Metalúrgicos terão aulas sobre sindicalismo

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Ponto de partida da trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC arrematou um prédio - por R$ 1,2 milhão - para abrigar um curso de formação e qualificação dos seus cerca de 100 mil filiados.

Destinado a contar a história das negociações coletivas desde a década de 80 - quando o sindicato foi presidido por Lula - o curso terá início, em caráter experimental, na semana seguinte ao Carnaval.

No último acordo coletivo, com vigência de 2009 a 2011, as montadoras cederam à reivindicação do sindicato de liberação do empregado um dia por ano, sem desconto em folha, para um curso de oito horas. Cabe ao sindicato oferecer aulas e refeição.

Em 2010, o curso atenderá 120 alunos por semana, num projeto-piloto. Mas a meta fixada para daqui a cinco anos é reunir 650 trabalhadores por dia em sala de aula. Antes, o novo prédio, que abrigava um curso supletivo, deverá ser demolido para uso do terreno de 1.180 metros quadrados.

Apesar da coincidência com o calendário eleitoral, o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, rechaça o risco de exploração política. Além de "desmoralizar o programa", a abordagem eleitoral seria desnecessária. Segundo Nobre, os metalúrgicos continuariam a adorar Lula "ainda que seu governo fosse uma bosta".

"Se Lula tem 80% de apoio no Brasil, entre os metalúrgicos tem 200%. Não precisa pedir nada para ninguém. Se dependesse dos metalúrgicos, ele seria presidente já em 1989", argumentou Nobre, alegando que a aprovação da proposta consumiu seis anos de negociações.

Diretor do departamento de formação do sindicato, Walter de Souza explica que, inspirado no modelo canadense, o curso nasceu da constatação de que mais da metade dos metalúrgicos do ABC tem pouco mais de 30 anos e desconhece a evolução do processo de negociação com as fábricas.

Segundo Nobre, é preciso que os trabalhadores valorizem as conquistas e entendam que elas "não vieram de graça". O curso incluirá uma comparação dos direitos dos metalúrgicos com os de outras categorias.

"Se for olhar para o Brasil, a maioria, 70% dos brasileiros, ganha até dois salários mínimos. Uma merreca", disse Nobre, para quem uma vitória do PSDB seria um retrocesso para os movimentos sociais.

Doutora em ciências sociais e educação, a professora Kimi Tomikazi acompanhará o curso para consolidação de uma base de dados sobre a categoria metalúrgica no ABC. A pesquisa diz que contará com a participação de alunos da USP. "Essa formação viria para sensibilizar os trabalhadores sobre o quanto a negociação, que fica tão estratosférica, tem a ver com o cotidiano deles e abrir as portas para que se aproximem do sindicato", diz Kimi.

Segundo Nobre, o sindicato ainda não tem calculado o custo de todo o programa e poderá pedir empréstimo ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a construção do prédio.

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