Empresas investem em ''tecnologia sustentável''


Preocupação crescente com questões ecológicas leva a surgimento de produtos inovadores


A crescente demanda por produtos ecológicos faz com que as empresas invistam cada vez mais em tecnologias "sustentáveis". E um bom exemplo desses investimentos está na primeira Mostra de Tecnologias Sustentáveis, exposição que reúne produtos que já estão no mercado e que procuram unir os conceitos de economia e sustentabilidade. A mostra, com 56 expositores, traz de softwares para gerenciamento de recursos naturais nas empresas a novas tecnologias em construção civil e agronegócio, e faz parte do calendário de eventos da Conferência Internacional do Instituto Ethos, que começou ontem, no Anhembi, em São Paulo.

A escolha das tecnologias que hoje compõem a mostra teve como base sua capacidade de atender a empresas e comunidades, explica Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos e um dos idealizadores da mostra. "Recebemos 105 inscrições, de empresas, empreendedores sociais, ONGs e universidades de dentro e fora do País. São tecnologias não só ambientais, mas também que ajudam na redução da pobreza e que podem trazer benefícios econômicos."

A brasileira Embraco, maior fabricante mundial de compressores para refrigeração, apresenta, por exemplo, um compressor que reduz em até 40% o consumo de energia elétrica em geladeiras e freezers, por ser capaz de variar sua capacidade de refrigeração, adaptando-se à demanda do usuário. Desenvolvido no final da década de 1990 para atender às regras de eficiência energética dos mercados europeu e americano, o compressor de capacidade variável (VVC, na sigla em inglês) chegou a ser comercializado no Brasil, em uma linha da marca Brastemp, na época do apagão, em 2001.

"No entanto, o consumidor brasileiro não é tão preocupado com economia de energia, o que fez com que nos voltássemos para a venda da tecnologia no exterior", diz Edu Machado, gestor de marketing da Embraco. A tecnologia, totalmente desenvolvida e produzida no Brasil, está presente em todos as geladeiras hoje vendidas nos EUA e em boa parte da Europa.

A Apel, consultoria de informática, apresenta um software para gestão de sustentabilidade nas empresas que permite uma gestão estratégica dentro da área de atuação da companhia. "Somos procurados por empresas que estão prestes a abrir o capital e que querem dar transparência a suas estratégias de sustentabilidade", diz Aerton Paixa, presidente da Apel. Entre os clientes estão Natura, Banco Real e Grendene.

Na área de construção civil, o destaque são as tecnologias para redução de impactos ambientais. Uma delas vem da Ecotelhado, pequena empresa gaúcha que faz projetos de telhados "verdes". A empresa produz telhas modulares a partir da reciclagem de EVA - resíduo comum das empresas calçadistas - misturada a cimento e a um substrato, que permite o cultivo de plantas sobre o telhado. "O resultado é um telhado vivo, verde, que traz benefícios como conforto térmico", explica César Dinardi, sócio da Ecotelhado. A sede da CPFL, em Campinas, e em uma das alas do shopping center Cidade Jardim, que será inaugurado nos próximos dias em São Paulo, já contam com telhados "verdes".

Outro projeto de destaque é a reciclagem de resíduos da construção civil e seu uso para pavimentação de ruas. Fruto de pesquisas realizadas por universidades em São Paulo, Maceió e Macaé (RJ), permite o reaproveitamento do entulho, resolvendo um antigo problema para as prefeituras. Uma experiência-piloto foi realizada, com sucesso, no câmpus Leste da Universidade de São Paulo (USP-Leste).
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