Gaseificação transforma lixo em energia

Entre as vantagens do processo estão o baixo custo do serviço e a capacidade de processamento do lixo urbano

Para suprir o problema da destinação do resíduos sólidos urbanos, que, além de ser um forte poluente da natureza, se tornou um dos obstáculos ao crescimento das grandes indústrias e empresas, uma nova tecnologia de gaseificação transforma esses rejeitos em uma mistura de gases combustíveis, ou seja, energia na forma de gás síntese.

A tecnologia de gaseificação é conhecida desde 1839, quando o químico alemão Karl Gustav Bischof construiu o primeiro gaseificador. Porém, a principal dificuldade sempre foi em produzir um gás de alto poder calórico e de composição química  constante independente do material de entrada, que aceitasse variação de umidade na composição do material de entrada, baixa emissão de poluentes atmosféricos e que ainda fosse capaz de eliminar o alcatrão (óleos de composição complexa) no seu gás resultante.

Entretanto, atualmente já existe tecnologia suficiente capaz de solucionar esses problemas e produzir, literalmente, energia a partir de lixo. Segundo informações da EdRB, empresa especializada em soluções em energia e meio ambiente, que desenvolve a tecnologia de gaseificação, a produção de energia de um gaseificador é de 67,5 mil MW por ano.

“A Gaseificação alia mecanismos financeiros e tecnologias que agregam valor, evitando o desperdício de materiais e contemplando energias mais limpas e sustentáveis sem perder a funcionalidade e eficiência”, afirma Marcelo Escarlassara, diretor da EdRB.

Entre as vantagens da gaseificação estão o baixo custo do serviço e diminuição nas despesas da empresa, capacidade de processamento do lixo urbano, economia de combustível fóssil aplicado à geração de eletricidade, geração de energia alternativa e redução de poluentes e doenças.

A transformação
No processo, os resíduos coletados são descarregados e armazenados em um ponto com pressão negativa (abaixo da pressão atmosférica) para reduzir a emissão de odores. Os reservatórios são providos de drenos que coletam os líquidos e os enviam para uma ETE – Estação de tratamento de efluentes. Os resíduos tóxicos e de origem da aréa da saúde são estocados em um espaço próprio e coberto, com sistema de alimentação indo direto para o gaseificador, sem manipulação alguma, nem para a obtenção de reciclados ou outros derivados.

O rejeito da central de reciclagem passa por uma última esteira magnética para remoção de eventuais sobras de ferro ou aço antes de passar pelo picador, direcionado para o formo de secagem da biomassa. Da saída do formo de secagem, o material picado e com baixa umidade segue para acumuladores. Somente depois disso o material é enviado para o gaseificador por um sistema de transporte por caracol.

Toda a biomassa (rejeitos provenientes de materiais que entram em decomposição, como restos de alimentos e madeiras) é, primeiramente, pirolizada, ou seja, aquecida a temperaturas entre 450°C e 500°C para que suas moléculas sejam quebradas e transformadas em gás e resíduo. Cerca de 80% do material se transforma em gás - podendo chegar a até 90% quando provenientes de resíduos de origem animal. Estes gases são misturados a vapores, reagindo em altas temperaturas (quase 1 mil grau), resultando no produto final que será usado nos geradores de energia elétrica (este produto final também pode ser tranformado em outros produtos, como ácool ou biocombustível).

O espaço necessário para a instalação do sistema varia de acordo com a quantidade de material que se vai processar, sendo diferente em cada caso. Ainda assim, o gaseificador pode ser instalado e operado de forma fácil e econômica mesmo em lugares remotos. 

Veja, abaixo, o fluxograma do processo:

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