ArcelorMittal Tubarão terá o seu 'calcário alternativo'


A siderúrgica ArcelorMittal Tubarão prepara-se para estrear no mercado de insumos agrícolas. A empresa vai destinar parte de um resíduo da produção de aço, conhecido como escória de aciaria, para a produção de um insumo que, no campo, é utilizado para a correção da acidez do solo.

Nas lavouras, o insumo mais largamente usado como corretor da acidez é o calcário. Com a disparada do preço dos fertilizantes, o uso do calcário cresceu. O movimento ocorreu como forma de obter maior aproveitamento do adubo aplicado nas plantações.

A linha para a produção da escória de aciaria voltada ao mercado agrícola já está pronta, segundo Elton Baptista Botelho, gerente de co-produtos da ArcelorMittal Tubarão. A companhia requisitou em 2007 o licenciamento de uso de seu produto ao Ministério da Agricultura, que, por sua vez, pediu análise da viabilidade ao Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) do Espírito Santo. Com a licença em mãos, diz Botelho, as vendas já poderão ser feitas.

A viabilidade da utilização do insumo alternativo já foi atestada por pequisas feitas pela empresa em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), afirma Botelho. Iniciadas em 2000, as pesquisas foram concluídas em 2006.

Os testes foram aplicados em plantações de soja e cana-de-açúcar. Nessas culturas, a escória teve desempenho até 30% superior ao do calcário, isto é, foi preciso menos escória do que calcário para alcançar o mesmo desempenho com a utilização de volume idêntico de fertilizantes.

Com o aumento do uso do calcário, ocasionado pelo encarecimento dos fertilizantes, o preço do corretor de acidez também subiu. Usualmente negociado por R$ 30 a tonelada, o calcário passou a custar, em média, R$ 40 por tonelada, segundo a Associação Brasileira dos Produtores Calcário Agrícola (Abracal).

Mais um fator para abrir espaço à escória de aciaria na agricultura, avalia Botelho. No Espírito Santo, onde fica a siderúrgica, o resíduo deverá ser comercializado por R$ 30 a R$ 40 a tonelada. "Mas não pensamos em entrar nesse mercado em virtude da situação do mercado. O principal para a empresa é ampliar o uso comercial do resíduo e evitar passivos ambientais que ele pode causar", diz.

Há empecilhos para a venda em larga escala de sua escória no mercado agrícola, admite Botelho. Um deles é o alto custo do frete. Para mercados mais próximos da siderúrgica, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, o frete fica entre R$ 55 e R$ 60 por tonelada. A venda ficaria restrita, portanto, ao Espírito Santo.

Essa restrição é o motivo do segundo entrave para as vendas. Os testes de desempenho, até o momento, foram feitos na soja e na cana-de-açúcar, culturas em que o Estado não tem tradição. Até o mês de julho devem ser apresentado o primeiro relatório de viabilidade da escória de aciaria nas lavouras de café. A pesquisa tem sido feita em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Outro mercado potencial almejado pela ArcelorMittal Tubarão é o das plantações de eucalipto.

O uso da escória de aciaria no campo é novidade para a siderúrgica, mas já é adotado em outros locais, particularmente em Minas Gerais. Entre outros destinos, o resíduo é aproveitado na pavimentação de rodovias - os diferentes destinos do resíduo dependem de sua granulação. Em 2007, a ArcelorMittal Tubarão obteve receita de US$ 82 milhões com o reaproveitamento de resíduos. Para este ano, a projeção é de que essa receita cresça para US$ 102 milhões.
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