Tecnólogos conquistam espaço

Mais curtos e focados na demanda do mercado, cursos de tecnologia ganham cada vez mais adeptos

Fotos: Divulgação

São grandes os atrativos dos cursos superiores de tecnologia, que prometem oferecer uma formação voltada diretamente às necessidades do mercado e possuem uma duração menor do que os bacharelados e licenciaturas. Não é à toa que tantos brasileiros, principalmente na faixa entre 25 e 45 anos, têm procurado os cursos tecnológicos. Entre 2002 e 2007, o número de alunos que ingressou nesse tipo de graduação cresceu 390%, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Em comparação, o número de alunos no ensino superior regular no mesmo período subiu apenas 22%.

A oferta desses cursos também acompanhou a demanda. Exemplo disso é o caso da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), que em 2010 lança um Centro de Formação de Tecnólogos, com oito cursos nesse formato, seguindo exemplos de instituições públicas, como a Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), e privadas, como as Faculdades Opet, que já investem na área há um bom tempo.

Potenciais e restrições
Atuando há mais de uma década na área de recursos humanos, as profissionais Eliane Catalano (analista sênior da empresa Nossa RH) e Ariane Woehl (gerente de relacionamento da RH Center) contam que, antigamente, o mercado era bem mais resistente em aceitar os tecnólogos.

“Hoje as empresas já abrem vagas pensando em contratá-los. E se porventura elas se esquecem de fazer isso, nós mesmos indicamos tecnólogos para determinadas funções, e eles muitas vezes são contratados sem problema algum”, diz Eliane.
 
Na avaliação de Ariane, como a presença dos cursos tecnológicos é considerada recente no Brasil (o MEC passou a incentivá-los só a partir de 1998), a formação esbarra ainda no desconhecimento de parte do mercado. “Até hoje há empresários que me perguntam se esse é um curso superior”, relata.

Segundo a gerente da RH Center, a aceitação dos tecnólogos também varia de acordo com certos nichos de trabalho. “Nas áreas comerciais e administrativas, por exemplo, a aceitação é maior”, diz. Ela cita o exemplo da própria empresa em que trabalha, que recentemente contratou uma tecnóloga formada em gestão de RH. “Ela está se dando tão bem ou melhor na função quanto se tivesse um bacharelado em psicologia ou administração, como costumam ter a maioria dos profissionais de recursos humanos.”

Em compensação, em setores como o de engenharia, Ariane admite que existe resistência de algumas empresas. “Algumas só contratam engenheiros ou, então, os tecnólogos admitidos acabam recebendo quase como se fossem técnicos, com nível de ensino médio.”

Um exemplo de empresa que, em princípio, não faz restrições a tecnólogos é a paranaense Sigma, que atua na área de sistemas de informação. “Independentemente de ser tecnólogo ou bacharel, o que vale para nós primeiro é se a pessoa tem conhecimento técnico e se ela passa nas avaliações que fazemos”, afirma o diretor de tecnologia da Sigma, Dante Barleta Filho.

Segundo ele, do quadro funcional de sua empresa, composta por 350 funcionários, 20% são tecnólogos. Dessa parcela, há muitos empregados que já trabalhavam sem ter um nível superior e que fizeram o curso tecnológico para obter um diploma, exigência que passou a ser feita pela empresa.

Mas Barleta reconhece que, se um bacharel e um tecnólogo estiverem empatados na disputa de uma vaga nova na Sigma, ele ainda concederia o posto ao bacharel, “que teria uma formação mais completa”.

Curso Superior
Os cursos superiores de tecnologia abrangem os mais diversos setores. O Ministério da Educação, em seu catálogo de cursos tecnológicos, os divide em dez áreas:
  1. Ambiente, Segurança e Saúde;
  2. Controle e Processos Industriais;
  3. Gestão e Negócios;
  4. Hospitalidade e Lazer;
  5. Informação e Comunicação;
  6. Infraestrutura;
  7. Produção Alimentícia;
  8. Produção Cultural e Design;
  9. Produção Industrial 
  10. Recursos Naturais.

Permitem o ingresso em pós-graduações lato e stricto sensu – especializações, mestrados e doutorados.

O tecnólogo também pode concorrer normalmente a uma vaga em concursos públicos que exija curso superior – exceto no caso do edital recomendar um bacharelado ou licenciatura em específico.

Em relação ao salário, o tecnólogo pode ganhar tanto ou mais do que bacharéis e licenciados. Na prática, porém, alguns setores, como a da engenharia mecânica, podem valorizar mais os que cursaram o ensino superior regular.
 
Entre as pessoas que já cursaram, há opiniões divergentes sobre as oportunidades e qualidades dos tecnólogos. Veja aqui.
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