Retração em aço plano pode ir a 30%

Fonte: Valor Online - 14/11/08

A demanda por aço no primeiro trimestre de 2009 projeta uma retração de até 30%, dependendo do tipo de produto e aplicação. No caso de chapas laminadas, usadas em carrocerias de automóveis, em bens de linha branca e em máquinas e equipamentos, a expectativa é a mais pessimista prevista no setor. A rede de distribuição, um importante termômetro da indústria de aços planos, indica queda de venda de pelo menos 80 mil toneladas mensais de janeiro a março comparado com o ritmo em que vinha operando até outubro.

A rede, que despachava 330 mil toneladas até o mês passado, acaba de rever seus números: agora, no melhor cenário, prevê 250 mil toneladas ao mês no primeiro trimestre, informa Christiano Freire, presidente da Frefer e do Inda, entidade que reúne distribuidoras do país. Com isso, volta-se ao ritmo do início de 2007.

Para novembro, a previsão é entregar 285 mil toneladas no melhor cenário e 260 mil no pior. Já em dezembro, tradicionalmente fraco, as vendas devem fechar em 220 mil toneladas. O segmento de distribuição responde por 34% do total de aços planos comercializado, que no país são fabricados por Usiminas, CSN e ArcelorMittal. As três usinas têm suas próprias distribuidoras, que ficam com dois quintos das vendas por esse canal. Os 60% restantes elas vendem diretamente a grandes clientes, caso das montadoras de veículos.

Segundo Freire, o volume de novembro vai representar a primeira queda do segmento em vários anos. Um ano atrás, despachou 305 mil toneladas. A rede ainda espera fechar 2008 com aumento de 18% sobre o desempenho de 2007, quando alcançou 3,3 milhões de toneladas e exibiu crescimento recorde de 26%.

A revisão feita pelo Inda levou em conta os diversos fatores que travaram a demanda: restrição e encarecimento do crédito para as empresas e o pé no freio das compras por parte dos consumidores. Isso levou fabricantes de veículos e autopeças a anunciar férias coletivas para baixar seus estoques. "A ordem nas nossas empresas é também baixar estoques e vender o máximo para fazer caixa".

No momento, a rede opera com estoques de 825 mil toneladas - quase três meses de vendas. Até o fim de março a meta é baixar, gradualmente, para 625 mil. Com esse novo cenário, o Inda deixou para trás a previsão de vender 4,2 milhões de toneladas em 2009.

Na opinião de Pedro Galdi, analista da SLW, o segmento de aços planos do país será mais afetado que o de longos (forte aplicação na construção civil), no qual se enquadra Gerdau, ArcelorMittal e Votorantim.

Ele lembra que o impacto vem ocorrendo em todos os elos da cadeira produtiva, desde, por exemplo, carros, até a mineração de ferro. Por conta disso, a Vale já anunciou corte na produção de 10%.

A última projeção do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), de julho, apontava para 2008 vendas internas de 13,2 milhões de toneladas de aços planos (maior 8,7%). Esse volume já está sendo revisto pelas empresas. Em apresentação a analistas, a Usiminas indicou 12,8 milhões e no setor já se fala em 12,5 milhões. No ano passado, a demanda local, com a economia aquecida, atingiu 12,1 milhões de toneladas. No caso dos longos, a projeção era de 9 milhões, representando aumento de 16,4%.

Em nota, a Usiminas informou que "para o ano de 2009, prevê ritmo de crescimento mais modesto (2 a 3%) para a demanda interna de aços planos. O mercado poderá ser atendido sem que seja necessário recorrer às importações de produtos e à sobrecarga das unidades de produção, como ocorreu nos últimos 24 meses". Assim, informa que fará ajustes operacionais necessários à manutenção do equilíbrio entre oferta e demanda de seus produtos. Procuradas, Gerdau disse que ainda analisa seus números. A CSN não se pronunciou.
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