Empresários desconhecem mercado de US$ 10 bi


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Fonte: IDER - 02/05/07

Uma pesquisa realizada pelo Ministério do desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e a PricewaterhouseCoopers ouviu empresas e entidades representativas dos dez setores produtivos do Brasil sobre a importância do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e do mercado de carbono, procedimentos ligados ao Protocolo de Quioto, acordo entre nações para adotar medidas que reduzam as emissões de gases que provocam o aquecimento da terra: 90% dos pesquisados disseram considerar o impacto das mudanças globais do clima relevante para suas operações e 79% pretendiam realizar projetos de MDL. Trata-se de um mercado que o Banco Mundial estima alcançar US$ 10 bilhões anuais em 2010, mas consultorias internacionais já falam em US$ 30 bilhões anuais.

Mesmo ante um universo em que 70% das empresas tinham faturamento superior a R$ 200 milhões anuais - com predominância dos setores de agronegócio, energia, saneamento, automobilístico e papel e celulose, os principais fatores apontados como obstáculos à realização desses projetos foram: a falta de divulgação mais ampla do assunto, ausência de conhecimento técnico especializado e os custos elevados do processo. A pesquisa está completando um ano, mas retrata bem o quadro atual, apesar dos esforços de algumas entidades e instâncias. Apenas 132 projetos de MDL foram aprovados até hoje, envolvendo um número ainda menor de empresas, já que algumas delas são responsáveis por mais de um projeto.

A situação é ainda mais visível quando se trata de projetos referentes a conservação e recuperação de áreas florestais. Somente um projeto um projeto, de recuperação de matas ciliares, chegou à mais alta instância de aprovação do Conselho Executivo do MDL da Organização das Nações Unidas (ONU), mas foi recusado duas vezes por problemas técnicos. A próprio ONU se comprometeu a desenvolver metodologia que facilite a aprovação de projetos em um campo em que o Brasil tem reconhecido potencial.

O presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Walter Lazzarini, afirmou em seminário na sede da entidade que a possibilidade de projetos referentes a conservação e recuperação de áreas florestais serem aceitos como MDLs é motivo de comemoração. Os créditos de carbono poderiam servir como compensação financeira para os agricultores que necessitam fazer a recuperação da área de reserva legal, observou.

Na visão de Lazzarini, esse incentivo pode significar o plantio de 200 milhões de árvores, que contribuiriam para a geração de água de boa qualidade, contenção de enchentes, recuperação de biodiversidade, geração de empregos na atividade de reflorestamento e promoção de ações de educação ambiental.
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