Copenhague tem início com 34 mil participantes

Apesar do grande interesse internacional, pelos corredores já se fala na impossibilidade de um acordo obrigatório

Fotos: Greenpeace




Ao desembarcar em Copenhague, na Dinamarca, os pôsteres de boas vindas aos participantes da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas são praticamente a primeira imagem nos corredores do aeroporto, assim como os painéis do Greenpeace e da Campanha TicTacTicTac com os líderes mundiais em 2020 pedindo desculpa por não terem feito nada para impedir as conseqüências do aquecimento global.

Representantes de quase 200 países estão aos poucos enchendo a cidade. Segundo a Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC), as inscrições para participar do evento já passaram do dobro da capacidade do Bella Center, local onde será realizado. Foram 34 mil pedidos para estarem em um espaço capaz de abrigar até 15 mil. O credenciamento de jornalistas, por exemplo, teve que ser suspenso quando chegou ao número de 5 mil. E aqueles que não retiraram sua credencial no domingo, não poderão fazê-lo na segunda-feira até meio-dia.

Com este panorama já é possível ter uma idéia de como deverão ser as próximas duas semanas aqui. Durante uma coletiva de imprensa neste domingo (6), o secretário-executivo da UNFCCC, Yvo de Boer, disse que os diversos anúncios de compromissos feitos por vários países nos últimos dias criam um momento sem precedentes para alcançar um acordo ambicioso.

“Nunca em 17 anos as negociações climáticas tiveram tantas nações anunciando tantos compromissos firmes juntas. Apesar de haverem mais passos a serem dados para um futuro climático seguro, Copenhague já é um ponto de mudança na resposta internacional às mudanças climáticas”, afirmou.

Contudo, o clima gelado da cidade ficará ameno frente às quentes discussões que irão ocorrer nas próximas duas semanas por aqui. Apesar de ainda não haver muitos delegados pelos corredores do Bella Center, o que se ouve entre especialistas que vem cobrindo as reuniões do clima da ONU é que COP 15 não terminará com um ‘acordo legalmente obrigatório’, como é esperado, mas apenas com um documento de princípios políticos.

E, apesar da grande expectativa em torno da vinda dos líderes mundiais para o evento, eles podem se transformar na verdade em uma ‘distração’, já que não teriam a experiência técnica para negociar um acordo climático como negociadores que trabalham nisso há anos.

Para chegar a um acordo obrigatório e que alcance o que os cientistas dizem ser o limite seguro de aumento das temperaturas (corte de 40% das emissões de gases do efeito estufa em 2020) será preciso decidir onde será a ação (em qual parte do mundo, diga-se de passagem) e quem irá pagar por isso. Ou seja: ou os países ricos aumentam sua ambição nas metas que anunciaram até agora ou colocam dinheiro na mesa para os países em desenvolvimento fazerem algo além das metas voluntárias que divulgaram.

Outra informação que corre é que o governo dinamarquês estaria circulando entre negociadores um rascunho do acordo, com o que acha que deve ser o tratado a ser assinado por aqui. O maior grupo nas negociações, chamado G77/China (e formado por 130 países em desenvolvimento), também teria um documento similar.

Entre as dificuldades que devem vir pela frente estão justamente a possibilidade de os africanos travarem as negociações, como fizeram em Barcelona, enquanto os países ricos não forem mais ambiciosos nas metas.

E provavelmente não faltarão vozes pela cidade para lembrar as delegações disso, já que estão previstas diversas manifestações de movimentos da sociedade civil e ONGs nos próximos dias. 
 

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