Falhas em ponteiras geram problemas de transporte e descarga de combustíveis

Fotos: Divulgação

As atividades de transporte, carregamento e descarregamento de combustíveis são consideradas operações de grande risco. Por isso, são alvo de regras e normas definidas por legislações específicas, que regulamentam as condições da atividade, englobando as etapas e equipamentos envolvidos no processo.

No entanto, segundo profissionais que atuam em áreas relacionadas ao transporte de combustíveis, falhas no uso de determinados produtos que compõem os implementos dos caminhões-combustíveis contribuem para a ocorrência de inúmeros problemas durante as atividades deste setor. Seja no transporte ou principalmente nas operações de descarga, o uso indevido destes produtos pode oferecer riscos ambientais, riscos para a saúde do operador e até mesmo perigo de explosão.

De acordo com Adilson Estrada, especialista em manutenção da empresa de transportes Tropical Transportes Ipiranga, as ponteiras dos mangotes e seus acessórios estão entre estes produtos já que, por sofrerem danos e desgastes frequentes durante a operação de descarregamento, consequentemente geram os problemas citados, pois muitas vezes continuam sendo utilizadas, mesmo em condições inadequadas.

Segundo Estrada, o que acontece é que a mangueira, ao ser retirada do porta mangote, quase sempre termina batendo no chão, o que faz com que a ponteira se danifique com facilidade, sendo amassada ou trincada. Além disso, no momento de guardar o mangote, o mesmo normalmente é arrastado, ocasionando maior desgaste à ponteira. Estando amassada, a peça pode causar vazamento de combustível durante a operação de descarga, o que gera um risco de explosão.

A alavanca de travamento do engate rápido, conhecida pelo nome de came, por não ter encaixe perfeito, pode ficar solta e também causar algum derramamento. Valdeni Secreta dos Santos, proprietário da Oficina do Secreta, oficina autorizada de fabricantes de válvulas e implementos utilizados por transportadoras,  explica: “Ela depende do joelho e da boca do posto, por isso, como cada posto tem uma boca diferente, em alguns postos o encaixe funciona, em outros, não. Considero uma peça ultrapassada e obsoleta”.

As alavancas de travamento (came) também podem abrir durante a operação de descarga, especialmente quando é necessário o uso de bombas, cuja vibração facilita a abertura das travas, causando vazamento. Além disso, as tiras de velcro usadas como travas também apresentam problemas, pois seu manuseio com luvas é difícil e elas se desgastam com o tempo, podendo romper.

Outro problema freqüente ocasionado nestas operações são as lesões sofridas nas mãos dos operadores. Para se retirar a mangueira do porta mangote, é preciso puxar a tampa da ponteira por meio de um anel. O que acontece é que, quando a mangueira é puxada, ela normalmente sai do tubo virando com certa força para um lado ou para outro, exercendo um movimento de torção no dedo e na mão do operador que, com o dedo encaixado no anel, pode se machucar neste momento.

O risco ao meio-ambiente ainda é outro fator citado pelos profissionais do setor, já que os vazamentos de combustíveis que ocorrem nas operações ou durante o transporte, mesmo sendo pequenos, quando somados de forma geral, representam um percentual significativo, dada a quantidade de veículos que atuam nesta atividade.

Estrada e Secreta mencionam ainda a questão financeira como um problema adicional sofrido pelas transportadoras devido ao desgaste constante das ponteiras, que por isso, precisam ser substituídas com frequência.

 

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