as referências à necessidade de iniciar negociações sobre um documento para suceder o Protocolo de Kyoto e qualquer menção das Nações Unidas.

O texto da minuta é muito mais leve que o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (GICC), segundo o qual o mundo tem até 2020 para tentar reverter o crescimento das emissões de CO2 e evitar uma catástrofe.

Em lugar de um parágrafo que diz que os líderes do G8 estão "muito preocupados com as últimas descobertas científicas confirmados pelo GICC", os EUA sugerem o seguinte texto: "Tomamos nota da recente avaliação do GICC de que está acontecendo um aquecimento do sistema climático".

A posição americana contrasta com a declaração feita ontem pelas academias nacionais de ciências dos países do G8 (EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Japão e Rússia), e mais Brasil, México, Índia, China e África do Sul, exigindo limitar o aquecimento global a dois graus acima dos níveis pré-industriais.
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